URGENTE: Movimento Correnteza age como polícia política e dedura estudantes da USP para a polícia e a burocracia universitária

Recebemos uma grave denúncia, de um e-mail do movimento Correnteza em nome do Comando de Greve, para a burocracia universitária dedurando estudantes combativos que realizaram importante ocupação de um prédio da EACH (USP Leste) no dia 14 de abril. Abaixo o conteúdo do e-mail:

Prezada diretoria,

No dia de ontem, 14 de abril, houve um episódio lastimável dentro de nosso instituto. Alguns estudantes – que não representam o conjunto dos alunos mobilizados – decidiaram de forma antidemocrática e unilateral invadir o setor administrativo, amedrontar funcionários e iniciar uma ocupação no prédio. Essas pessoas se declaram como Frente Independente Marimbondo. Gostaríamos de repudiar abertamente o acontecimento de ontem.

Reconhecemos a importância do diálogo que tem sido construído desde o início do ano letivo, entre os estudantes e a diretoria. Esperamos que, apesar desse acontecimento, a confiança que a diretoria vem demonstrando com o movimento estudantil não seja comprometida. Entendemos que a decisão de recorrer à polícia militar como forma de solução imediata do problema – com esse grupo de estudantes específico – foi precipitada, mas contamos com que não se torne o procedimento padrão.

Asseguramos que a ação pontual desse coletivo não foi capaz de desmobilizar nossa luta. Ontem, em assembleia, aprovamos a continuidade da paralisação. Nossa intenção é garantir uma greve segura, organizada e comprometida com nossas reivindicações.

Portanto, os responsáveis por esse ato de violência foram expulsos após decisão da assembleia. Eles foram comunicados de que não são bem-vindos e de que não representam o corpo estudantil eachiano.

Nos solidarizamos com a comunidade que de alguma forma foi colocada em situação de vulnerabilidade.

Estamos à disposição para manter comunicação com todos.

Atenciosamente,

Comando de Greve EACH USP”

O conteúdo desse e-mail só mostra o que tem sido visto em todo o Brasil, reiteradamente em diversas mobilizações estudantis, como esse movimento tem agido como camisa de força e quinta coluna no seio das justas lutas dos estudantes.

Verificamos que a Frente Estudantil Marimbondo (@marimbondo.uspleste) se posicionou contra os ataques que tem recebido dos oportunistas e da repressão da burocracia universitária:

Reprodução Instagram

POSICIONAMENTO: VERME NO BANDEJÃO? GREVE DE OCUPAÇÃO!

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento
Mas ninguém diz violento as margens que o comprimem”
– Bertold Brecht

No último dia 14 de abril, dezenas de estudantes buscaram ocupar o prédio da administração da EACH (USP Leste), permanecendo por 2 horas e lutando combativamente pelo cumprimento do direito básico de permanência estudantil que é o de se alimentar sem ter que mastigar junto à comida: pedras, vermes, carunchos e outros objetos estranhos.

Ocupação que foi recebida pela direção com o chamamento de mais de sete viaturas da genocida policia militar do estado de são paulo (não GCM, como afirmado na nota publicada pelo CDE).

A unidade, que foi fruto da luta dos moradores da Zona Leste de São Paulo por acesso ao ensino superior, é desde sempre tratada como lixo pela reitoria, que corta ano após ano o financiamento e a manuntenção do espaço que, em 20 anos, tem apenas 40% de seu plano diretor cumprido.

A greve de ocupação é uma tática histórica dos trabalhadores, que paravam a produção para os patrões, mas mantinham as fábricas em funcionamento, servindo como uma escola de politização aos seus participantes. Quando o movimento estudantil se apropria de tal tática, esta serve como base para importantes conquistas, ao reverter as greves de pijama chamadas por pelegos, transformando as escolas e universidades em espaços vivos de discussão e politização da comunidade escolar/acadêmica.

Em 2023 durante a greve histórica, estudantes independentes lançando mão da tática, decidiram ocupar o prédio do Titanic, contrariando a ingerência do DCE que se opôs desde o início à ocupação, alegando “aventureirismo”, “medida sectária” e que depois da ocupação deflagrada fez de tudo por sabotá-la, propondo acabá-la para “fazer um ato na Ayrton Senna”, leia-se, mais um palanquinho para a meia dúzia de oportunistas de PSOL/UP e nada para as pautas da ocupação.

Com sua posição rechaçada pela massa estudantil, o DCE se reduziu à sua insignificância costumeira e abandonou novamente a EACH.

Na segunda ocupação, quando se deram por satisfeitos de parasitar a luta dos estudantes com fins eleitoreiros, tramaram para encerrar a luta nos C.A.s que dirigem, demarcando sua linha oportunista contra a grande massa de estudantes independentes, que ansiavam por medidas consequentes.

