Reprodução A Nova Democracia.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), junto aos Centros Acadêmicos de Química, Letras-Inglês e à Executiva Rondoniense de Estudantes de Pedagogia (ExROEPe), realizaram uma manifestação no dia 1° de outubro, em frente à sede administrativa da universidade localizada fora do campus José Ribeiro Filho.
A manifestação ocorreu enquanto a reitora Marília Pimentel concedia uma coletiva de imprensa, onde, mais uma vez, buscou minimizar e distorcer os fatos diante da imprensa local. Do lado de fora, os estudantes ergueram faixas, como: “Reitoria negligente = estudantes doentes” e “Coffee break para a reitoria, gato morto para os estudantes.” junto com palavras de ordem.
Foram duas horas de protestos intensos, com pendura de faixas, denúncias públicas, apoio popular e entrevistas concedidas à imprensa local. Em frente às câmeras, os estudantes expuseram o lado silenciado da história: relataram o adoecimento de colegas, a falta de humanidade da administração e as tentativas de intimidação e perseguição contra quem ousa se manifestar. “A reitoria tenta calar a gente, mas foi a gente que descobriu o que eles esconderam. Se dependesse deles, estaríamos bebendo a mesma água contaminada até hoje”, relatou uma das estudantes durante uma entrevista para a imprensa local.
Em uma conversa fora das câmeras com uma das emissoras locais, os repórteres relataram que a reitora Marília Pimentel voltou a negar o óbvio. Disse que “não há como confirmar” que os estudantes adoeceram por causa da água contaminada da UNIR — mesmo com dezenas de diagnósticos de E. coli e datas que coincidem exatamente com o período da contaminação. A reitora também negou a existência do gato morto dentro da caixa d’água. Enquanto tenta apagar a verdade, Marília Pimentel trata a dor coletiva como boato, e transforma um escândalo sanitário em uma tentativa desesperada de proteger sua própria imagem.
Poucos minutos após o fim da manifestação estudantil, a Polícia Militar de Rondônia apareceu na UNIR Centro — não para garantir segurança, mas para silenciar a indignação. Os policiais arrancaram os cartazes colados pelos estudantes, um entrou no prédio da universidade, enquanto outro ficou à paisana, circulando e procurando manifestantes. Um dos policiais, que saiu da viatura empunhando um fuzil, ficou à espreita, observando e tentando identificar estudantes, numa clara tentativa de intimidação política. Depois de alguns minutos, foram embora levando os cartazes consigo.
Essa cena — de um policial fortemente armado arrancando cartazes com conteúdo crítico à gestão acadêmica — escancara a aliança entre a Reitoria e o aparato repressivo do velho Estado. É a prova viva da perseguição que os estudantes da UNIR vêm sofrendo por ousarem denunciar a negligência e a mentira. A Polícia Militar de Rondônia, subordinada ao governador Marcos Rocha (União Brasil), age como braço armado do autoritarismo universitário, criminalizando a mobilização estudantil e transformando protesto em alvo.
Dias antes, o próprio Diretório Central dos Estudantes (DCE) já havia denunciado no Instagram a presença de policiais arrancando faixas e cartazes dentro do campus — uma rotina de repressão que tenta calar o que a Reitoria teme mais: a verdade dita em voz alta.
No dia 2 de outubro, um dia após a manifestação estudantil em frente à UNIR Centro, a Reitoria convocou uma reunião com o corpo discente. A divulgação da reunião não foi pública — um encontro praticamente às escondidas.
Estavam presentes a reitora Marília Pimentel, o pró-reitor Daniel Delani e outros representantes da gestão. A reitora concedeu apenas uma hora para ouvir os estudantes — e, mesmo com o atraso no início, o tempo foi rigidamente mantido.
A reunião foi mais do mesmo: negação, cinismo e desrespeito. Marília Pimentel voltou a negar a existência do gato morto e minimizou o adoecimento de dezenas de estudantes, transferindo a responsabilidade para gestões passadas. Disse que agora mandou instalar dosadores nas caixas d’água e QR Codes nos bebedouros com a data da última limpeza — medidas tardias e cosméticas, incapazes de apagar a negligência que trouxe o problema até aqui. Quando questionados, nenhum dos membros da mesa soube responder quando foi realizada a última análise de pureza da água.
