Repetir imagem de capa com a legenda: Estudantes conquistaram a assinatura de duas cartas de compromisso da Reitoria: “Solicitação de esclarecimentos sobre a matriz de partilha do PNAES e as diretrizes orçamentárias do PNAEST” e “Garantia institucional de não retaliação à Comissão Local do Movimento de Casas de Estudantes”, após quatro horas de manifestação e de cerco da Reitoria da UFPE, PM-PE e PF.
Por volta das 15h, de 10 de setembro, estudantes mobilizados pelo 47° Encontro Nacional de Casas de Estudantes (ENCE), realizado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foram em manifestação do Centro de Convenções à Reitoria da UF, para a entrega da carta de reivindicações da Casa dos Estudantes local, onde foram impedidos de entrar no prédio, assim se aglomeraram na área externa do edifício. Com a chegada da Polícia Militar de Pernambuco (PM-PE), do Batalhão de Operações Operações Especiais (BOPE), do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Polícia Federal (PF), os agentes, armados, impediram os estudantes de saírem da região. Em denúncia, uma estudante afirmou que “alguém da reitoria saiu e disse para a polícia militar, ‘agora não’”. Apenas após quatro horas de manifestação, a reitoria assinou a carta de reivindicações e o compromisso de não realizar perseguição política aos estudantes.
Após o ato de entrega da Carta de Reivindicações da Casa que sedia o ENCE, um evento tradicional realizado pelo Movimento de Casas de Estudantes (MCE), a membra da Secretaria Nacional de Casas de Estudantes (SNCE) declarou em entrevista com correspondente local que “a gente chegou aqui por volta de, mais ou menos, 3 horas da tarde. Agora são 7 horas da noite. A gente já encontrou a reitoria fechada […] eles [Reitoria] disseram que não se sentiam seguros com a nossa presença”. Em seguida, denunciou que o uso das forças de repressão na universidade são “usadas para tentar criminalizar estudantes”, sendo esta uma tática que procura “acuar a gente, só que foi desnecessário. O movimento, ele não cedeu”.

No decorrer da entrevista, com o fim da manifestação, três Policiais Federais entraram na reitoria e uma estudante exclamou perante o grau de repressão do Velho Estado: “Até o exército?”. Ao indagar sobre essa situação, a membra do SNCE declarou: “Ocupar essa reitoria é um movimento legítimo. A gente é estudante. O representante imediato da reitoria não fez o que deveria fazer. Um papel acolhedor. Ele é um educador, eu soube que ele é professor. Então, que tipo de aula esse homem dá, né?”.
Os Policiais Federais se dirigiram aos membros da reitoria e se cumprimentaram. Perante tal cena, a estudante exclamou: “É simbólico… É simbólico e é sintomático como eles tratam os estudantes. Quer dizer que a gente é bicho para eles, né? A gente não é nem humano. Enfim, é muito triste. Acho que é isso, o sentimento que fica”.

Contra a perseguição ao Movimento Estudantil!
Em meio a todos esses absurdos da reitoria, esta ainda se presta a acusar os estudantes de não permitir a saída de funcionários do local, imputação essa rebatida pela entrevistada ao afirmar que “muitos funcionários que queriam sair, saíram. Quem não saiu foram eles. Eles próprios se trancaram. Então, eles que têm que abrir a porta, né? E eles não abriram a porta em nenhum momento pelo medo de nós ocuparmos esse local”. Ademais, ela destaca que “eles esquecem, e eu não sei como, que só estão lá porque nós estamos aqui. Então, vez ou outra, a gente precisa lembrar eles de quem somos nós e por que estamos aqui.”
Por fim, a estudante relembra que a “força policial, […] historicamente, coage estudantes. A gente sabe disso. A ditadura tá aí. E esse resgate histórico faz com que a gente também pense sobre isso”. Cenários como esse têm se repetido inúmeras vezes contra os estudantes que se levantam combativamente contra o sucateamento da Educação Pública e a humilhação que a Reitoria e o Velho Estado tentam impor aos filhos do povo dia após dia para permanecerem na Universidade, como é o caso de tantos estudantes pobres que dependem das residências estudantis. Desde a segurança privada TKS agredindo manifestantes em seu pleno direito de circulação até a intervenção direta das forças reacionárias do Velho Estado nos atos estudantis dentro do campus, o aviso permanece o mesmo: esses ataques contra os estudantes efeito nenhum causará na bravura da juventude, não abaixaremos nossas cabeças, o Movimento Estudantil há de crescer cada vez mais por todo o Brasil!
REBELAR-SE É JUSTO!
