Nota inicial: Reprodução Alvorada do Povo.
SÓ A GREVE DE OCUPAÇÃO CONQUISTA DIREITOS E IMPÕE RESPEITO AOS ESTUDANTES!
“Que vivam os estudantes, jardim da nossa alegria, são aves que não se assustam, com animais e nem a polícia […]”
“Me gustan los Estudiantes” – Violeta Parra
“Quando o inimigo nos ataca não é ruim, é bom. É sinal de que estamos no caminho certo.”
Mao Tsetung
A greve estudantil nas universidades estaduais, iniciada na USP na metade do mês de abril, sendo aderida pela maioria dos estudantes da UNESP e da UNICAMP desde então, tem sido marcada por uma verdadeira Jornada de lutas Combativas, cobrindo o estado de São Paulo de ponta a ponta, em meio ao cerco e ameaças das REItorias, bombardeio do monopólio de imprensa contra as mobilizações e ataque direto do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) lambe-botas do facínora Donald Trump, os estudantes não estão recuando e pelo contrário, tem elevado a combatividade dessa luta transformando essa em uma das lutas estudantis mais importantes do nosso País no presente século.
O projeto privatista contra as universidades públicas que vem sendo aplicado no Brasil desde os anos de 1990 a mando do Banco Mundial/FMI por todos os governos desde então, não tem sido diferente no âmbito estadual. A fórmula clássica da privatização: propositalmente os investimentos são deixados de lado mesmo com os recursos amplamente disponíveis, diante disso é colocado que os gastos são elevados e que não se tem recursos, os campis das universidades vão ficando cada vez em condições degradantes, novos professores não são contratados, moradia estudantil é abandonada sem manutenção e qualquer projeto de expansão, os restaurantes universitários ficam mais caros com serviços piores, auxílios de permanência estudantil não passam por nenhum reajuste, bombardeio na opinião pública criando uma falsa oposição entre ensino infantil/fundamental/médio com ensino superior, e chegam a conclusão de que tudo isso só pode ser resolvido com “terceirização”, “ampliação das parcerias público-privadas” e “cobranças de taxas” apontando para cobrança de mensalidades somente para “quem tem condições de pagar”, ou seja, nomes diferentes para ocultar o verdadeiro projeto por trás: Privatização. O que as classes dominantes e seus diferentes governos de turno (de todas as siglas e cores), não colocaram nessa equação é a mobilização estudantil e de todo o povo.
O século XXI tem sido marcado em nosso País por importantes mobilizações do movimento estudantil e da juventude. A primeira década foi palco de grandes lutas contra a reforma do banco mundial na educação, não esqueçamos a importante palavra de ordem entoada nas batalhas nas estaduais de São Paulo nesse período “USP, UNESP, FATEC e UNICAMP na luta professor, funcionário e estudante!”, marcadas também pela violência generalizada polícia militar contra os estudantes em luta (nas estaduais) e na perseguição da polícia federal contra os estudantes das federais. Desse primeiro período, caracterizado por importantes greves de ocupação combativas em todo o País, o ponto mais alto foi a ocupação da UNIR em 2011, onde os estudantes organizados de forma independente e combativa, derrotaram o MEC (Fernando Haddad ministro da época que atacou as mobilizações desde o início), a repressão policial e a REItoria, derrubando o REItor José Januário e conquistando grandes vitórias para toda a comunidade acadêmica. Assim como a grande vitória dos estudantes secundaristas de São Paulo e depois de todo o Brasil, em 2015/1016, que de forma combativa ocuparam as escolas de ponta a ponta no estado, derrotando a repressão policial, as intimidações e ameaças por parte do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e jogando para a lata de lixo da história o projeto de “reorganização escolar” projeto privatista que ao tentar fechar várias escolas apontava para a “terceirização” (privatização) do ensino público de forma generalizada em todo o estado, mostrando mais uma vez que a tática da greve de ocupação é a arma mais poderosa do movimento estudantil na sua luta por direitos.