A reitora ainda afirmou que o problema “pode ser de muitos anos atrás”, tentando diluir sua responsabilidade em um passado conveniente. Em um momento de absoluto deboche, Marília chegou a dizer: “Eu posso ter tido dor de barriga por causa da água na época em que eu estudava lá e nem sabia.” um retrato da falta de preparo, empatia e humanidade de uma gestão que trata uma crise sanitária como piada.
Questionada sobre quem irá ressarcir os estudantes que tiveram de gastar centenas de reais com medicamentos e exames, respondeu friamente: “Vamos investigar.”
Quando um estudante cobrou que a reitoria assumisse publicamente os casos de contaminação e o gato morto na caixa d’água, a resposta foi: “Não tem o que assumir. Não podemos provar que os alunos adoeceram por causa da água da UNIR. E sobre o gato encontrado, não sei de nada. Não chegou nenhuma informação de que foi encontrado um gato morto dentro da caixa d’água.”
A gestão de Marília Pimentel não demonstrou nenhum interesse em ajudar os estudantes adoecidos, nem em enfrentar o problema sanitário. A única preocupação visível da reitora foi controlar os danos à sua imagem pessoal e blindar o nome da UNIR de um escândalo que já está escancarado diante de todos. Enquanto estudantes enfrentam dores, febres e contas médicas, a reitoria se esconde atrás de frases burocráticas e desculpas.
Marília Pimentel chamou a contaminação de “um problema histórico”, mas, na prática, o que faz é repetir o histórico de descaso com a comunidade que ela deveria proteger.
Os estudantes saíram da reunião sem nenhuma resposta concreta, apenas com a certeza que estão enfrentando uma gestão omissa, mentirosa e autoritária.
A participação da reitoria na repressão ao movimento estudantil não é uma excessão reservada apenas ao estado de Rondônia. No Rio Grande do Sul, ativistas e estudantes foram perseguidos após protestarem contra um evento em apoio à COP-30, sendo entregues à polícia por agentes da reitoria. Na ocasião, os estudantes denunciaram que o evento não era mais do que um meio de embelezar as ações nefastas de grandes mineradoras, e madereiras imperialistas, enquanto amenizam os impactos do latifúndio ao meio natural.
A perseguição das reitorias ao movimento estudantil parece crescer conforme este perde suas ilusões com o oportunismo eleitoreiro e se organiza sob os princípios de independência, classismo e combatividade. Dando combate à reacionarização das universidades, estudantes estão elevando a tática da greve de ocupação, a exemplo dos estudantes da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), em Laranjeiras do Sul, Paraná, que no final de agosto responderam prontamente ao fim do Restaurante Universitário com a ocupação do Bloco A, conquistando medidas emergenciais.
Em abril, foi a vez dos estudantes da Universidade Estadual de Pernambuco (UEPE) ocuparem a reitoria contra o sucateamento do Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Assim como na UNIR, os estudantes enfrentaram problemas com água potável.
Há pouco mais de um ano, os estudantes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), demonstraram a superioridade da organização independente na luta por permanência estudantil e sustentaram a ocupação da reitoria por quase dois meses ininterruptos. Para combater a ocupação, a reitoria chegou a ordenar o corte do abastecimento de luz e água às vésperas da criminosa reintegração de posse.
Desafiando as hordas da Polícia Militar daquele estado – acostumadas a massacrar o povo pobre e preto nas favelas – enviadas a mando da reitoria Gulnar Azevedo, os estudantes deram combate e saíram vitoriosos, escancarando para todo o País os vínculos da reitoria oportunista à repressão policial. Na ocasião, nenhum estudante foi preso e um policial ficou sem dedo, após falhar no manuseio de uma granada, que seria utilizada para atacar os manifestantes.
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