As grandes mobilizações estudantis na USP que se iniciaram principalmente em defesa do direito de existir das entidades estudantis, pois, sabemos que todo os ataques em nome da “regularização” da utilização dos seus espaços e meios de sua autossustentação, na verdade miravam enfraquecer e tentar parte por parte limitar a atuação das entidades junto dos estudantes, um grave ataque contra a democracia universitária, ganhou proporções maiores e incorporou importantes e justas reivindicações, tanto gerais, quanto específicas de cada um dos seus campus. Inclusive como fruto das mobilizações vitoriosas a minuta foi revogada, e é importante se manter em guarda e alerta para não transformarem a proposta da criação do Grupo de Trabalho sobre a regularização como uma outra forma de passar a medida. Por isso aproveitamos a oportunidade para saudar uma vez mais a luta dos estudantes da USP que mesmo em meio ao cerco da burocracia universitária, da polícia e de forças provocadoras da extrema-direita, seguem persistindo nessa importante mobilização não abaixando as suas bandeiras de luta.
Após vários atos em frente a reitoria, finalmente a mesma aceitou a “negociar” no dia 30/04 mas se negando a ouvir os estudantes por mais de 20 minutos, ofereceu um aumento pífio da PAPFE Integral (auxílio permanência), nada falou sobre as outras questões e simplesmente se retirou da sala de reuniões fechando a mesa de negociação com a greve. Postura não muito diferente de diretores dos demais campus, como noticiamos em nosso site na EACH chegaram a comparar a justa luta dos estudantes com a bolsonarada do 08 de janeiro, em evidente atitude provocadora. Está clara a ordem dada de cima para baixo, que é para não negociar com os estudantes como forma de desgastar a greve até que a mesma se encerre. Em São Carlos e Ribeirão Preto são diversas denúncias de ameaça e perseguição contra os estudantes por parte da direção do campus.
Uma questão muito importante que precisa ser levada em alta conta, importantes vitórias da greve foram conquistadas após a ocupação vitoriosa do bloco 16 da USP-RP. De forma muito organizada e combativa, como ficou claro em todo material disponibilizado nas redes sociais pelos estudantes da ocupação, em pouco tempo a diretora que se negava a reunir com os estudantes teve que aceitar a negociação frente ao impacto da ocupação, que cada vez ganhava mais apoio. Nas negociações a maior parte das propostas dos estudantes foram aceitas, e todas com bom encaminhamento prático para que a burocracia universitária não fizesse apenas um acordo de boca. Grande vitória do movimento estudantil! Não poderia ser diferente. A experiência histórica do movimento estudantil em nosso País tem demonstrado dia após dia que a tática da greve de ocupação, transformando as escolas e universidades em importantes trincheiras da luta de classes e ambiente de intensa mobilização, politização e organização estudantil, tem conquistado importantes vitórias nos últimos anos, podemos pegar a experiência vitoriosa da ocupação da EACH em 2023 e da ocupação do bloco K e L no Butantã também em 2023, onde o reitor foi obrigado a revogar a minuta que puniria todos os estudantes que participaram da importante greve que ocorreu naquele ano.