E foi usando dessa poderosa arma de luta que se seguiram as principais lutas do movimento estudantil desde então, nem o governo militar genocida de Bolsonaro (PL) foi capaz de deter as vitoriosas ocupações das universidades federais, mesmo durante a pandemia quando ele tentou passar a boiada fazendo todo tipo de acordo criminoso para a implementação da EaD, destruição dos restaurantes universitários e implementação de “softwares de gestão e controle de qualidade” que na verdade não passava dos velhos acordos corruptos para desviar mais recursos públicos para a mão de grandes burgueses e imperialistas, os “irmãos” como eles chamam nas suas negociatas como vimos recentemente nos áudios vazados do Flávio Bolsonaro (PL) em conversas com o Daniel Vorcaro.
Assim também tem sido desde o primeiro dia de paralisação dos estudantes das estaduais. As entidades, organizações e estudantes independentes e combativos erguem alto a bandeira da greve de ocupação desde o primeiro, e já arrancaram importantes vitórias, como foi visto na ocupação do bloco 16 da USP Ribeirão Preto, sendo a direção do campi obrigada a negociar com estudantes depois de afirmar várias vezes “que não teria diálogo”. Nada diferente do que tem sido a luta histórica do nosso povo, em 2013 direto de Paris, após as primeiras manifestações pelo passe-livre e contra o aumento da passagem, Geraldo Alckimin (PSDB) e Fernando Haddad (PT), governador e prefeito de São Paulo nessa época respectivamente, foram a público defender o reajuste da tarifa, chamando os manifestantes de vândalos e baderneiros, chegando a falar que “os manifestantes eram contra a constituição” e que não iam rever o ajuste da tarifa, pelo contrário, defenderam a elevação da repressão policial. Nesse momento o monopólio de imprensa, Rede Globo a frente, passava dia e noite chamando os manifestantes de “vândalos”, “terroristas” e “baderneiros”, criminalizando a luta e fazendo uma gritaria enorme contra vidros e grades quebradas. Do que adiantou? Nada! A juventude combatente não se dobrou frente a brutal repressão policial, persistiu na mobilização combativa, e mesmo sofrendo ataque de todos os lados, quanto mais radicaliza nos seus métodos de luta, mais apoio popular foi ganhando e maior foi a desmoralização das forças de repressão. Todos esses que atacaram as mobilizações foram obrigados a engolir o choro, e depois se fizeram de desentendidos chegando a falar que “eram reivindicações legítimas” não tendo opção a não ser abaixar o preço da passagem. Foi uma vitória enorme do movimento popular!
Mais recente podemos pegar o exemplo da heroica Resistência Nacional Palestina. A causa Palestina é defendida historicamente pelos povos em luta e oprimidos de todo o mundo. Porém, foi após o grande dilúvio de Al Aqsa de 7 de outubro de 2023, maior golpe dado contra a entidade nazissionista de “israel” que a causa palestina ganhou um apoio global nunca antes visto. Mesmo com a gritaria reacionária de todo monopólio de imprensa internacioanl chamando de “terrorismo” apelando para as mentiras mais sujas tais como a farsa dos “bebês decapitados”, a Resistência Nacional Palestina fez “israel” tirar sua máscara para o mundo mostrando sua verdadeira face racista, monstruosa e genocida. Mesmo nas condições mais difíceis, pagando o duro preço da ousar se levantar contra o seu algoz, assim como todos os povos do mundo que ousaram lutar pela sua verdadeira liberdade e independência, o povo palestino não se rendeu nem a fome, nem ao genocídio, mantendo alto suas bandeiras de luta e apoiando de todas as formas possíveis as forças da resistência, colocando alto a consigna de que vão levar a sua luta até o final.
