SP: Poderoso evento em memória dos 30 anos da batalha de Santa Elina

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Reprodução A Nova Democracia.

Nos dias 22 e 23 de agosto o Sindicato dos Petroleiros foi palco de um poderoso evento em defesa da Revolução Agrária, celebrando a memória dos 30 anos da batalha de Santa Elina. O evento foi o ponto de encontro de apoiadores da luta agrária, jovens, intelectuais, estudantes, artistas, ativistas e lutadores do povo, consolidando uma aliança entre os camponeses e os operários petroleiros.

De forma solene, antes do início do evento todos os participantes se colocaram de pé e cantaram de maneira vibrante e uníssona o hino do proletariado A Internacional, exaltando o evento como mais uma das trincheiras de luta do proletariado internacional.

para 25 horas de intensas atividades, o evento se iniciou com uma mesa de abertura com representantes da diretoria do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, o presidente da Associação de Advogados do Povo – Gabriel Pimenta e o Comitê de Apoio ao Jornal A Nova Democracia da Baixada Santista.

A mesa de abertura saudou a iniciativa do evento, colocou para as massas as dificuldades e vitórias para que o evento fosse possível e com otimismo revolucionário iniciou o evento com chave de ouro com uma poderosa agitação em defesa da luta popular.

Em seguida foi realizada a mesa de apresentação histórica sobre a batalha de Santa Elina com participação dos sobreviventes da batalha, membros do Comitê em Defesa das Vítimas de Santa Elina (CODEVISE), participantes do Comitê em Apoio a Luta pela terra do Norte de Minas e a Sabrina Nepomuceno, superintendente regional do INCRA.

Nesta mesa os embates que culminaram na luta do dia 9 de agosto foram apresentados e os impactos da batalha na luta de classes do Brasil dentro do contexto da dita redemocratização e da Constituição de 1988.

Após a finalização da mesa o primeiro dia de trabalho foi finalizado e as delegações se dirigiram aos alojamentos disponibilizados pelo sindicato. Na manhã do dia seguinte as delegações despertaram realizando um exercício físico coletivo e os trabalhadores do sindicato disponibilizaram um farto café da manhã para o início do segundo dia de evento.

As delegações de camponeses do Norte de Minas elevaram o evento com uma feira de produção camponesa dos acampamentos de áreas revolucionárias, a delegação indígena do litoral paulista também realizou uma feira de artesanato do povo Guarani Mbya e o jornal A Nova Democracia disponibilizou durante o evento uma banquinha com livros, jornais e calendários além de camisetas personalizadas da marca Avante26.

O auditório do sindicato estava repleto de faixas em apoio a revolução agrária e bandeiras de movimentos democráticos e revolucionários, bandeiras de países do Oriente Médio que sofrem a agressão do estado sionista de israel também decoravam o espaço em solidariedade a luta contra o sionismo.

Faixas em defesa da Revolução Indiana e do Partido Comunista da Índia (Maoista) e da Liga Anti-Imperialista também estavam presentes, além das imagens dos heróis do povo brasileiro e em especial de sua liderança máxima do proletariado indiano, o camarada Basavaraj, tombado em combate em maio deste ano.

A primeira mesa do dia 23 com o tema “A luta pela terra hoje no Brasil” teve a presença de representantes do Comitê em Apoio a Luta pela Terra no Norte de Minas, representantes do Luta Popular pela Moradia e o presidente da ABRAPO. Ao final de cada intervenção a plateia se levantava puxando palavras de ordem em defesa da Revolução Agrária e da luta pela terra.

Assim o evento seguiu para a mesa em Homenagem a Heroica Resistência Nacional Palestina que contou com a ilustre presença do Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, um representante do sindicato Marreta, um membro do coletivo Bonde do Che que viajou a Palestina e um representante do comissão organizadora da Liga Anti-Imperialista em São Paulo. 

