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Contra as hordas da extrema direita e a política latifundista do velho Estado brasileiro: Avança a resistência camponesa, indígena e quilombola em todo o país

Neste 09 de agosto de 2025, 30 anos da heroica resistência camponesa de Santa Elina, publicamos artigo presente na edição número 23 do Jornal Estudantes do Povo (JEP).

A situação no campo brasileiro é de guerra aberta do latifúndio e o velho Estado contra o campesinato pobre, povos indígenas e quilombolas. Apenas nos dois primeiros meses deste ano, foram assassinados camponeses em luta pela terra em Vitória do Xingu (PA) e em Boca do Acre (AC), realizados ataques brutais de pistoleiros e policiais contra os povos indígenas Avá-Guarani (PR) e os Guarani-Kaiowá (MS), despejos ilegais de centenas de famílias em acampamentos em Teresina (PI), no Vale do Jaguaribe (CE), além de uma série de ataques de vários tipos da pistolagem em muitas outras áreas, como é o caso das comunidades quilombolas de Cancelas, em São Benedito do Rio Preto (MA) e Quilombo do Varzeão, no Vale do Ribeira (PR), e das áreas camponesas Nova Esperança, em Nova Brasilândia (RO), engenho Barro Branco, em Jaqueira (PE), acampamento Vida Nova, no Vale do Jequitinhonha (MG) e muitas outras. Em todas elas, as massas resistem com diferentes níveis de organização e, invariavelmente, onde logra organizar-se com maior resistência e combatividade tem imposto derrotas para as hordas latifundiárias e arrancado vitórias valiosas.

Se por um lado, a repressão à luta pela terra não é novidade em nosso país, uma vez que o próprio velho Estado genocida foi fundado sob a égide do domínio latifundista do território, a serviço dos amos imperialistas e por meio do massacre à resistência dos povos originários, dos negros escravizados e de camponeses pobres, por outro lado temos visto nos últimos anos o aumento da violência reacionária mais descarada contra as massas que prosseguem essa luta histórica e heroica pela terra e seus territórios, verdadeira saga do povo brasileiro por conformarmos nossa nação.

Na região norte do país, onde mais avança a sanha exploradora dos latifundiários, grandes mineradoras e imperialistas pela extração voraz das riquezas naturais da região amazônica e pela expansão da produção monocultora do chamado “agronegócio”, cresce a grilagem descarada de terras públicas sob a chancela do sistema judiciário e dos governos de turno, a perseguição contra lideranças, ameaças e despejos de comunidades inteiras. Contudo, cresce também aí a resistência armada indígena, quilombola e camponesa, a qual desfechou importantes derrotas às investidas dos bandos paramilitares latifundiários, a exemplo do grupo de autodefesa armada indígena Guardiões da Floresta, no Maranhão, dos acampamentos Manoel Ribeiro, Tiago Capim dos Santos e outros organizados pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) em Rondônia, que resistiram ferozmente aos ataques criminosos dos bandos de pistoleiros e policiais dos últimos anos. As batalhas camponesas em defesa das terras no Norte e Sul de Rondônia em 2020 e 2021, confrontando as tentativas de despejo, ameaças e assassinatos de camponeses e lideranças, recolocaram a questão agrário-camponesa novamente no centro da cena política do país, chegando o então presidente ultrarreacionário Jair Bolsonaro a criminalizar diretamente a LCP em uma de suas lives presidenciais e evento com latifundiários. Com a elevação da resistência armada camponesa, o que impactou profundamente amplas massas em todo o país e no exterior, o latifúndio e a extrema direita estremeceram.

Assim, aproveitando-se de ofensiva política eleitoral da extrema-direita grupos latifundiários criaram o chamado movimento “Invasão Zero”, organização oficial de bandidos pistoleiros e latifundiários semelhante à famigerada UDR (“União democrática ruralista”, criada pelos latifundiários na década de 1980 para atacar camponeses em luta pela terra). Essa horda de fascistas latifundistas empreenderam em seguida uma ofensiva contra os camponeses, indígenas e quilombolas em diversos estados do país, tendo sido responsáveis pelo assassinato covarde da liderança indígena Nega Pataxó (em janeiro de 2024) e da líder quilombola Mãe Bernadete (em agosto de 2023), ambos na Bahia (estado governado pelo PT), dentre vários ataques a inúmeras comunidades camponesas em luta. Em 2023, no entanto, a Bahia também foi palco de uma grande resistência camponesa, dirigida pela LCP, no Acampamento Mãe Bernadete, o qual resistiu a inúmeros ataques da pistolagem e logrou avançar e realizar o Corte Popular das terras tomadas do latifúndio. Em 2024, os reacionários do IZ sofreram nova derrota, em resistência feroz empreendida pela comunidade posseira de Barro Branco, na zona da mata de Pernambuco, em confronto no qual o presidente estadual do IZ, José Antônio Fonseca de Mello, e outros comparsas seus foram baleados, numa resistência justa das massas contra o ataque de dezenas de latifundiários da região e pistoleiros em sua comunidade, que atacaram ateando fogo às plantações camponesas e atirando covardemente contra as massas. Em todos esses casos, é de praxe a atuação das forças policiais (tanto estaduais como a “Força Nacional”) como proteção e suporte às forças paramilitares do latifúndio, é o modus operandi da reação latifundiária e do velho Estado contra as massas em luta pela terra.

Enquanto essa guerra agrária agudiza no campo brasileiro, o governo oportunista da conciliação finge que não vê e permanece ao lado dos latifundiários, favorecendo a grilagem de terras no país (como recentemente fez ao entregar terras da União ao estado do Amapá, sem vincular com qualquer finalidade de destinação delas aos camponeses e povos indígenas, apenas entregando-as nas mãos dos latifundiários locais) e o latifúndio exportador, o qual continua a receber bilhões do governo em linhas de crédito e isenção fiscal, enquanto os preços de alimentos só sobem e os latifundiários podem continuar exportando à vontade pra se enricarem ainda mais às custas do sofrimento e miséria da nação. Em abril de 2024, o pelego-mor Luís Inácio cinicamente declarou que era possível resolver o problema agrário “sem muita briga”, e que faria uma “prateleira de terras” à disposição da tal reforma agrária. Ora, isso não passou de papo furado, descaramento cúmplice, pois o que realmente aconteceu neste período foi o aumento da concentração fundiária no país, aumento da grilagem de terras e as hordas fascistas do IZ andam às soltas, só sendo golpeadas graças as forças das massas organizadas de forma independente do velho Estado.

Todos esses exemplos nos mostram que o único caminho histórico e político das massas camponesas, indígenas e quilombolas no qual podem obter vitórias é o da resistência armada contra o latifúndio, as hordas da extrema-direita bolsonarista fascista e o velho Estado burguês-latifundiário, serviçal dos interesses imperialistas, principalmente dos EUA em nosso país. É a Revolução Agrária em curso, como primeira etapa de uma grande Revolução Democrática ininterrupta ao socialismo, para construir o Brasil Novo, livre da chaga do latifúndio explorador, da grande burguesia e do imperialismo.

Viva a Revolução Agrária!

Morte ao latifúndio e às hordas latifundiárias da extrema direita!

MEPR

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