O que temos visto durante a greve é que ao mesmo que existe um interesse grande por parte dos estudantes em elevar a combatividade da luta para que as principais conquistas sejam arrancadas, também tem um desgaste de boa parte de estudantes que estavam ativos no começo da greve que não veem avanços significativos na forma que a direção do Comando de Greve tem conduzido as mobilizações. É preciso tratar seriamente sobre isso, o desgaste não é somente por parte da postura reacionária da reitoria frente a greve, existe aí também problemas principalmente na condução da direção do DCE. Primeiro, a comunicação sobre os rumos da greve e as reuniões com as diretorias locais/reitoria está sendo feita de forma muito precária, ou em muitos casos não está nem sendo realizada, nem nos canais de comunicação e muito menos nas assembleias, dessa forma fica difícil para a maioria dos estudantes que tem apoiado e se interessado em lutar, saber qual rumo a luta tem tomado. Segundo, a forma de fazer da assembleia espaço consultivo de deliberações já tomadas anteriormente por um grupo a parte, afasta a participação mais massiva dos estudantes, a forma que a última assembleia geral foi feita (30/04), passando as propostas como se apenas algo consultivo e isolando propositalmente as propostas da massa estudantil que surgiram durante a assembleia, é jogar contra o avanço da unidade dos estudantes durante a luta. A direção do Comando de Greve não pode agir como se a Assembleia fosse a moda “Conune”, reduzindo tudo a “briga de grupos” e ficar constrangendo e intimidando posições contrárias, coisas que são completamente alheias a tradição histórica do movimento estudantil no País. Terceiro, existe de forma deliberada uma busca de isolar as posições mais combativas e independentes, por que foi falado tão pouco sobre a GRANDE vitória que foi a ocupação da USP-RP? Porque existe um “cordão azul” em toda manifestação na reitoria para que os estudantes não tomem medidas mais combativas? Está claro um interesse explícito de algumas forças que compõe a direção da greve, de que a mobilização diminua gradualmente e a greve se prolongue até determinado dia, para nesse dia “ocupar o palácio dos bandeirantes contra o Tarcísio”, como já colocado por algumas entidades de conversas nesse sentido, propostas principalmente pela direção do movimento correnteza.
Não se pode jogar com os interesses e luta legítima dos estudantes dessa forma. Quais são os interesses em uma suposta ocupação do palácio dos bandeirantes? Nos parece que o principal é fazer agitações de cunho eleitoral, o que não representa uma derrota para o reacionário lambe-bota do imperialismo ianque do Tarcísio. Existe a possibilidade concreta, estudantes de vários campus dispostos a isso, em ocupar a reitoria. Lembrem que em 2023 o reitor estava irredutível quanto a revogação da minuta de punição aos grevistas, e foi com muita resistência da ocupação do bloco K e L, que negociando diretamente com o Ministério Público que essa vitória foi arrancada a força da reitoria. A ocupação da reitoria hoje seria um duro golpe na burocracia universitária e desmoralização do Tarcísio de Freitas, de forma organizada e combativa, mobilizando as entidades dos vários cursos e campus, assim como a massa estudantil, atuando de forma firme e combativa frente a repressão do velho Estado que será inevitável, a mesa de negociação não apenas será reaberta, como as condições de negociações favoráveis vão passar para o lado dos estudantes. Ficar prolongando a greve sem um rumo claro de combatividade e elevação da luta, vai gerar só mais desgaste e afastar boa parcela dos estudantes que estão dispostos a passar a luta para um outro patamar. Aliás foi um erro grave não ter aproveitado a situação do dia 30/04, permanecendo dentro da reitoria como ocupação e convocando os estudantes para entrarem. Assim como se abre a necessidade específica em cada campus de novas ocupações serem realizadas, tomando como exemplo a importante vitória conquistada na USP-RP. E como já denunciamos anteriormente, nesse momento qualquer força que aponte o dedo contra a luta mais combativa, fazendo coro com os ataques reacionários do velho Estado e da burocracia universitária, estará se colocando efetivamente do lado contrário a luta dos estudantes.
Por fim, convocamos as entidades estudantis, frentes, estudantes independentes, democratas e revolucionários a tomarem parte ativa dessa luta para que a greve passe para um outro patamar, defendendo a justeza da greve de ocupação, principalmente do prédio da reitoria, obrigando assim a burocracia a ter que negociar com os estudantes, mas agora em um terreno muito mais favorável para a greve. Se os reacionários dobram a aposta para cima do movimento estudantil, cabe uma vez mais como a história do nosso País e da própria USP nos mostra, que os estudantes elevem a luta combativa. A luta é o que muda, o resto só ilude!
REBELAR-SE É JUSTO!
06 de maio de 2026
Alvorada do Povo (AP)
Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR)
