PB: Estudantes da UFPB levantam vitoriosa barricada contra ‘natal com fome’ da Prape

Reprodução A Nova Democracia.

Estudantes residentes da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) protestaram entre os dias 8 e 11 de dezembro contra uma resolução da Pró-Reitoria de Assistência e Promoção ao Estudante (Prape) que atacava a permanência dos residentes durante o período de férias no que ficou conhecido como “natal com fome”. Os estudantes ergueram uma barricada na via que passa em frente as residências universitárias com entulhos e lixos que a própria reitoria deixou acumular no local das moradias, entre geladeiras, armários de ferro, máquinas de lavar e outros objetos.

Os residentes iniciaram o protesto após a reitoria anunciar o fechamento do Restaurante Universitário (RU) alegando uma reforma no teto da cozinha durante o período de férias, entre os dias 17/12 deste ano e 30/01 do ano que vêm. Os estudantes receberiam uma indenização com condições absurdas que deixariam, se não fosse o protesto, centenas de residentes sem dinheiro para se alimentar.

Trata-se de uma resolução da Prape que estabeleceu que o valor da indenização seria pago com base no registro de refeições no RU entre os  dias 03/11 e 02/12, sem fixar um piso mínimo e avisando os estudantes desse cálculo apenas na última semana de novembro. Ou seja, se alguém, por algum motivo, não acessou o RU com frequência em novembro, não receberia nada ou apenas muito pouco em dezembro e janeiro.

Outro ponto é que também foi exigido para receber o valor que os residentes tivessem preenchido um questionário no Google Forms que ficou disponível até o dia 27/11, sem o devido prazo e divulgação do formulário, deixando centenas de estudantes sem indenização, conforme relatou um residente ao AND que preferiu não se identificar.

Com a combativa manifestação, os residentes obrigaram a reitoria a estabelecer um piso mínimo para a indenização no valor de R$ 540 em janeiro. O registro de refeições será utilizado para um valor diferencial com teto de R$ 899. Além disso, os estudantes conseguiram que a reitoria classificasse o pagamento como urgente e disponibilizasse para consulta os valores individuais que cada residente receberia, informação básica que não havia sido disponibilizada até então.

Em entrevista ao AND, um residente classificou as conquistas como uma vitória, porém destacou seu caráter parcial e frisou que a luta continua, principalmente porque a reitoria ainda mantém o preenchimento do formulário que ficou disponível até o dia 27 como uma cláusula para o recebimento da indenização, o que deixará, segundo o residente, 200 estudantes sem receber nada. Um ataque descarado à permanência universitária.

O residente destacou ainda que a luta dos estudantes nas moradias não é de hoje e suas reivindicações são amplas. Atos massivos ocorreram desde setembro deste ano e chegaram a mobilizar um quarto dos residentes.

O estudante também denunciou na entrevista a ação do oportunismo no movimento estudantil, principalmente através da coordenação das residências. A coordenação dirigida pelo oportunismo se colocou contra os estudantes e a barricada erguida por eles, taxando o movimento como “radical demais”, buscando frear a luta combativa, mas não obtendo sucesso. A coordenação tentou fazer reuniões à portas fechadas com a reitoria, o que foi duramente rechaçado e rejeitado pelos estudantes em uma assembleia.

Por fim, outro ponto denunciado foi o atraso no pagamento dos R$ 400 referente ao mês de dezembro a que os residentes têm direito mensalmente no auxílio da residência universitária. O valor vem sendo pago no quinto dia útil do mês, mas em dezembro foi pago no sexto dia útil, uma diferença que foi significativa devido ao feriadão ocorrido entre os dias 06/12 e 08/12. Com isso, diversos estudantes relataram dificuldades financeiras neste período.

Reforma na cozinha?

Apesar da reitoria alegar que o fechamento temporário do RU seja por causa de uma reforma no teto da cozinha, o contrato com a última operadora do restaurante, a ISM Gomes de Mattos LTDA, terminou no dia 16/12 e ainda não foi aberta uma nova licitação. Além disso, a reitoria ainda não disponibilizou informações sobre se estenderá o contrato, que é prorrogável por até 24 meses. 

Com isso, é possível que a alegada reforma seja uma manobra para postergar a abertura de uma nova licitação ou mesmo para preparar os trâmites burocráticos para o prorrogamento do contrato com a ISM, empresa denunciada pelos estudantes pela sua péssima qualidade que já resultou em uma intoxicação massiva e constantes relatos de estudantes passando mal após se alimentarem no RU.

A reitoria sempre esteve em conluio com a ISM e aprovou um aumento absurdo no preço da tarifa para R$ 17,33 em agosto, e ainda não aplicou qualquer punição nos casos de intoxicação. Estes fatos foram extensamente denunciados por estudantes em agitações ao longo do segundo semestre deste ano.

MEPR

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