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Alvorada do Povo: Nota oficial sobre a manifestação do dia 20 de maio

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Nota inicial: Reprodução Alvorada do Povo.

SÓ A GREVE DE OCUPAÇÃO CONQUISTA DIREITOS E IMPÕE RESPEITO AOS ESTUDANTES!

Que vivam os estudantes, jardim da nossa alegria, são aves que não se assustam, com animais e nem a polícia […]”
“Me gustan los Estudiantes” – Violeta Parra

Quando o inimigo nos ataca não é ruim, é bom. É sinal de que estamos no caminho certo.”
Mao Tsetung

A greve estudantil nas universidades estaduais iniciada na USP na metade do mês de abril e aderida pela maioria dos estudantes da UNESP e da UNICAMP desde então, tem sido marcada por uma verdadeira Jornada de lutas Combativas, cobrindo o estado de São Paulo de ponta a ponta em meio ao cerco e ameaças das REItorias, bombardeio do monopólio de imprensa contra as mobilizações e ataque direto do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), lambe-botas do facínora Donald Trump. Diante disso, os estudantes não estão recuando e, pelo contrário, tem elevado a combatividade dessa luta transformando-a em uma das lutas estudantis mais importantes do nosso País no presente século.

O projeto privatista contra as universidades públicas que vem sendo aplicado no Brasil desde os anos de 1990 a mando do Banco Mundial/FMI por todos os governos, não tem sido diferente no âmbito estadual. A fórmula da privatização é clássica: os investimentos são propositalmente deixados de lado mesmo com os recursos amplamente disponíveis e, diante disso, é colocado que os gastos são elevados, que não se tem recursos e então os campis das universidades vão ficando cada vez em condições degradantes. Não se contrata novos professores, a moradia estudantil é abandonada sem manutenção e qualquer projeto de expansão, os restaurantes universitários ficam mais caros e com serviços piores, auxílios de permanência estudantil não passam por nenhum reajuste, há bombardeio na opinião pública criando uma falsa oposição entre ensino infantil/fundamental/médio com ensino superior, fazendo os privatistas auto-proclamados “especialistas em educação” chegarem a conclusão de que tudo isso só pode ser resolvido com “terceirização”, “ampliação das parcerias público-privadas” e “cobranças de taxas”, apontando para cobrança de mensalidades somente para “quem tem condições de pagar”, ou seja, nomes diferentes para ocultar o verdadeiro projeto por trás: Privatização. O que as classes dominantes e seus diferentes governos de turno (de todas as siglas e cores) não colocaram nessa equação é a mobilização estudantil e de todo o povo.

O século XXI tem sido marcado em nosso País por importantes mobilizações do movimento estudantil e da juventude. Particularmente, a primeira década foi palco de grandes lutas contra a reforma do banco mundial na educação. Não esqueçamos a importante palavra de ordem entoada nas batalhas nas estaduais de São Paulo nesse período “USP, UNESP, FATEC e UNICAMP na luta professor, funcionário e estudante!”, marcadas também pela violência generalizada da polícia militar contra os estudantes em luta (nas estaduais) e na perseguição da polícia federal contra os estudantes das federais. Desse primeiro período, caracterizado por importantes greves de ocupação combativas em todo o País, o ponto mais alto foi a ocupação da UNIR em 2011, onde os estudantes organizados de forma independente e combativa derrotaram o MEC (Fernando Haddad ministro da época que atacou as mobilizações desde o início), a repressão policial e a REItoria, derrubando o REItor José Januário e conquistando grandes vitórias para toda a comunidade acadêmica. Assim como a grande vitória dos estudantes secundaristas de São Paulo e depois de todo o Brasil em 2015/2016, que de forma combativa ocuparam as escolas de ponta a ponta no estado, derrotando a repressão policial, as intimidações e ameaças por parte do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e jogando para a lata de lixo da história o projeto de “reorganização escolar” – projeto privatista que ao tentar fechar várias escolas apontava para a “terceirização” (privatização) do ensino público de forma generalizada em todo o estado, mostrando mais uma vez que a tática da greve de ocupação é a arma mais poderosa do movimento estudantil na sua luta por direitos.

