No último dia 14, os estudantes do campus Butantã, Leste e Ribeirão Preto da USP realizaram combativas paralisações com greves de ocupação após intensas mobilizações contra os mais recentes ataques à universidade. Desde já, saudamos a decisão combativa dos estudantes, que mais uma vez se levantam e seguem as melhores tradições do movimento estudantil revolucionário e combativo em nosso país! Isso representa um momento bastante fortuito para que os estudantes defendam e conquistem seus direitos negados e elevem sua politização. A decisão por ocupar os campus na data estabelecida para a paralisação é contraste direto à greve de pijamas dos oportunistas, pois não queremos que a universidade pare de funcionar, mas que sirva aos estudantes plenamente. Devemos elevar a combatividade dessas ocupações para arrancar da burocracia universitária e desse velho Estado o que é nosso por direito!
O estopim da revolta se deu após o lançamento de uma bizarra minuta nomeada de “termo de permissão de uso” por uma comissão interna da burocracia universitária, que remove a autonomia das entidades estudantis sobre seus espaços. A minuta estabelece que as entidades devem apresentar relatório de uso dos ambientes, pagar pelas contas de água e luz (que já são pagas nos impostos), pedir autorização para fazer mudanças estruturais, entre outras medidas burocráticas, sob pena de desocupação imediata no caso de não-cumprimento da medida.
Algo a se esclarecer é que as entidades estudantis servem a organizar os estudantes de um curso, de um prédio ou de toda a universidade na luta pelos seus direitos. Todo mundo sabe a diferença de um curso com entidade representativa e sem. O contraste é absoluto: com o CA, podemos reivindicar questões básicas do curso, enfrentar injustiças da burocracia e de professores reacionários, generalizar a discussão política e organizar eventos. Sem o CA, tudo isso fica mais difícil. Ademais, o posicionamento das entidades frente a situação política tem grande peso na opinião pública, representando parte da posição das camadas progressistas e forças democráticas na sociedade.
Tal minuta, se aprovada, representará o maior ataque à democracia universitária desde o AI-5, quando as entidades estudantis foram proibidas pelo velho Estado de se organizar. Isso não se deu por acaso, pois os milicos sabiam que a universidade sempre foi palco de grandes batalhas que elevam a forja e a consciência política dos estudantes, bem como espaços de disputa da opinião pública. Para resistir, as reuniões dessas entidades ocorriam muitas vezes na clandestinidade, exigindo do movimento estudantil decisão por defender suas entidades com a própria vida e uma grande capacidade de organização para atuar frente a vigilância estreita de seus inimigos. Em meio ao fortalecimento da extrema-direita e seus grupos paramilitares, a USP parece querer reeditar esses bárbaros momentos, quando os espaços das entidades estudantis foram incendiados e destruídos e os estudantes proibidos de se reunir para discutir até mesmo as questões mais básicas de seus cursos. Jamais aceitaremos! O direito à liberdade de organização foi conquistado com muito suor e sangue pelo movimento estudantil e deve ser defendido com unhas e dentes!
Além do fim da minuta, outras pautas importantíssimas estão sob a mesa, como a troca imediata do serviço do fornecimento de alimentação dos Restaurantes Universitários. Não é de hoje que os estudantes têm encontrado larvas, vermes, pedras e outras coisas mais na comida que é servida em todos os campus e, mesmo após sucessivas reclamações, nada é feito pela burocracia universitária. O incômodo com essas desagradáveis surpresas na comida não é algo qualquer, pois elas podem causar problemas muito sérios de saúde, inclusive doenças graves. Não há contrato burocrático que justifique algo que faz os estudantes correrem risco de vida! A USP deve resolver esse problema imediatamente!
Há ainda a exigência de que a universidade forneça transporte para atividades estudantis externas, algo sempre bastante burocrático e muitas vezes negado aos estudantes. Nesse ano, ocorre uma grande mobilização em todos os campus para a ida ao 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe) e a reitoria assinou documento em janeiro garantindo que forneceriam dois ônibus para a ida. Logo em seguida, passou a colocar diversos obstáculos à participação estudantil. O 43º ENEPe terá como tema “A agressão imperialista ianque na América Latina e a intervenção do Banco Mundial na educação brasileira: o papel da pedagogia, licenciaturas, estudantes e professores na luta em defesa do ensino público, gratuito e científico” e representará um importante impulso à organização dos estudantes na luta anti-imperialista e na defesa de seus direitos. Não há dúvidas de que um evento como esse tem papel fundamental para garantir a defesa das próprias universidades que os burocratas fazem parte.
Muitas outras questões estão sendo levantadas, pautas específicas de cursos, garantia de espaços democráticos e de convívio prometidos há muito tempo e etc. Devemos seguir firmes com as greves de ocupação pois só assim conquistaremos vitórias!
