Desde o grandioso Dilúvio de Al’Aqsa, em 07 de outubro de 2023, uma grandiosa onda de solidariedade ao povo palestino levantou-se em todos os continentes do mundo. A Heroica Resistência Nacional Palestina lançou naquela data uma contraofensiva decisiva contra a ocupação imperialista e sionista, erguendo mais alto do que nunca a bandeira anticolonial e em defesa da criação do Estado Palestino. Em todo o mundo, as massas revolucionárias se unificaram em torno da consigna: Do rio ao mar, a Palestina será livre!
Na medida, em que a Heroica Resistência Nacional Palestina dava provas de sua capacidade política e militar de impor ao imperialismo e ao sionismo uma resistência prolongada, as manifestações em apoio à Palestina foram crescendo em massividade e elevando a sua qualidade. Diferente de outros momentos, em que a solidariedade internacional focava apenas na denúncia do genocídio sionista, cada vez mais as manifestações passaram a defender o legítimo direito do povo e nação Palestina de se defenderem através de todos os meios para derrotar o imperialismo e o sionismo.
Este foi um salto de qualidade na solidariedade internacional à luta Palestina, salto este que acompanhou e correspondeu ao salto dado pela Heroica Resistência Nacional, que unificou diferentes facções da resistência armada em torno de um objetivo comum: expulsar o inimigo colonizador e estabelecer o Estado Palestino soberano. E esse não foi um salto apenas em palavras, foi um salto em atos. Por todo o mundo, as manifestações em apoio à resistência palestina passaram cada vez mais a ação direta contra alvos e símbolos do imperialismo. Sobretudo na Europa, estas ações tiveram um enorme impacto.
A reação das potências imperialistas não poderia ser outra: em muitos países, defender a Palestina, entonar a consigna “Free Palestine!” se tornou um crime passível de prisão. Na Inglaterra, o judiciário imperialista tornou a organização Palestine Action uma organização ilegal, e ordenou a prisão de toda e qualquer pessoa que levantasse um cartaz em apoio a este movimento.
O aumento da repressão e da perseguição aos defensores da causa Palestina, só fez crescer a massividade, a combatividade e a ousadia das ações dos verdadeiros defensores dos palestinos. Na mesma Inglaterra, integrantes do Palestine Action invadiram instalações da indústria bélica imperialista e picharam aviões e equipamentos militares destinados para as forças de defesa de Israel. Foi um prejuízo milionário, um apoio concreto do povo inglês à Heroica Resistência Nacional Palestina. Na Itália, greves operárias foram realizadas, em apoio à Heroica Resistência Nacional Palestina, resultando em enfrentamentos violentos entre massas e polícia. No Estados Unidos, um apoiador da causa palestina executou a tiros agentes da embaixada da entidade sionista.
Teria sido este um excesso? Nenhuma ação é excessiva contra o genocídio em curso, perpetrado pelo imperialismo ianque e pela entidade sionista. Mais de 70 mil cidadãos palestinos foram assassinados covardemente na Faixa de Gaza. Todos os dias, apesar do “cessar fogo”, a entidade sionista bombardeia e assassina os palestinos. Tudo que nós, da solidariedade internacional, façamos em apoio a esta sagrada causa ainda será pouco, frente ao heroísmo e exemplo de luta pela liberdade que o povo palestino dá ao mundo.
No Brasil, o impacto do exemplo da Heroica Resistência Nacional Palestina provocou uma enorme onda de solidariedade. Rapidamente, a defesa da resistência palestina ganhou a opinião pública derrotando os monopólios de comunicação, a rede globo em particular, que atua abertamente sob alto financiamento sionista contra a causa palestina. O povo brasileiro, as escolas e universidades em sua grande maioria fecharam posição em defesa da causa palestina. Embora a massividade dos atos e sua combatividade não tenham alcançado os níveis da Europa, um importante trabalho tem sido feito. Comitês de Apoio à Palestina foram fundados em todo o Brasil, e milhares de ações de solidariedade foram realizadas.
Esses comitês foram conformados por agrupamentos de diferentes correntes políticas de esquerda, da comunidade árabe, e muçulmana. Unificados, apesar de grandes diferenças políticas e ideológicas, na defesa da resistência palestina e contra o imperialismo e o sionismo.
