Reprodução de A Nova Democracia
No dia 20 de setembro, foi realizada em Sorocaba a reunião pública de conformação do Comitê de Boicote à Farsa Eleitoral. O encontro reuniu operários, estudantes e professores, que realizaram ao longo da tarde um estudo e debate sobre as eleições, o caráter burocrático-latifundiário do velho Estado e os objetivos da campanha de boicote.
A atividade teve como material de estudo o documento “Eleição Não! Revolução Sim!”, da Frente Revolucionária de Defesa dos Direitos do Povo (FRDDP). O texto apresenta a posição da organização sobre as eleições burguesas, as divergências com revisionistas e demais correntes classificadas pela Frente como oportunistas, as bases sobre as quais ocorrem as eleições e os objetivos políticos e práticos da campanha de boicote.
Ao fim da reunião, foram marcadas novas atividades destinadas à mobilização das massas e à propaganda da tática do boicote, que deverão ocorrer durante o período da Farsa Eleitoral. Segundo os participantes, as ações buscarão colocar em prática as conclusões debatidas durante a conformação do Comitê.


Descrédito eleitoral entra no debate
Entre os elementos discutidos durante a reunião esteve o descrédito de parcelas da população diante das eleições. Uma pesquisa eleitoral divulgada pela TVS+ em 2024 registrou que, na pesquisa espontânea para a prefeitura de Sorocaba, 46,6% dos entrevistados não souberam indicar ou não indicaram candidato. Outros 6,2% declararam voto branco ou nulo.
Um dos ativistas que participou da fundação do Comitê e preferiu não se identificar avaliou que esses números precisam ser relacionados à situação política e às condições concretas enfrentadas pelas massas. Segundo ele, o momento exige dos ativistas, agitadores e propagandistas um aprofundamento do estudo e da compreensão sobre as eleições burguesas, partindo da realidade concreta e de seu significado para a luta de classes do proletariado em um período de aprofundamento da decomposição do imperialismo.
“É dever de todos os ativistas, democratas e revolucionários ir às massas para propagandear e elevar a tática do boicote ao circo eleitoral”, afirmou.
Comitê relaciona campanha à situação política nacional
Os participantes também situaram a fundação do Comitê diante do cenário político nacional. Para o ativista ouvido pelo AND, as disputas entre diferentes grupos políticos e a sucessão de escândalos envolvendo as instituições do velho Estado reforçam a necessidade de discutir com as massas não apenas os candidatos apresentados nas eleições, mas o próprio sistema político que sustenta essas disputas.
A situação encontra expressão no editorial publicado por AND em 23 de setembro, “Nada pode ser mais simbólico da putrefação do velho Estado e seu sistema político que o escândalo do STF”. O texto aponta que o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e representantes de diferentes partidos e instituições expõe a putrefação do velho Estado e de seu sistema político, atravessando as diferentes siglas e grupos que, durante a disputa eleitoral, apresentam-se às massas como alternativas entre si.
Para o ativista, esse cenário reforça a posição debatida na reunião de Sorocaba de que a campanha de boicote deve partir da análise concreta da situação política e buscar vincular o descrédito existente à organização das massas. Com a conformação do Comitê, os participantes anunciaram que seguirão promovendo atividades de mobilização e propaganda durante o período eleitoral.