E foi usando dessa poderosa arma de luta que se seguiram as principais lutas do movimento estudantil desde então. Nem o governo militar genocida de Bolsonaro (PL) foi capaz de deter as vitoriosas ocupações das universidades federais, mesmo durante a pandemia quando ele tentou “passar a boiada” e fazer todo tipo de acordo criminoso para a implementação da EaD, incluindo a destruição dos restaurantes universitários e a implementação de “softwares de gestão e controle de qualidade”, que na verdade, não passavam dos velhos acordos corruptos para desviar mais recursos públicos para a mão de grandes burgueses e imperialistas – os chamados “irmãos”, pois é assim que se chamam, a exemplo dos áudios vazados do Flávio Bolsonaro (PL) em conversas com o Daniel Vorcaro.

Assim também tem sido desde o primeiro dia de paralisação dos estudantes das estaduais. As entidades, organizações e estudantes independentes e combativos erguem alto a bandeira da greve de ocupação desde o primeiro dia e já arrancaram importantes vitórias, como foi visto na ocupação do bloco 16 da USP Ribeirão Preto, sendo a direção do campi obrigada a negociar com estudantes depois de afirmar várias vezes “que não teria diálogo”. Nada diferente do que tem sido a luta histórica do nosso povo. Em 2013, direto de Paris, após as primeiras manifestações pelo passe-livre e contra o aumento da passagem, Geraldo Alckimin (PSDB) e Fernando Haddad (PT), respectivamente governador e prefeito de São Paulo à época, foram a público defender o reajuste da tarifa, chamando os manifestantes de vândalos e baderneiros, chegando a falar que “os manifestantes eram contra a constituição” e que não iam rever o ajuste da tarifa, pelo contrário, que iriam a elevar da repressão policial. Nesse momento, o monopólio de imprensa com a Rede Globo a frente passava dia e noite chamando os manifestantes de “vândalos”, “terroristas” e “baderneiros”, criminalizando a luta e fazendo uma gritaria enorme contra vidros e grades quebradas. Do que adiantou? Nada! A juventude combatente não se dobrou frente a brutal repressão policial, persistiu na mobilização combativa, e mesmo sofrendo ataque de todos os lados, quanto mais radicalizou nos seus métodos de luta, mais apoio popular foi ganhando e maior foi a desmoralização das forças de repressão. Todos esses que atacaram as mobilizações foram obrigados a engolir o choro e depois se fizeram de desentendidos, chegando a falar que “eram reivindicações legítimas”, não tendo opção a não ser abaixar o preço da passagem. Foi uma vitória enorme do movimento popular!

Tomemos o exemplo da heroica Resistência Nacional Palestina. A causa Palestina é defendida historicamente pelos povos em luta e oprimidos de todo o mundo. Porém, foi após o grande dilúvio de Al Aqsa de 7 de outubro de 2023, maior golpe dado contra a entidade nazissionista de “israel” já visto, que a luta de libertação nacional ganhou um apoio global nunca antes visto. Mesmo com a gritaria reacionária de todo monopólio de imprensa internacional chamando de “terrorismo” e apelando para as mentiras mais sujas, tais como a farsa dos “bebês decapitados”, a Resistência Nacional Palestina fez “israel” tirar sua máscara para o mundo e mostrar sua verdadeira face racista, monstruosa e genocida. Mesmo nas condições mais difíceis, pagando o duro preço de ousar se levantar contra o seu algoz, assim como todos os povos do mundo que ousaram lutar pela sua verdadeira liberdade e independência, o povo palestino não se rendeu nem a fome e nem ao genocídio, mantendo alto suas bandeiras de luta e apoiando de todas as formas possíveis as forças da resistência, colocando alto a consigna de que vão levar a sua luta até o final.