Em Pernambuco, nós dos coletivos estudantis Mangue Vermelho e Movimento Ventania, atuamos, desde o 07 de outubro de 2023 no Comitê de Solidariedade à Palestina. Desde o dilúvio de Al-Aqsa tomamos parte ativa das atividades do comitê, nas panfletagens, redação de notas, atividades em conjunto na universidade, escolas e principalmente nas manifestações onde mobilizamos dezenas e mais dezenas de estudantes em torno da luta palestina. Durante a greve nacional de professores e técnicos administrativos das Universidades Federais, em 2025, nossos blocos em defesa da resistência palestina foram pulsantes, com palavras de ordem em defesa da luta do povo palestino, sempre mobilizando os estudantes para a luta anti-imperialista, tendo-a em alta conta.
Ousamos mobilizar massas de estudantes em torno do Comitê, realizamos cine debates, reuniões de estudos e atividades com personalidades conhecidas de apoio a causa palestina. Apesar de importantes divergências com indivíduos e organizações que defendiam posições contrárias às nossas, como “solução de dois estados” ou defesa ativa da inoperante “Autoridade Palestina”, nunca adotamos uma posição sectária com essas correntes, buscando uma aliança ampla em defesa da Heroica Resistência Nacional Palestina. Do mesmo modo, atuamos conjuntamente com forças das quais divergimos profundamente de suas táticas reformistas e eleitoreiras como PSTU e PCBrasileiro, e nunca questionamos nas reuniões do Comitê seus métodos e formas de atuação, pois ali no Comitê de Solidariedade à Palestina estavam atuando todos aqueles que defendem minimamente a solidariedade a este heroico povo e nação.
No entanto, essa situação se modifica radicalmente após o dia 28 de janeiro de 2026, data em que ocorre no Recife, como em outras cidades do Brasil, manifestações em repúdio a outra agressão do imperialismo ianque, desta vez contra o governo legítimo da Venezuela, com o ataque perpetrado em 03 de janeiro. Ataque este que não está desligado da agressão genocida contra a Palestina, nem contra os ataques subsequentes ao Irã e às ameaças de novas ações contra o povo de Cuba.
A manifestação em Recife, aconteceu na noite do dia 28 de janeiro. A concentração foi na praça do Derby e um forte contingente policial cercava o consulado ianque que fica a poucos metros dali. Desde o início a ação da PM foi, como de costume, violenta e provocadora. Quando a manifestação passava diante de um quiosque da rede ianque de lanchonetes Mc Donalds, um grupo de jovens retirou a funcionária do referido estabelecimento e então lançou um coquetel molotov contra aquela instalação. O molotov provocou um pequeno incêndio no quiosque do Mc Donalds. A ação policial repressora foi completamente desproporcional, absurda e truculenta, atacaram a manifestação com munição letal ferindo diversos manifestantes dentre esses uma estudante da UFPE e o correspondente local do Jornal A Nova Democracia – que não participaram da ação contra o Mc Donalds.
A ação da PM dispersou o ato e, a mais de dois quilômetros de distância, uma estudante secundarista e outro estudante da UFPE foram presos, acusados de serem os responsáveis pelo lançamento do molotov. A estudante secundarista foi liberada no mesmo dia, mas o estudante universitário ficou preso por mais de um mês. As filmagens do ato comprovaram cabalmente que nenhum dos dois esteve envolvido no lançamento dos molotovs e por fim o estudante, após uma grande campanha de solidariedade, também foi solto.
Como deixamos claro à época, que não foram os nossos movimentos, Mangue Vermelho e Movimento Ventania, os responsáveis pelo lançamento do molotov. Todavia, entendemos e vemos como uma ação completamente justificada. Assim como as manifestações na Europa e nos Estados Unidos avançaram para atos de “ação direta”, nada mais justo que isto ocorra em nosso País, tanto na solidariedade à Palestina, como quando um país da América Latina foi invadido pelo maior inimigo dos povos do mundo, que é o imperialismo ianque. Como é de conhecimento público, ataques ao Mc Donalds já ocorreram em todas as partes do mundo, pois esta rede de lanchonete se tornou um símbolo da dominação imperialista ianque. Vemos, portanto, como plenamente justificada esta ação anti-imperialista. Partimos da consigna de que: “Rebelar-se e justo!”. Não nos cabe, por outro lado, identificar ou rastrear quem foram os responsáveis por esta ação; não somos policiais, X9, nem dedos-duros. Defendemos o direito do povo lutar e cabe ao povo, e somente ao povo, escolher seus métodos de luta. Apoiaremos toda luta popular justa, independente dos métodos escolhidos para travar esta luta.