Portanto, não é fato novo a posição de sabotadores e traidores da luta, por parte do DCE (Movimento Correnteza) e assim se recorda qualquer um que frequente a universidade há pelo menos 1 semana.

As ocupações de 23 foram muito importantes e são um marco na luta eachiana (independente!) e apesar das muitas conquistas, a reitoria percebeu que com as ocupações do Titanic podia tentar vencer os estudantes pelo cansaço e jogá-los contra a ocupação, isso porque o atraso das aulas dói mais na massa estudantil que nos burocratas, que pouco se importam se há aula no campus de periferia ou não, desde que o império de papéis mantenha a engrenagem funcionando.

Por isso, é claro que a defesa dos estudantes era por uma ocupação que doesse na burocracia, que parasse suas atividades! E apoiamos essa posição firmemente.

Companheiros, questionamos, existe algo mais justo pelo qual se indignar do que a fome? Quantos não são os estudantes que têm no bandejão a única refeição do seu dia, após o dia todo de trabalho/estudo com apenas um pacote de bolacha no estômago? Hoje o caixa da USP conta com R$ 9,4 bilhões e o orçamento destinado ao campus também sobra.

Há quanto tempo lidamos com problemas como uma comida que não presta, a falta de condições mínimas para estudar e permanecer? Rebelar-se é justo, e neste caso, mais que justo, é necessário! Denunciamos que essa é uma política de exclusão ativa dos estudantes mais pobres, de expulsão, em detrimento do lucro de alguns poucos.

Com certeza quem lê a tudo isso, enxerga um “caso de polícia”… mas não para os estudantes e sim para os burocratas que furtam dia após dia com a permanência estudantil.

A Polícia Militar, esta máquina de moer pobres e pretos, no campo e na cidade, não deve ter presença tolerada na universidade, a expulsão da PM do campus é uma bandeira histórica do movimento estudantil no Brasil, sobretudo na USP.

A posição do DCE (Movimento Correnteza) com coniviência e empenho ativo de sua organização satélite, CAHS, deve ser denunciada por seu papel de polícia política em apontar estudantes para a repressão, tentando identificá-los e denunciá-los, práticas que remontam às ações nefastas dos infiltrados da polícia no movimento popular durante o regime militar fascista.

Chega a ser cômico acusações de “violência”… DCE e CAHS conseguiram ver violência em ocupar um prédio público, onde ninguém foi agredido, mas não na presença da polícia com calibres 12 e escopetas, intimidando e ameaçando os estudantes…conseguiu ver violência em se manifestar contra a fome, mas não na fome em si.

Qualquer desculpa sobre método será incapaz de esconder a vergonha histórica protagonizada por DCE/CAHS hoje, de serem linha auxiliar da reação. Ao menos, a atual gestão do CAHS tem emprego garantido ao se formarem, gerindo “as políticas públicas” de repressão da juventude pobre e preta nas favelas.

Por fim rechaçamos a postura cagueta e autoritária do DCE e seus comparsas, lambe-botas burocráticos do CAHS, que como tentativa falha de reprimir ou envergonhar a justa revolta dos estudante, difamaram os companheiros da Frente Marimbondo presentes na assembleia SEM PROVAS e censuraram o debate coletivo ao proporem sua retirada e usarem o discurso mais podre para justificá-la sem permitir aos companheiros ao menos o direito de resposta.

Sabemos que, ao fim e ao cabo, estão condenados a retornar a seu lugar marcado de desprezo dos estudantes, pois inevitavelmente suas práticas oportunistas trarão seus pescoços de volta à coleira que o reitor segura. Enquanto isso, o movimento estudantil independente e combativo se fortalece a cada dia e cada embate, e comprova que o único caminho para a mudança efetiva é o da luta e não o da conciliação!

Nossa Frente é independente da burocracia universitária e das amarras de partidos eleitoreiros, ela é composta por filhas e filhos do povo, que não temem os joguinhos politiqueiros dos burocratas de plantão no ME! Estamos cotidianamente presentes na luta popular dentro e fora da universidade, DERRUBANDO SEUS MUROS, e nos colocando a serviço do Ensino Público, gratuito, de qualidade E À SERVIÇO DO POVO! Se pensam que recuaremos perante seus ataques, estão veementemente enganados, e recordaremos com carinho suas carrancas ao verem seu castelo de cartas, onde fazem seus acordos com os algozes dos estudantes a portas fechadas, desmoronar!

VIVA A LUTA DOS ESTUDANTES DA USP LESTE!

VIVA O MOVIMENTO ESTUDANTIL COMBATIVO E INDEPENDENTE!

REBELAR-SE É JUSTO!

Frente Independente Marimbondo

MEPR

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