Uma denúncia contudente aos crimes de genocídio realizados por israel ao povo palestino tomou a mesa e o exemplo de heroicidade do povo palestino foi ressaltado como um exemplo a se seguir. 

Em seguida a próxima mesa Sobre as lutas camponesas na história do Brasil contou com a intervenção do diretor do jornal A Nova Democracia, onde o histórico da luta secular pela terra foi apresentado, seguindo da denúncia pelo CODEVISE aos recentes ataques a área Valdiro Chagas onde um camponês, Raimundo Nonato, conhecido como companheiro Caviar, foi brutalmente assassinado pelas forças policiais do BOPE de Rondônia. 

A criminalização da luta pela terra, encabeçada pelo coronel do exército Fernando Montenegro, foi rechaçada durante o evento e um documento comprovando a relação do comandante do BOPE de Rondônia, Regis Bragin, com o serviço de pistolagem do latifúndio em Rondônia foi apresentado, durante a intervenção de denúncia os camponeses do Comitê em Apoio a Luta pela Terra também se posicionaram colocando que os recentes ataques não poderão frear a luta pela revolução agrária. 

Com a participação de uma representante da ExNEPe a mesa também consagrou a importância da luta estudantil e da necessidade do conhecimento científico servir a luta popular no país. A liderança do povo Guarani Mbya do litoral paulista, Silvio, saudou o evento e destrinchou sobre a retomada do seu povo em uma área da região do litoral paulista.

O evento seguiu com a mesa contra a violência policial no Brasil, onde estiveram presentes a vereadora Débora Camilo, um representante da Luta Popular por Moradia, um representante do movimento “os 9 que perdemos”, a mãe do menino Denys Henrique, morto no massacre de Paraisópolis, Maria Cristina e o diretor do sindicato dos petroleiros Nicollini.

A mesa foi palco de denúncia aos crimes que a Polícia Militar (PM) tem cometido contra o povo brasileiro, bem como de denúncia a farsa apresentada pela PM sobre o caso de Paraisópolis, onde recentemente, o PM acusado de uso de material explosivo caseiro foi retirado do julgamento. 

Nicollini também denunciou os ataques que a polícia militar utilizou contra os Petroleiros na ocasião de sua mobilização pela greve da categoria e lembrou os 30 anos da histórica greve da Petrobrás em 1995, ocasião pela qual o exército brasileiro interveio na greve para reprimir os trabalhadores.

Encerrando de forma magistral as comissões responsáveis pela organização do evento saudaram o seminário definindo-o como histórico para o sindicato, bandeiras da Palestina tremulavam e palavras de ordem em defesa da luta pela terra selaram o fim dos debates.

No encerramento, uma homenagem foi prestada ao professor Ariovaldo Umbelino, geógrafo e grande defensor da luta camponesa no Brasil, que faleceu no dia 2 de agosto. Seu legado e compromisso com a causa da luta pela terra foram celebrados em sua homenagem.

Após a finalização dos debates, o evento foi encerrado com apresentações culturais populares, como primeira apresentação, foi realizado um belo coral de músicas populares, como “o risco que corre o pau corre o machado” e  “conquistar a terra”. O coral trazia consigo a bandeira da Liga dos Camponeses Pobres e um quadro do grande Cleomar Rodrigues, dirigente da Liga assassinado covardemente em outubro de 2014. 

Em seguida, uma empolgante roda de capoeira apresentada pelos membros da Casa de Capoeira Angola Novo Mundo, idealizada pelo Contra-Mestre Juarez Ferreira. Juarez chamou todos os participantes a comporem a roda para jogar, cantar e tocar junto às crianças da favela do Cingapura, localizada no Parque Novo Mundo. Durante o jogo, todos entoaram com os cantos corridos e uma cantiga inspirada no hino da liga dos camponeses pobres, ao som de berimbau, pandeiro, atabaque e sanfona.

Por último, o grupo realizou a apresentação do Bumba meu Boi do Novo Mundo.