A atitude do PSTU-PE, do MRT-PE, do PCBrasileiro-PE e de outros oportunistas, por sua vez, foi a oposta. Em primeiro lugar, condenaram o ataque ao Mc Donalds, como se isto fosse algo absurdo; em segundo lugar, culparam os responsáveis pelo lançamento do molotov pela agressão policial; e, em terceiro lugar, ergueram seus longos dedos-duros para acusar levianamente o Mangue Vermelho e o Movimento Ventania como supostos responsáveis pela ação. Posição absurda e vergonhosa. Como se dizer apoiador da Palestina e se posicionar contra as ações diretas contra o imperialismo e o sionismo? Que desplante acusar as massas em luta como causadoras da repressão policial! Este sempre é o discurso da reação, do imperialismo, da rede globo, que justifica o genocídio em Gaza, como “resposta” da entidade sionista ao Hamas. A culpa da agressão à manifestação não foi do molotov nem de nenhum manifestante, mas sim e unicamente da PM repressora e assassina do governo do estado, pau-mandado do imperialismo e treinada para atirar em manifestantes desarmados. Por último, ao acusarem o Mangue Vermelho e o Movimento Ventania de responsáveis pela ação foram cúmplices da manutenção ilegal da prisão do estudante e do processo persecutório contra outros ativistas; agindo tal qual a PM, acusando, sem prova alguma, movimentos populares e combativos como responsáveis pela ação.
Durante todo o mês de março, as forças eleitoreiras que aparelharam o Comitê de “Solidariedade” à Palestina de Recife não moveram uma palha pela soltura do estudante anti-imperialista preso injusta e ilegalmente, ou contra os processos criminalizantes contra outros ativistas e jornalista independente. Diante da histeria da extrema-direita, que aos gritos clamou por punição aos manifestantes, chamando-os de “terroristas”, como fez o reacionário Coronel Meira, tais forças oportunistas fizeram coro repetindo o mesmo discurso de criminalização vergonhosa dos ativistas. Nas pressas de se “livrarem” de qualquer relação com a ação combativa contra o imperialismo ianque realizada na manifestação do dia 28 de janeiro, num ato covarde e reformista, tais forças manobraram internamente para expulsar do Comitê os Movimentos aos quais supostamente os estudantes detidos e processados estariam vinculados. Mais que isso, se aproveitaram da situação para expulsar inclusive qualquer movimento que estivesse “no bloco” da manifestação do qual saíram os manifestantes que arremessaram o molotov. Que atitude é esta? Além de covarde é oportunista, pois de um lado se diz defensora da resistência palestina, e de outro atua como força auxiliar da PM na identificação e criminalização dos anti-imperialistas mais consequentes. Dentre os movimentos expulsos e tratados como se fossem “uma coisa só”, está a Liga dos Camponeses Pobres (LCP), simplesmente a organização camponesa mais combativa e perseguida em nosso país, tachada de “terrorista” por Bolsonaro em rede nacional, e expulsa injustamente do Comitê por PSTU-PE, MRT-PE e PCBrasileiro-PE, o que favorece apenas o imperialismo, o latifúndio e o velho Estado em sua sanha de criminalização da luta combativa pela terra e pela Revolução Agrária.
Além deste oportunismo político, PSTU-PE, MRT-PE e PCBrasileiro-PE violaram todos os critérios de democracia interna do Comitê para perpetrar essa expulsão. Em reunião no dia 04 de fevereiro, uma semana após a manifestação, enquanto o estudante da UFPE ainda estava preso e recebendo inúmeras ameças da extrema-direita bolsonarista, estas forças ditas de “esquerda”, transformaram a reunião do Comitê de “Solidariedade” à Palestina, em uma sessão de acusação e deduragem contra nossas correntes estudantis e outros movimentos combativos, como a LCP. Nessa reunião, tais forças do oportunismo impuseram uma votação que contaria um voto por organização e um voto para cada “indivíduo independente”! Ou seja, para atingirem a maioria dos votos, estabeleceram que “indivíduos” ditos “independentes” teriam o mesmo peso que o voto de uma organização ou movimento, o que é um critério completamente burguês e individualista, mas tudo feito para manobrar a favor da expulsão dos movimentos combativos, que em sua maior parte sequer estavam presentes nessa reunião pois que estavam mobilizando pela campanha de soltura do estudante preso. Além disso, em nenhum momento havia sido divulgado que a expulsão de qualquer organização estaria na pauta da reunião, o que é antidemocrático até mesmo pelo critério burguês, pois que não permite a defesa por parte dos acusados! Com esta manobra ridícula e sem critério algum, aprovaram por 5 votos (sendo dois votos de “independentes”) a 4, não apenas a nossa expulsão do Comitê, como também à revelia expulsaram a LCP e outras organizações que nem sequer estavam ali presentes na reunião. Denunciamos publicamente a manobra no mesmo dia e declaramos que não a aceitávamos, pois além de injusta e arbitrária era totalmente antidemocrática.