Isso não é por acaso, é um fato histórico comprovado mil vezes: quanto mais duro e contundente é o golpe dado pelas massas em luta, maior vai ser sua repercussão, solidariedade e apoio mesmo em meio a todo tipo de cerco e gritaria reacionária. Por isso, no momento em que a REItoria fechou a mesa de negociação, a maioria dos estudantes tomou a decisão de ocupar a REItoria, sendo necessário para isso derrubar grades e portas anti-povo, levando a greve a atingir um outro patamar de luta. Teve também gritaria reacionária e bots de extrema-direita em redes sociais, mas isso tudo já era esperado e não seria diferente, mas o principal não é isso, e sim o maior apoio e solidariedade dentro da comunidade acadêmica e no País como um todo. Foi a partir daí que muitos veículos do monopólio de imprensa foram obrigados a mostrar as condições da comida nos restaurantes universitários, mostrar as fotos das moradias estudantis, tratar sobre os valores dos auxílios e tantas outras coisas que estavam sendo negligenciadas. E foi nesse momento que caiu por completo a máscara do REItor Aluísio Segurado assim como o “bom-mocismo” da “direita moderada” (como dizem por aí “analistas políticos” do monopólio de imprensa) do Tarcísio de Freitas. A desocupação foi realizada de madrugada naquela data em específico, do dia 10 para o dia 11 de maio, dia das mães, com toda a brutalidade envolvida, pois, temiam fazer em outro momento e se deparar com os estudantes em melhores condições de organizar a sua resistência. Durante a ocupação da REItoria quando os portões foram derrubados e os estudantes foram pra cima, não esqueçamos que os policiais saíram correndo sem olhar pra trás, pois essa é a essência dessa instituição assassina e corrupta: são covardes quando enfrentam o povo organizado e decidido a lutar. Não podemos cair na armadilha de achar que o REItor Aluísio não sabia! Isso é mentira! Isso é teatrinho previamente combinado entre ele e o Tarcísio, a famosa tática contra os que lutam de “bom policial e mal policial”.

Toda a violência empregada na desocupação ilegal, seguida com as ameças de abertura de processo criminal contra os estudantes, foi uma tentativa frustrada de acabar com a greve e os métodos mais combativos de luta. Acharam que dessa forma os estudantes ficariam acovardados e aceitariam qualquer proposta de “diálogo”. Erraram feio! A solidariedade a greve cresceu, assim como a combatividade dos estudantes. Na manifestação do dia 11 no CRUESP (nenhum dos reitores apareceram com medo dos estudantes), mesmo com a polícia lançando bombas de gás lacrimogênio e vereadores influencers indo fazer provocações (ou foram em busca de novas cirurgias plásticas no nariz?), os estudantes resistiram e seguiram sua marcha de forma combativa. Aliás, muitos estudantes de rostos cobertos! Cobrir o rosto é a defesa de quem luta em todo mundo, pois, sabemos que mesmo no chamado “estado democrático de direito” a “democracia” só existe para as velhas classes dominantes. Para os que lutam é tiro, porrada, bomba e processo criminal, então sim, o povo em luta não só tem o direito de utilizar todos os métodos de luta, como cobrir seu rosto para se defender dos seus inimigos de classe. Em qualquer lugar do mundo onde há repressão, há resistência, e a máscara é o rosto de quem luta!

Agora, mais do que antes, devemos erguer alto a bandeira da greve de ocupação e desencadear uma nova onda de ocupações em todos os campis em greve. Seguir o exemplo dos secundaristas de 2015/2016 que, para cada escola invadida pela PM, dezenas de escolas novas eram ocupadas. Temos que ocupar USP, UNESP e UNICAMP de cima a baixo, transformar as ocupações em importantes trincheiras de luta e, a cada tentativa desesperada das REItorias em conjunto com o governador Tarcísio de Freitas de reprimir a luta estudantil, impor duras derrotas contra eles, pois vão sair cada vez mais desmoralizados. Não podemos abaixar as nossas bandeiras de luta e aceitar menos do que a nossa mobilização é capaz de conseguir. Por isso, façamos do dia 20 mais um importante capítulo das Jornadas de Maio, elevando a nossa combatividade e não abrindo um palmo sequer em relação as nossas reivindicações e, ao retornar as nossas universidades, realizemos ocupações de norte a sul, leste a oeste no estado de São Paulo. Não tem repressão, ameaça ou intimidação capaz de deter o avanço da nossa luta.

OCUPAR E RESISTIR ATÉ A GREVE TRIUNFAR!

DERRUBAR OS MUROS DA UNIVERSIDADE, SERVIR AO POVO DO CAMPO E DA CIDADE!

FORA PM DA USP!

REBELAR-SE É JUSTO!

IR AO COMBATE SEM TEMER, OUSAR LUTAR E OUSAR VENCER!

18 de maio de 2026
Alvorada do Povo