PE: Manifestação em Solidariedade à Resistência Nacional Palestina Comemora Dois Anos da Operação Dilúvio de Al-Aqsa em Recife

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Reprodução A Nova Democracia

No dia 7 de outubro, manifestantes tomaram as ruas de Recife com um combativo protesto em solidariedade à Resistência Nacional Palestina, celebrando os dois anos da operação Dilúvio de Al-Aqsa e exigindo a libertação de todos os presos políticos da Flotilha Global Sumud. Após a manifestação, foi realizado um ato no Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco, onde foi demarcada a posição que apenas a resistência armada do povo palestino pode enfrentar o inimigo sionista.

O protesto iniciou às 18h na Praça Oswaldo Cruz, no Centro do Recife. Na concentração, ativistas relataram a dura vigilância da polícia, passando de tempos em tempos para contar quantas pessoas haviam no local, chegando a fazer também com um helicóptero da Secretária de Defesa Social (SDS). Os ativistas também relataram que toda a rua onde se localiza o Consulado Geral dos EUA estava ocupada pela PM.

Durante a marcha, os manifestantes levantaram uma faixa assinada pela Liga Anti-Imperialista (LAI), onde podia-se ler “Palestina resiste, Palestina triunfará!” enquanto gritavam palavras de ordem como Povo palestino, nenhum passo atrás! Viva a luta armada, todo apoio ao Hamas!, E viva as bombas e as malvinas da Heroica Resistência Palestina! e Juventude combatente palestina, sua luta continua na América Latina!. Ao chegar próximo à rua do consulado, ativistas queimaram as bandeiras do imperialismo ianque e da entidade sionista, ao som de Ianques, go home! e Fora de Gaza, Israel Nazista! Fora ianques da América Latina!

O protesto marchou pela Av. Conde da Boa Vista rumo à sede do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco (SINTTEL), onde ocorreu um evento convocado pela Articulação Norte-Nordeste Palestina Livre em comemoração aos dois anos da operação Dilúvio de Al-Aqsa.

Evento comemora a operação Dilúvio de Al-Aqsa

O evento se iniciou por volta das 20h30 na sede do SINTTEL, repleta de bandeiras das organizações da Resistência Nacional Palestina e um estandarte escrito “Honra e glória eternas ao companheiro Sinwar! Viva a Heroica Resistência Nacional Palestina!”, assinado pela LAI, em homenagem ao comandante em chefe do Hamas, Yahya Sinwar, tombado no fronte de guerra em outubro de 2024; e outro escrito “Honra e glórias eternas ao Camarada Basavaraj! Viva a Guerra Popular!”, em homenagem ao Camarada Basavaraj, nome de guerra do líder comunista Nambala Keshava Rao, secretário-geral do Partido Comunista da Índia (Maoista), também tombado em combate numa confrontação contra a reação indiana em maio de 2025.

No primeiro momento do evento, os presentes deram suas saudações. Um ativista do Coletivo Mangue Vermelho afirmou que “A grandiosa operação Dilúvio de Al-Aqsa foi um marco não apenas na luta dos palestinos, mas na luta de todos os povos oprimidos do mundo. […] O Hamas e a juventude combatente palestina é um grande exemplo para todos os lutadores e povos oprimidos do mundo e eles evidenciaram que a contradição principal hoje não é a interimperialista, é entre imperialismo e nações e povos oprimidos do mundo.”. O ativista ressaltou que a operação Dilúvio de Al-Aqsa demarca que vivemos num período em que o imperialismo será varrido da face da terra.

Já na mesa principal, um representante da LAI explicou sobre a fundação da Liga em 2024 por diversas organizações anti-imperialistas “como centro de unificação das lutas anti-imperialistas sob hegemonia do proletariado.”. O representante também ressaltou o momento histórico de enxotamento do imperialismo do mundo e saudou a operação Dilúvio de Al-Aqsa como ofensiva tática do Hamas e das outras organizações da Resistência Nacional Palestina, afirmando que apenas de armas nas mãos pode haver libertação para o povo palestino, conclamando a todas as organizações a não abandonarem as armas, apesar das propostas de Trump

Em sua fala, o representante da LAI também saudou as guerras populares dirigidas por Partidos Comunistas Maoistas na Índia, Filipinas, Turquia e Peru, colocando a necessidade de unificar as guerras de libertação nacional a essas guerras populares. “O Hamas mostra  ao povo brasileiro que são irmãos de armas, porque aqui também os camponeses pobres resistem de armas nas mãos contra os ataques do latifúndio, pedra angular do imperialismo ianque em nossa nação, reforçando a onipotência da sua autodefesa na luta pelo território, como também faz povo palestino em Gaza contra a ocupação nazissionista. […] Em 28 de setembro de 2024, houve uma incursão do Movimento Invasão Zero numa área da Liga dos Camponeses Pobres, onde eles chegaram com 50 pistoleiros armados para destruir as roças e casas do povo e enfrentaram uma Feroz Resistência do povo organizado em Barro Branco e sua autodefesa”, afirmou o representante da LAI. Após a fala, o auditório estremeceu, com os gritos de O povo prepara sua rebelião! Se abre um novo tempo para a revolução! levantados pela plateia. 

O presidente do Centro Islâmico do Recife (CIR), Ahmed Roberto Silva saudou aos ativistas embarcados na Flotilha Global Sumud que foram sequestrados pela entidade nazissionista, especialmente Mansur Peixoto, pernambucano que conheceu a luta anti-imperialista junto ao CIR. Ahmed Roberto ressaltou a necessidade de continuidade da luta palestina e da solidariedade internacional para com ela, num momento em que os monopólios de imprensa distorcem os feitos naquelas trincheiras. 

O articulador social e político do Centro Cultural Islâmico Imam Sadeq, Eduardo Santana, afirmou que apesar de toda difamação da mídia burguesa, os democratas e progressistas “continuam firmes em prol da luta palestina, cada vez mais fortes e cada vez mais aguerridos”. Afirmou também que “principalmente desde a 1ª Intifada, 1987 em diante, foram feitos vários movimentos em torno de acordos, até porque o imperialismo tem medo quando o povo está unido, quando vê os jovens e o movimento estudantil unido. […] E nenhum capítulo do acordo foi respeitado pela gangue sionista, pelo grande satã (EUA) e por seus aliados.”. Eduardo Santana também denunciou o monopólio de imprensa e sua difamação à Resistência Nacional Palestina e afirmou que o imperialismo ianque só pode ser derrotado pelos povos livres em armas.

Um representante do Comitê de Solidariedade à Palestina de Pernambuco reiterou que “nós estamos aqui para defender uma ação da Resistência Palestina, desencadeada em 7 de outubro de 2023. Uma ação legitima de defesa do povo palestino. Esse evento tem esse espírito de defesa do povo palestino, mas não é um espírito de defesa pautado por um humanismo ou pacifismo burguês, mas uma defesa consequente e revolucionária de uma ação armada do povo palestino.” e conclamou a construir um forte movimento anti-imperialista em todas as capitais do nordeste.