Concentramos, todo o mês de fevereiro na campanha pela libertação do estudante anti-imperialista. No dia 2 de Março intervimos ativamente na Aula Magna da universidade onde fizemos agitação em defesa da soltura do estudante, e o próprio reitor da universidade fez fala se comprometendo com o processo de sua liberdade.
No dia 12 de Março, após o início dos ataques do imperialismo ianque e da entidade sionista contra o povo iraniano, organizamos um grande ato anti-imperialista na UFPE, reunindo mais de 100 estudantes no Centro de Educação. Neste ato, foi celebrada a heroica resistência palestina, iraniana e libanesa frente aos ataques imperialistas e nazi-sionistas, ampliando a denúncia e solidariedade contra a prisão e processos ilegais contra os manifestantes anti-imperialistas em Recife e em todo o mundo.
No dia 29 de Março, mais de um mês após os ataques ianques ao Irã, o Comitê de “Solidariedade” à Palestina, após dois meses de paralisia completa, convocou uma reunião para discutir ações anti-imperialistas. Era uma reunião pública, convocada pela internet como “plenária aberta”. Decidimos participar da reunião por duas razões: 1ª) se fazia urgente articular uma manifestação anti-imperialista e em defesa da Heroica Resistência Iraniana e Libanesa; 2ª) queríamos pautar a rediscussão da absurda e antidemocrática expulsão dos movimentos, e defender a necessidade de uma ação conjunta frente aos sucessivos ataques imperialistas aos povos do mundo.
Nesse dia, mobilizamos mais de 40 companheiros e companheiras de diferentes organizações e coletivos para a referida reunião. Mais uma vez, contudo, os aparelhistas de PSTU-PE, MRT-PE e PCBrasileiro-PE, se postaram na entrada do local da reunião para impedir nossa participação nesta reunião que supostamente seria “aberta ao público”. Por fim, após muita pressão, foi aprovada a entrada de apenas 5 pessoas, representando diferentes movimentos e organizações, contudo, sem direito a voto. Nesta reunião, nenhuma medida concreta em apoio à nação e povo Iraniano foi definida. Em relação a nossa expulsão, foi aprovada a criação de uma comissão para se reunir com os movimentos expulsos, visando discutir as “condições” para nosso reingresso no Comitê.
A ata da reunião, que circulou em grupos de whatsapp, são demonstrativos do nível de aparelhamento em que o PSTU-PE, MRT-PE e PCBrasileiro-PE passaram a impor ao Comitê de “Solidariedade” à Palestina – PE. No documento afirmam que:
“Encaminhamentos da Plenária Aberta do Comitê de Solidariedade à Palestina – Pernambuco 29/03/2023
(…)
Criação de uma comissão para dialogar com a possibilidade de organizações marxistas-leninistas-maoístas, com aportes do pensamento Gonzalo de reintegrarem o comitê, mediante uma autocrítica de seus métodos e ações arriscadas e desrespeitosas às deliberações coletivas.”
No dia 04 de fevereiro, nos expulsam acusando-nos de sermos os responsáveis pelo lançamento de molotov no Mc Donalds. Na ata da reunião do dia 29/03, caracterizam os movimentos expulsos como sendo marxistas-leninistas-maoistas, aportes de validez universal do Presidente Gonzalo, o que não é verdade, pois os movimentos expulsos atuam em diferentes âmbitos, como estudantil, camponês, jornalismo independente, e não possuem, nenhum deles, a afiliação ideológica mencionada. Nós do Mangue Vermelho e do Movimento Ventania, respeitamos tanto aqueles que lançaram o molotov em janeiro, quanto os comunistas do Brasil que defendem a referida ideologia, contudo, somos organizações estudantis e PSTU, MRT e PCBrasileiro sabem que não somos uma organização comunista, mas então, por que seguem insistindo nisso e em dizer que fomos nós que lançamos o molotov? Que objetivo têm com isso se não criminalizar nossas organizações? O Mangue Vermelho e o Movimento Ventania são organizações democrático-revolucionárias de massas; identificar nossos movimentos com ações ilegais e organizações clandestinas não passa do mais vil serviço mentiroso e policialesco.
