SP: Evento unificado contra o genocídio do povo brasileiro é realizado na USP

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Reprodução A Nova Democracia.

No dia 22 de outubro, às 18h, teve início o Evento Unificado de lançamento da Campanha de Resistência “PAREM O GENOCÍDIO CONTRA O POVO POBRE DO BRASIL!” na Faculdade de Direito da USP Largo São Francisco.

Nele se reuniram diversas forças independentes e populares para impulsionar a organização do povo e dos movimentos em torno do fim da violência policial, que cada vez mais escala a patamares sem precedentes, somando chacinas, torturas, desaparecimentos, encarceramento em massa e outras mazelas características do genocídio promovido pelo velho Estado brasileiro contra o povo.

O evento foi realizado no formato de plenária e contou com a participação do SAJU cidade, da Luta Popular pela Moradia (LPM), do Comitê de Apoio ao AND de SP, do coletivo Craco Resiste, da Associação Brasileira de Advogados do Povo Gabriel Pimenta (ABRAPO), da Liga Anti-Imperialista Internacional (LAI), do Movimento Mães de Manguinhos e de representantes da categoria dos trabalhadores ambulantes.

Alerrandra, irmã de Paulo Roberto e representante da Mãe de Manguinhos. Foto: Banco de Dados AND.

Participaram ainda, com intervenções marcantes sobre a luta de suas famílias, parentes de jovens vítimas da violência reacionária do Estado, como foram as familiares do jovem Kauê Araújo, injustamente encarcerado e agredido pela PM na Zona Norte de São Paulo; e o Dr. Júlio, pai do jovem Marco Aurélio, estudante de medicina assassinado brutalmente pela PM no ano passado na Zona Sul de São Paulo.

Carol Araújo, mãe de Kauê Araújo, e avó de Kauê. Foto: Banco de Dados do AND.
Dr. Júlio Navarro, pai de Marco Aurélio. Foto: Banco de Dados do AND.

Antes de serem iniciada as falas, o presidente da ABRAPO, Felipe Nicolau, fez menções honrosas aos importantes movimentos de resistência Mães de Maio, Mães de Osasco e Barueri e Vozes das Periferias de Bauru que, embora não tenham podido participar do evento por diversos motivos, apoiaram sua preparação e divulgação.

O evento contou com grande participação de estudantes da Faculdade de Direito e reuniu dezenas de pessoas, entre estudantes, trabalhadores e vítimas do Estado genocida.

Nas intervenções de representantes da categoria dos trabalhadores ambulantes, foi feita contundente denúncia contra a atual ‘Operação Delegado’ aplicada na capital paulista, que paga salário para policiais militares e guardas civis em dias de folga reprimirem brutalmente a população em situação de rua, e principalmente os trabalhadores ambulantes. No próximo ano, a continuação da operação terá um orçamento superior a 500 milhões de reais só para a capital paulista.

Representante da LPM e dos trabalhadores Camelôs. Foto: Banco de Dados do AND.

O coletivo Craco Resiste denunciou também os desaparecimentos, torturas e assassinatos realizados contra a população em situação de rua no centro de São Paulo, na região conhecida como ‘Cracolândia’, pela Polícia Militar (PM) e principalmente pela Guarda Civil Municipal (GCM) metropolitana e seus efetivo de ‘Operações Especiais”, a IOPE; havendo inclusive relatos de agressões graves e torturas contra mulheres grávidas, pessoas idosas e em situação de grave vulnerabilidade, sob a justificativa farsesca de “guerra às drogas”.

O SAJU cidade e a LPM, organizadores do evento, chamaram atenção para o caráter geral do genocídio contra o povo pobre do Brasil, não se restringindo a São Paulo (SP) ou à população urbana, mas que se estende por todo o território nacional e é perpetrado, apoiado e financiado por todas as forças políticas oficiais do Estado, desde a extrema direita como é nos casos dos governos estaduais de SP, Rio de Janeiro (RJ), Paraná (PR) e Rondônia (RO), até a falsa esquerda, como nos casos dos governos do Maranhão (que lidera nacionalmente no número de conflitos agrários) e da Bahia, governada pelo PT há vários mandatos consecutivos.

Exemplo de brutalidade policial, a Bahia atualmente lidera no número absoluto de mortes causadas pelas forças policiais (com um número superior ao total de mortes causadas pela polícia no USA), e fica em segundo lugar no número percentual de mortes causadas pela polícia em relação ao tamanho da população, ficando atrás somente do Amapá.

Foram denunciadas ainda as operações genocidas promovidas pela PM no litoral paulista, em especial na Baixada Santista, nomeadas ‘Operação Escudo’ e ‘Operação Verão’, e as sucessivas execuções sumárias promovidas pelo Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) contra jovens adultos e adolescentes no interior paulista, em especial no município de Bauru.

O representante do Comitê de Apoio ao AND em SP, em sua fala, lançou luz sobre os últimos desdobramentos da luta pela terra que se desenvolve no interior do Brasil, condenando a tentativa reacionária de criminalizar a luta empreendida pelas organizações camponesas independentes, em especial a Liga dos Camponeses Pobres (LCP) e conclamou a todos os presentes elevarem a solidariedade à Revolução Agrária em curso no país.

Ao final das intervenções, foi feita a leitura do manifesto da Campanha de Resistência PAREM O GENOCÍDIO CONTRA O POVO POBRE DO BRASIL! (disponível abaixo) que, por fim, foi aplaudido de pé por todos os presentes.

No decorrer da leitura do manifesto da campanha, ficou evidente a relação do genocídio contra o povo pobre do Brasil, na sua atual configuração, com as relações sórdidas do Estado brasileiro com a entidade nazisionista de “Israel” e com o USA, que lucram com o genocídio contra o nosso povo através de venda de armas e se imiscuem em nossa política interna através da chamada chamada política de “segurança pública”.

Ao fim do manifesto, é feita a convocação para que sejam conformados nas mais variadas cidades e estados do Brasil ‘Comitês de Resistência ao Genocídio’ (CRG’s), unificando a luta dos familiares de vítimas do genocídio do Estado com a luta dos estudantes, a luta pela moradia e das mais variadas massas populares que sofrem nas mãos sangrentas das tropas fardadas ou não do velho Estado, ou que atuam sob seu comando indireto no forma de tropas paramilitares – compostas, em sua maioria por policiais a paisana ou ex-policiais.

A Sala dos Estudantes, local onde foi realizado o evento, estava ornamentada com uma faixa exigindo justiça por Ngagne Mbaye – ambulantes senegalês assassinado pela PM no bairro do Brás em SP esse ano –, assinada pela Unidade Vermela – Liga da Juventude Revolucionária (UV – LJR); uma exigindo o Fim das Chacinas nas Favelas do Rio e do Brasil, assinada pela LPM, e um painel com fotos de diversas vítimas do genocídio, lembrando seus nomes e rostos para que jamais sejam esquecidos.

O Comitê de Apoio ao AND em São Paulo esteve presente com uma banca no evento vendendo jornais, livros e calendários e teve uma ótima recepção por parte dos estudantes e trabalhadores participantes.

Em anexo, segue o Manifesto PAREM O GENOCÍDIO CONTRA O POVO POBRE DO BRASIL!

Acesse as redes sociais do movimento: @parem_o_genocidio_contra_opovo

Assine o manifesto da campanha em: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSezTULTI-6ZsbhZ3YxwLxlQdpaS_HyUOTWWR4nckVSat067Fg/viewform?usp=header

Download do manifesto: MANIFESTO – ‘Parem o genocídio!’