Isso não é por acaso, é um fato histórico comprovado mil vezes: quanto mais duro e contundente é o golpe dado pelas massas em luta, maior vai ser sua repercussão, solidariedade e apoio mesmo em meio a todo tipo de cerco e gritaria reacionária. Por isso no momento em que a REItoria fechou a mesa de negociação, e a maioria dos estudantes tomaram a decisão de ocupar a REItoria, sendo necessário para isso derrubar grades e portas anti-povo, a greve atingiu um outro patamar de luta. A gritaria reacionária, os bots de extrema-direita em rede social, isso tudo já era esperado e não seria diferente, o principal não é isso, e sim o maior apoio e solidariedade dentro da comunidade acadêmica e no País como um todo. Foi a partir daí que muitos veículos do monopólio de imprensa foram obrigados a mostrar as condições da comida nos restaurantes universitários, mostrar as fotos das moradias estudantis, tratar sobre os valores dos auxílios e tantas outras coisas que estavam sendo negligenciadas. E foi nesse momento que caiu por completo a máscara do REItor Aluísio Segurado assim como “bom-mocismo” da “direita moderada” (como dizem por aí “analistas políticos” do monopólio de imprensa) do Tarcísio de Freitas. A desocupação foi realizada de madrugada naquela data em específico, do dia 10 para o dia 11 de maio, dia das mães, com toda a brutalidade envolvida, pois, temiam fazer em outro momento e se deparar com os estudantes em melhores condições de organizar a sua resistência. Durante a ocupação da REItoria quando os portões foram derrubados e os estudantes foram pra cima, não esqueçamos que os policiais saíram correram sem olhar pra trás, pois essa é a essência dessa instituição assassina e corrupta: são covardes quando enfrentam o povo organizado e decidido a lutar. Não podemos cair na armadilha de achar o REItor Aluísio não sabia! Isso é mentira! Isso é teatrinho previamente combinado entre ele e o Tarcísio, a famosa tática contra os que lutam de “bom policial e mal policial”.
Toda a violência empregada na desocupação ilegal, seguida com as ameças de abertura de processo criminal contra os estudantes, foi uma tentativa frustrada de acabar com a greve e os métodos mais combativos de luta. Acharam que dessa forma os estudantes ficariam acovardados e aceitariam qualquer proposta de “diálogo”. Erraram feio! A solidariedade a greve cresceu, assim como a combatividade dos estudantes, na manifestação do dia 11 no CRUESP (nenhum dos reitores apareceram com medo dos estudantes), mesmo a polícia lançando bombas de gás lacrimogênio, vereadores influencers indo fazer provocações (ou foram em busca de novas cirurgias plásticas no nariz?), os estudantes resistiram e seguiram sua marcha de forma combativa. Aliás, muitos estudantes de rostos cobertos! Cobrir o rosto é a defesa de quem luta em todo mundo, pois, sabemos que mesmo no chamado “estado democrático de direito”, a “democracia” só existe para as velhas classes dominantes, para os que lutam é tiro, porrada, bomba e processo criminal, então sim, o povo em luta não só tem o direito de utilizar todos os métodos de luta, como cobrir seu rosto para se defender dos seus inimigos de classe. Em qualquer lugar do mundo onde há repressão tem a resistência, e a máscara é o rosto de quem luta!
Agora mais do que antes devemos erguer alto a bandeira da greve de ocupação, e desencadear uma nova onda de ocupações em todos os campis em greve, seguir o exemplo dos secundaristas de 2015/2016 que para cada escola invadida pela PM dezenas de escolas novas eram ocupadas. Temos que ocupar a USP, UNESP e UNICAMP de cima a baixo, transformar as ocupações em importantes trincheiras de luta, e a cada tentativa desesperada das REItorias em conjunto com o governador Tarcísio de Freitas de reprimir a luta estudantil, impor duras derrotas contra eles, vão sair cada vez mais desmoralizados. Não podemos abaixar as nossas bandeiras de luta e aceitar menos do que a nossa mobilização é capaz de conseguir. Por isso, façamos do dia 20 mais um importante capítulo das Jornadas de Maio, elevando a nossa combatividade, não abrindo um palmo sequer em relação as nossas reivindicações, e que ao retornar as nossas universidades realizemos ocupações de norte a sul, leste a oeste no estado de São Paulo, não tem repressão, ameaça ou intimidação capaz de deter o avanço da nossa luta.
OCUPAR E RESISTIR ATÉ A GREVE TRIUNFAR!
DERRUBAR OS MUROS DA UNIVERSIDADE, SERVIR AO POVO DO CAMPO E DA CIDADE!
FORA PM DA USP!
REBELAR-SE É JUSTO!
IR AO COMBATE SEM TEMER, OUSAR LUTAR E OUSAR VENCER!
18 de maio de 2026
Alvorada do Povo