Além disso, que critério é este implícito nessa ata do Comitê de “Solidariedade” à Palestina – PE? Estão expulsas a priori todas as pessoas e organizações que defendam tal ideologia? Pode ser este o critério para ser membro ou não de um Comitê de Solidariedade à Palestina? Nós defendemos que o único critério para ser membro de um Comitê verdadeiro de Solidariedade à Palestina, Irã, Líbano, Venezuela e Cuba é ser consequentemente anti-imperialista, é defender a luta dos povos e nações oprimidas por sua libertação, e defender as formas que estes povos elejam para desfraldar sua luta. É puro sectarismo impor critérios ideológicos para definir se alguém pode ou não ser membro do Comitê. Além de sectarismo é violação da democracia interna do Comitê, pois em nenhum momento se discutiu critérios ideológicos para a composição dessa frente de ação. Não passa de puro aparelhismo de PSTU-PE, MRT-PE e PCBrasileiro-PE que querem um Comitê de “Solidariedade” controlado por sua paralisia, inoperância e total falta de ousadia e audácia. A manobra de definirem sobre assunto tão importante sem qualquer prévia divulgação da pauta, e colocando indivíduos para votarem com o mesmo peso que organizações coletivas é um absurdo antidemocrático sem igual, e nos mostra o quão ilegítima foi tal decisão.
Diante do conteúdo de tal ata, os movimentos expulsos gastaram uns dias para se reunir e decidir se aceitaríamos ou não nos reunir com dita Comissão, para a qual de antemão foi definido na ata que já teríamos que apresentar uma “autocrítica”, o que diferia do que fora aprovado na reunião (de que se trataria de comissão para processo de balanço e discussão a ser realizado). Por fim, ainda assim decidimos, em nome da unidade e da defesa da causa comum anti-imperialista, nos reunir com dita Comissão. Quando nos apresentamos para nos reunir, com apenas duas semanas após a última reunião do Comitê, fomos comunicados de que havíamos perdido o “prazo”, e que então estávamos definitivamente expulsos do Comitê. Novamente, mais uma manobra burocrática para impedir o debate e retomada ao Comitê por parte das organizações expulsas, pois até em qualquer processo burguês há flexibilidade quanto a datas, prorrogações são possíveis, etc., mas para os paladinos da democracia oportunista, vale tudo para conseguirem aparelhar o Comitê. A nota pública de nossa expulsão foi publicada na página do Instagram do Comitê nos seguintes termos, no dia 16 de abril:
Ou seja, não bastasse a acusação realizada nas reuniões de que os ativistas que lançaram o molotov eram de nossos movimentos, Mangue Vermelho e Movimento Ventania, a direção do Comitê decidiu pela expulsão de outras quatro organizações, incluídas um jornal independente e uma associação nacional de advogados populares! Por fim, acusaram explicitamente estas organizações de terem “exposto a manifestação à repressão policial”, justificando a repressão policial apesar de, envergonhados, dizerem que não, logo na frase seguinte. O velho conto de que a repressão é provocada por aqueles que lutam e resistem. Frente a isso só podemos repetir o poema de Bertolt Brecht:
SOBRE A VIOLÊNCIA
A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito de rio que a contém
Ninguém chama violento.
A tempestade faz dobrar as bétulas
É tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua?
O Dilúvio de Al’Aqsa foi violento e justo. O genocídio em Gaza é violento e injusto. O lançamento de molotov no Mc Donald foi violento e justo. A repressão da PM-PE foi violenta e injusta. Este é o princípio básico dos verdadeiros democratas e revolucionários.
