Reprodução A Nova Democracia.
No momento em que diversas organizações, apontadas pelos estudantes como oportunistas, disputavam votos para eleger delegados para o Conune, ativistas do Coletivo Aurora Democrática boicotaram o pleito, distribuindo centenas de panfletos e gritando palavras de ordem. A agitação ocorreu no campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no dia da eleição, 2 de julho.
O correspondente local de AND tomou conhecimento do fato através do Coletivo, que relatou a distribuição relâmpago de mil panfletos por todo o campus, pegando de surpresa as organizações que compunham as chapas. Enquanto passavam, os ativistas entoavam gritos como “abaixo a UNE governista inimiga dos estudantes!” e “contra o peleguismo da UNE!”, entre outros. Segundo o Coletivo, os estudantes, cansados de serem abordados pelas diferentes siglas para ouvirem as mesmas promessas, recepcionaram bem a atividade.
O Conune é o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE). Nele é eleita a nova diretoria da entidade e são tomadas decisões para o futuro da organização. No entanto, apesar da UNE dizer representar todos os estudantes brasileiros e, no passado, principalmente durante o regime militar, ter liderado lutas importantes, seu atual caráter é denunciado pelos estudantes combativos. Eles apontam que a organização se desviou para o caminho eleitoreiro e que serve como linha auxiliar do oportunismo petista, atuando na corporativização das massas estudantis.
Esse caráter, segundo o Coletivo, ficou claro no 16° Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb). O panfleto denuncia que “a UNE evidenciou, de maneira clara, que é lacaia do oportunismo petista e as resoluções do evento se esquivaram de qualquer crítica ao PT e seus cortes criminosos à educação pública”. A posição da UNE em relação ao Novo Ensino Médio (NEM) e as políticas do imperialismo para a educação nos países oprimidos também foi lembrada: “a proposta dela é uma ‘reforma da reforma’ ao invés de defender a implosão desse lixo [NEM], tão criticado por estudantes e professores. Além disso, é bom lembrar que a UNE defende, em suas resoluções, políticas do banco mundial. O que essa organização imperialista pode trazer de bom a educação brasileira?”, questionou o panfleto.
Os estudantes concluíram levantando a necessidade de um movimento estudantil combativo e independente e reafirmando que “quanto a UNE, cabe boicotá-la, enquanto instrumento de corporativização dos estudantes, que facilita os ataques à educação. Não há posição de esquerda possível nela!” E de fato, levando em conta a passividade da entidade diante dos ataques à educação pública e a crescente mobilização dos estudantes pelos seus direitos, a tendência é radicalização do movimento estudantil e o enfraquecimento de organizações como a UNE.