Estudantes enfrentam e triunfam frente a conluio entre a reação e os oportunistas
Um fenômeno comum tem ocorrido em meio às ocupações da USP: assim que os estudantes se mobilizam para elevar a combatividade das ocupações atropelando a direção oportunista do DCE (Correnteza), imediatamente a reação aparece nos lugares onde os estudantes mais combativos estão organizados. Parece mágica, não? Mas o fato é que esses dedos-duros do Correnteza estão juntos com a reação para perseguir e criminalizar o movimento estudantil!
Em Ribeirão Preto, após massiva assembleia que decidiu pela ocupação imediata frente ao modelo pelego de paralisação puxado pelos oportunistas e rechaçou o oportunismo do DCE, os estudantes se organizaram para ocupar o prédio da administração em data acordada por todos. Quando chegaram lá, o prédio estava fortemente trancado pela segurança, que ameaçou chamar a polícia se os estudantes entrassem. Coincidência? Poderia ser, se na EACH algo de proporções ainda maiores não tivesse acontecido: após a combativa ocupação do prédio da administração na mesma data, mais de 10 viaturas com policiais fortemente armados apareceram e foram conduzidos pessoalmente pelos X9 até o local onde os estudantes estavam reunidos. Logo depois, os oportunistas tentaram nomear estudante por estudante que esteve na ocupação, que dispersaram sabendo que os caguetas estariam de tocaia para entregar até as calças para a polícia. Com a ausência dos estudantes mais combativos da assembleia, os oportunistas decidiram em decisão totalmente arbitrária expulsar estudantes que supostamente haviam participado da ocupação, sem provas e sem direito de defesa garantido. Como se não bastasse o ridículo, propuseram ainda expulsar o CA de Licenciatura da assembleia, uma das coisas mais bizarras já vistas na história do movimento estudantil, e foram derrotados em votação.
Não são meras coincidências o que vimos nos últimos dias: a reação está contando com o Correnteza, como um cachorro na coleira, para criminalizar o movimento estudantil e todos aqueles que lutam. Os oportunistas adoram estar nessa posição, porque desde que existem enquanto corrente oportunista no movimento popular, foram sempre ignorados e identificados como farinha do mesmo saco de oportunistas. Agora que lograram adquirir uma sigla eleitoral, querem o reconhecimento que sempre buscaram das instituições mais reacionárias do velho Estado, inclusive da polícia e qualquer coisa que possa assegurar sua política podre e nefasta.
Ainda que esses covardes posem de revolucionários em suas redes sociais, não enganam a ninguém Aqueles que ainda nutrem ilusões devem perguntar-se: o que está em jogo para esses oportunistas? A garantia de que vão disputar as eleições desse ano sem maiores problemas. Para isso, precisam garantir a lisura de seu rebotalho eleitoreiro, a UP, e com ele, tentar alcançar um cargo rendoso no velho Estado para, enfim, atingir o ápice de seu projeto eleitoral e fracassado desde o início. Todo mundo sabe o caminho que esses oportunistas seguem, pois a matemática é muito simples: ficam mais de década no movimento estudantil se declarando “oposição da UNE”, adotando exatamente as medidas de quem dizem “combater” (UJS, JPT e similares), para logo em seguida disputarem algum cargo eleitoral e encherem o bolso com o dinheiro do povo. Não é isso que tem feito os quadros do pseudobe a tantos anos e mais recentemente um determinado influencer “comunista”? O fato é que qualquer ação mais combativa do movimento estudantil sempre enfrentou não só a reação organizada, mas também a deduragem do oportunismo.
Na USP Ribeirão Preto, após a tentativa fracassada da reação e oportunismo de impedir a ocupação, os estudantes ocuparam um outro prédio e seguem firmes com suas reivindicações. Na EACH, a polícia está sendo denunciada e os oportunistas estão sendo combatidos e desmascarados pelos estudantes. Todos aqueles comprometidos com uma universidade pública, gratuita, democrática e a serviço do povo devem seguir levantando a histórica bandeira de FORA PM DA USP e denunciando os X9 infiltrados no movimento popular.
A Resistência Nacional Palestina que dia após dia serve como fonte de inspiração e fortaleza para as lutas dos povos em todo o mundo, deu uma importante lição aos dedo-duros e colaboradores do nazissionismo em Gaza após a assinatura do cessar-fogo, de forma justa e correta mostrando que não existe espaço na luta para aqueles que atuam em colaboração com o inimigo. Manoel Lisboa histórico dirigente comunista do nosso País em seu poderoso texto “Vencer a torturas é dever revolucionário”, é preciso sobre a delação:
“(…) Para tanto, é essencial que o militante esteja armado com uma compreensão científica da revolução, com a convicção de seu papel de instrumento consciente de um processo inevitável, o que lhe dará a certeza de que a delação, a traição, é um mal muito maior que a morte (….)” (grifo nosso)
É papel de todo verdadeiro movimento estudantil, seguir erguendo alto as suas bandeiras de luta, derrotando os dedo-duros imobilistas e a reação, somente a luta é o que muda, o resto só ilude.
IR AO COMBATE SEM TEMER, OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!
REBELAR-SE É JUSTO!
Alvorada do Povo e Movimento Estudantil Popular Revolucionário
16 de abril de 2026.