Após a repercussão negativa de tal postagem, a direção do Comitê a apagou e postou outra, em que não menciona diretamente quais outras organizações foram expulsas do mesmo, o que apenas revela o caráter antidemocrático e obscuro com que tal medida foi tomada. Na nova nota, se lê que “o coletivo Mangue Vermelho e organizações correlatas não integram mais o comitê”, ora bolas, que “organizações correlatas” o Mangue Vermelho possui? Somos, assim como o Movimento Ventania, uma organização estudantil independente e não temos “organizações correlatas”, nem “afiliadas” ou o que quer que seja! Ficaram envergonhados com o tamanho disparate da expulsão das seis organizações distintas? Ou ficaram receosos de divulgar que o Jornal independente que teve seu correspondente baleado, detido e processado, foi o mesmo que foi expulso do Comitê? É uma vergonha tamanho oportunismo! É claro, para nós é uma honra sermos colocados ao lado de organizações como a grandiosa Liga dos Camponeses Pobres (LCP) ou do Jornal A Nova Democracia, mas está claro que não somos a mesma organização e somente incautos, a extrema-direita como o coronel Meira ou oportunistas policialescos se encarregam de colocar todas como uma coisa só, o que só corrobora com a criminalização do movimento popular.
A expulsão do Mangue Vermelho, Ventania e demais organizações populares já mencionadas, marca a consolidação do aparelhamento do Comitê de Solidariedade à Palestina – PE pelo oportunismo. O que fizeram em solidariedade ao Irã? Nada! Se preocupam mais em conter a justa violência do povo contra alvos do imperialismo do que em mobilizar as massas em defesa das nações e povos oprimidos.
Após estas notas vergonhosas, seguimos nossa atuação independente e verdadeiramente anti-imperialista. Junto à Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia impulsionamos a realização do Ato político-cultural em defesa do povo e nação iraniana, realizado exitosamente no dia 09 de junho na UFPE, com a brilhante participação do adido cultural da Embaixada da República Islâmica do Irã no Brasil. Enquanto isso, decidimos participar, pela última vez, de uma reunião do Comitê de “Solidariedade” à Palestina-PE, realizada no dia 09 de maio, no intuito de rever a questão dos “prazos” da dita comissão e avaliar que abertura haveria para a rediscussão acerca da expulsão arbitrária dos movimentos, mas uma vez mais fomos impedidos de participar. Mais de 30 ativistas de diversas organizações democráticas e populares foram impedidas de entrar nesta reunião, que ocorreu na sede do PSTU em Recife, e diante deste fato comunicamos então nossa decisão de denunciar para todos os Comitês de Apoio à Palestina no Brasil sobre a absurda expulsão, por seu caráter criminalizatório, por sua forma antidemocrática e sectária.
Após esta intervenção, começamos a enviar no dia 09 de junho essa carta aos Comitês, para que tomassem conhecimento dos fatos e tivessem tempo de verificá-los por si mesmos, antes de soltarmos a denúncia pública desta expulsão. Decidimos por converter este documento na presente Carta Aberta como denúncia pública, pois esta expulsão não se trata de um caso isolado, ou que prejudique as ações anti-imperialistas apenas em Pernambuco. Avaliamos, que esta expulsão tem um conteúdo mais de fundo. A questão que se coloca hoje para todos os Comitês de Solidariedade à Palestina no Brasil é: devemos seguir a solidariedade ativa e massiva à Palestina ou não? Hoje esta causa está mais urgente, ou não? Devemos mover os mesmos esforços em apoio à resistência Iraniana e Libanesa, ou não?
A resposta do Mangue Vermelha e Movimento Ventania a estas questões é: sim! A Heroica Resistência Iraniana infligiu duríssimos golpes no imperialismo ianque e no sionismo. Nesse sentido, o destino de Gaza, da Palestina, está atrelado inseparavelmente ao destino do povo iraniano, libanês, iraquiano, iemenita, egípcio, etc. Do mesmo modo, que a vitória do Irã contra a entidade sionista representará uma vitória para o povo latino-americano, um alento e impulso para a resistência cubana e para que emerjam as verdadeiras forças patrióticas no território venezuelano.
A posição de PSTU-PE, MRT-PE e PCBrasileiro-PE, que aparelharam o Comitê de Solidariedade à Palestina em PE, é vacilante quanto a isto. O povo iraniano e palestino precisam de apoio decidido, de movimentos e pessoas dispostos a levar as últimas consequências a solidariedade anti-imperialista. É preciso romper urgentemente com a paralisia frente aos ataques ianques e sionistas ao Irã e mover uma ampla, decidida e combativa campanha em sua solidariedade. É por este objetivo que decidimos tornar pública a denúncia sobre nossa expulsão em Pernambuco, que é também uma convocação a mover de maneira mais audaz e decidia a luta anti-imperialista em nosso país.
Recife, 27 de junho, de 2026
Coletivo Mangue Vermelho
Movimento Ventania
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