PB: Estudantes da UFPB protestam contra práticas oportunistas da UNE na direção do DCE

Reprodução A Nova Democracia.

Estudantes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) protestaram, no dia 12 de novembro, contra práticas oportunistas da União Nacional dos Estudantes (UNE) na direção do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que o faz através da chapa Renova DCE. As irregularidades incluem desde prestações de contas suspeitas, que indicam uma possível fraude envolvendo milhares de reais, até manobras para esvaziar e aparelhar o conselho representativo dos centros e diretórios acadêmicos.

A mobilização ocorreu no campus I da UFPB e começou por volta das 13 horas, quando os estudantes iniciaram a distribuição de 400 panfletos no Centro de Educação (CE) e no Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), fazendo agitações em megafone e entoando palavras de ordem contra o oportunismo no movimento estudantil, como Abaixo a UNE! Oportunista! Oficial, pelega e reformista! e Vamos esmagar! Vamos esmagar! O oportunismo no Brasil! Não vai sobrar! Não vai sobrar! Nenhum pelego pra contar!. Em seguida, os estudantes seguiram para a Central de Aulas e realizaram passagens em sala para chamar ao rompimento com a UNE.

O apoio dos demais estudantes que estavam no campus ao protesto foi imediato, com os presentes indo ao bloco constantemente para procurar saber mais informações, prestar apoio e repudiar o Renova DCE e a UNE. Além disso, os alunos que estavam em aula, ao ouvirem as agitações em sala, também acenaram em apoio. Por outro lado, a burocracia universitária tratou, sem sucesso, de intimidar os estudantes, enviando seguranças para gravar rostos de ativistas, mas não conseguiu alterar em nada a manifestação.

O Comitê de Apoio também registrou a presença de cartazes por todo o campus com as palavras Destruir o velho, e construir o novo movimento estudantil!, incluindo na área externa e na porta do prédio do DCE.

Oportunistas tentam fraudar Coebe

Os fatos rechaçados pelos estudantes ocorreram nas últimas reuniões do Conselho de Entidades de Base Estadual (Coebe), uma instância representativa de centros e diretórios acadêmicos. A prestação de contas apresentada pelo Renova DCE, que já foi feita atrasada em meses em relação ao que determina o próprio estatuto do Diretório, apresentou repasses de R$ 10 mil provenientes de carteirinhas de estudante sem qualquer documentação além do primeiro nome do destinatário, com acusações de que uma mesma pessoa assinou de três formas diferentes. Questionado pelos estudantes, o diretor da UNE chegou ao cúmulo de falar que poderia ter colocado os comprovantes, mas não colocou porque não quis, e continuou se recusando a apresentá-los, gerando uma grande repercussão e revolta na universidade.

O panfleto distribuído no dia 12, assinado pelo Coletivo Aurora Democrática, afirma: “Depois de 10 meses sem realizar nenhum Coebe e, em consequência, sem fazer a prestação de contas trimestral, ferindo o próprio estatuto do DCE, a camarilha do Renova DCE finalmente apresentou a sua prestação de contas no dia 2 de outubro. Esta, como não poderia deixar de ser, veio cheia de irregularidades. São as principais: os recibos referentes a produção das carteirinhas de estudante não tinham uma identificação correta, contendo apenas o primeiro nome da pessoa que recebeu e, aparentemente, uma mesma pessoa assinou de três formas diferentes; o repasse de R$ 80 mil para a empresa de insumo das carteirinhas cujo o único comprovante são os atestados de recebimento, sem especificar o que foi recebido e o valor unitário. Tudo isso pode significar que houve algum desvio de verbas dos estudantes”.

Para além dos problemas em torno da prestação de contas, a realização das reuniões durante outubro e novembro foram marcadas por intrigas e falcatruas, que fizeram com que o encontro do dia 16 de outubro, que foi subitamente modificado de formato presencial para online, não tivesse uma única pauta concluída e fosse encerrado abruptamente. Segundo os ativistas, isso se configura como uma tentativa clara de desmobilização.

A própria questão da realização da reunião de forma online e durante o recesso foi levantada no panfleto: “Não nos surpreende o mesmo [Coebe do dia 16] ser feito no formato online. Já é prática corriqueira desses, do velho movimento estudantil, tentar ‘mobilizar’ de forma virtual. Um conselho de base como é o Coebe deveria ser não só amplamente divulgado, já que todos os estudantes devem participar, como também deveria ser feito fora do recesso estudantil, e convocado com amplas passagens em sala, para sua realização presencial”.

Falcatruas são o modus operandi da UNE

O panfleto destaca que essas práticas oportunistas não são isoladas e constituem o padrão da UNE em todo o país, além de convocar ao rompimento com a UNE e com todo o velho movimento estudantil, para construir um novo movimento estudantil, independente, classista e combativo.

“Os recentes acontecimentos nos últimos Coebe’s demonstram o caráter das supostas representações estudantis e, em verdade, nos mostram a verdadeira face deste velho movimento estudantil e sua representação máxima, a UNE, coisa que denunciamos desde a campanha de boicote ao Conune 2025, na UFPB, pois não podemos esquecer, a atual diretoria da UNE tem suas garras no DCE.

Neste sentido, mais do que criticar as práticas oportunistas do Renova, convocamos a todos os estudantes a romperem com as organizações desse velho movimento estudantil, em particular com sua representação máxima, a UNE, e se unir à crescente onda do novo movimento estudantil, de caráter independente, classista e combativo.”, conclui o panfleto.

MEPR

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