Reprodução A Nova Democracia.
Organizações revolucionárias das Filipinas divulgaram, nos primeiros dias de setembro, uma nova série de comunicados em que convocam a juventude a intensificar a Guerra Popular e a enfrentar o imperialismo ianque e o terrorismo de Estado. As declarações foram publicadas pela Rede Central da Revolução Filipina (PRWC) no momento em que o governo de Ferdinand Marcos Jr. acelera a abertura das riquezas minerais do país ao capital estrangeiro, enquanto a Força-Tarefa Nacional para Acabar com o Conflito Armado Comunista Local (NTF-ELCAC) mantém as operações contrainsurgentes e a perseguição às organizações populares.
Na edição de 7 de setembro de Ang Bayan, órgão do Partido Comunista das Filipinas (PCF), os revolucionários colocaram no centro a defesa das terras e riquezas nacionais diante da nova ofensiva minerária. O jornal conclamou o povo a desenvolver a Guerra Popular “pela defesa do patrimônio e pela liberdade nacional”, relacionando diretamente a expansão da mineração à disputa do imperialismo ianque por níquel, cobre, cobalto, terras raras e outros minerais indispensáveis à indústria eletrônica e militar.
Assinada por Marcos Jr. em agosto, a Ordem Executiva nº 122 estabelece uma política nacional para acelerar a exploração, o processamento e o aproveitamento dos chamados minerais críticos. O próprio governo reconhece a existência de pelo menos 9 milhões de hectares com potencial mineral e determinou a agilização de licenças e investimentos no setor. Para Ang Bayan, a medida aprofunda a pilhagem estrangeira das riquezas filipinas e complementa os acordos firmados com Washington para garantir ao imperialismo ianque novas fontes de matérias-primas estratégicas.
Segundo o órgão revolucionário, o decreto reforça mecanismos para acelerar licenças de grandes projetos minerários e está ligado ao acordo sobre minerais críticos firmado entre os dois países em fevereiro, bem como ao projeto Pax Silica, destinado a reorganizar sob direção ianque cadeias de semicondutores, inteligência artificial e produção militar. O comunicado estima em 170 bilhões de dólares somente as reservas de níquel e cobalto existentes em Palawan, Surigao del Norte, Dinagat e Zambales, além dos depósitos de cobre, ouro e terras raras espalhados por outras províncias.
A abertura dessas áreas encontra resistência justamente entre povos originários e comunidades camponesas, sobre os quais recaem também as operações contrainsurgentes. Ang Bayan advertiu que a entrada das mineradoras tende a vir acompanhada de expulsões, prisões e militarização: para remover quem cultiva e defende a terra, afirma o jornal, o imperialismo ianque sustenta materialmente o fortalecimento das forças armadas filipinas. A mesma edição relaciona, por isso, a defesa do território e das riquezas nacionais à continuidade da Guerra Popular.
Em Rizal, a organização Kabataang Rizaleño apontou outro aspecto dessa disputa. Depois das fortes chuvas e enchentes que atingiram a província, o grupo denunciou a devastação da cordilheira de Sierra Madre por grandes projetos de energia e infraestrutura, citando parques eólicos, instalações solares e grandes barragens em Tanay, Pililla, Baras e Montalban. Segundo a organização, enquanto moradores tiveram casas e meios de vida destruídos, as empresas responsáveis pelos empreendimentos e o governo prosseguem avançando sobre as montanhas; ao final do comunicado, a juventude é convocada a integrar a Revolução Democrática e o Novo Exército do Povo (NEP).
Os ataques da NTF-ELCAC aparecem de forma recorrente nos novos documentos. Em um dos comunicados, revolucionários convocaram as massas a avançar na Revolução apesar das ofensivas do Estado e a desmascarar a campanha segundo a qual jovens, camponeses e outros setores ingressariam no movimento revolucionário por “engano”. A Kabataang Makabayan (KM), organização clandestina da juventude revolucionária, lançou chamado semelhante: intensificar a Guerra Popular para derrotar o imperialismo e o terrorismo de Estado.
Já em 2 de setembro, a KM havia homenageado combatentes do NEP mortos em Abra e Mindoro e conclamado a juventude a escolher seu lado diante do agravamento das contradições no país. A organização afirmou que a repressão não havia impedido a ampliação dos movimentos anti-imperialista e antifascista nas cidades e chamou os jovens a se colocar “ao lado do povo oprimido” e, portanto, da Revolução. A própria edição de setembro de Ang Bayan registra jovens que deram esse passo. Lana e Sidlak, ambos com 23 anos, tornaram-se organizadores revolucionários em tempo integral depois de períodos de convivência com camponeses; Helen, de 25, deixou a perspectiva de seguir trabalhando para empresas após concluir a universidade e já atua há dois anos na organização do campesinato. Os três, segundo o jornal, preparam-se agora para períodos de integração a unidades do NEP.
Também nas universidades cresce o choque com as políticas de Marcos Jr. Um comunicado publicado em 8 de setembro denunciou os projetos de lei nº 861 e nº 9414, que pretendem alterar a carta da Universidade das Filipinas Orientais (UEP) e transformá-la na chamada Universidade Nacional de Estudos de Sustentabilidade. Entre outras mudanças, as propostas dão à universidade poderes de uma corporação, abrem assentos no Conselho de Regentes a representantes empresariais, ampliam a possibilidade de contratos com empresas e permitem ao próprio conselho estabelecer mensalidades e outras cobranças.
Os estudantes relacionam essas medidas à crescente retirada de financiamento estatal e à transformação das universidades em espaços subordinados aos interesses empresariais. O projeto introduz ainda o chamado “empreendedorismo verde” como orientação para pesquisas agrícolas; para os opositores da reforma, isso significará dirigir a produção científica às exigências do mercado exportador, em vez das necessidades dos camponeses e das comunidades locais. Em contraposição, defendem uma educação patriótica, científica e voltada às massas.
Enquanto o governo apresenta essas reformas e anuncia avanços econômicos, os números utilizados para proclamar uma queda da pobreza foram contestados por organizações revolucionárias em Visayas Oriental. A estatística oficial reduziu a taxa regional de pobreza para 12,8% em 2025, mas considera fora dessa condição quem ultrapassa uma renda de apenas 97 pesos por dia. Em áreas de Samar do Norte, trabalhadores do cultivo de abacá recebem, segundo o comunicado, o equivalente a 24 pesos diários, ao passo que um quilo do arroz produzido localmente chega a 58 pesos.
É sobre essas condições concretas – perda de terras, baixos salários, encarecimento dos alimentos, transformação da educação e operações militares – que recaem os chamados divulgados pela juventude revolucionária. Na edição de 7 de setembro, Ang Bayan conclamou a expandir a Guerra Popular por todas as regiões e províncias, “de Abra a Sarangani”; a Kabataang Makabayan, por sua vez, chamou novos contingentes juvenis a ingressar no NEP e levar ao campo sua capacidade de organização, conhecimento e trabalho.
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