“O mais perigoso, nesse sentido, são as pessoas que não desejam compreender que a luta contra o imperialismo é uma frase vazia e falsa se não estiver indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo”
V. I. Lenin, “Imperialismo, fase superior do capitalismo
Na primeira edição do JEP (Jornal Estudantes do Povo) no início dos anos 2000, um artigo quase homônimo cumpriu o papel fundamental em denunciar a atuação nefasta do revisionismo e todo o oportunismo na luta estudantil, principalmente após o fim do regime militar fascista. Sob a luz da ideologia científica do proletariado, fazia um diagnóstico preciso do papel de linha auxiliar da reação e do imperialismo da atuação do oportunismo no seio do movimento popular, assim como desmascarava a farsa eleitoreira e a ilusão em um futuro governo da chamada “frente popular”, demonstrando com fatos concretos que a chegada de Luiz Inácio no gerenciamento de turno do velho Estado em 2002, longe de uma ruptura, representaria apenas a continuidade da aplicação dos planos do Banco Mundial/FMI em nosso País, e este inclusive fez questão de reafirmar esse compromisso com o imperialismo, a grande burguesia e o latifúndio, publicamente com a sua “carta aos brasileiros”, conhecida como “carta aos banqueiros”.
Vale aqui retomar, uma vez mais, os alertas feitos pelos estudantes revolucionários nesse importante artigo já no final do gerenciamento de turno do FHC:
“O centro da propaganda eleitoral do PT, PCdoB e frente “popular” eleitoreira, é o combate à corrupção, campanha que só fica mesmo no nome, e não é novidade em nossa História. Assim fez o reacionário Carlos Lacerda da UDN, o populista Jânio Quadros, os milicos na ditadura, e mais recentemente Collor de Melo, com sua campanha de “caça aos marajás”. Não é atoa que Lula volta e meia elogia a ditadura militar. Darão ênfase nesta questão e fugirão das discussões políticas, para encobrir a dura realidade: que a sua política e a do atual governo são praticamente as mesmas. Os oportunistas há muitos anos vêm adequando seu discurso com os mandos dos imperialistas e grande burguesia local. O PT e PCdoB orgulhosamente chamam este direitismo descarado de “amadurecimento”, mas o certo seria chamar de apodrecimento mesmo. Com isto, a “frente popular” eleitoreira, tem se tornado uma forte candidata à sucessão presidencial. Contentes e sorridentes aparecem todos os dias na mídia. A imprensa faz questão de anunciar o “novo” PT, grandes jornais publicam longas entrevistas com o “presidenciável” Lula; até mesmo a rede Globo elogia o PT, revistas mostram com destaque a “primeira prefeita comunista” do PCdoB, em Olinda.
O que significa toda esta bajulação? Será que os reacionários órgãos de imprensa estão do lado do povo, ou será que se renderam à “competência” administrativa dos líderes dos “movimentos populares”? Evidentemente que não. Isto mostra o quanto certas frações da grande burguesia local, ligadas às potências imperialistas que controlam estes órgãos de imprensa estão apostando em que PT, PCdoB & cia, podem vir a ser os mais convenientes gerentes do Estado frente à colossal crise que se avizinha. O PMDB, PSDB e o PFL já tiveram sua chance e cumpriram muito bem sua missão com o Plano Cruzado, Plano Real, privatizações, demissões e etc. Conseguiram adiar por pouco tempo a catástrofe econômica brasileira às custas da miséria, fome, humilhações e violência sobre nosso povo. Mas diante do agravamento de sua crise e da crescente e incontível onda de revolta popular que se espalha por todo o mundo, o imperialismo se vê obrigado a abrir vaga para gerente da crise. PT, PCdoB e “frente popular eleitoreira” ao lado da “frente patrioteira” de Itamar (com a qual PCdoB pretende uma unificação) são fortes concorrentes neste vestibular de traições, no qual o imperialismo decidirá quem segurará o chicote e ser o carrasco do povo por mais quatro anos.”
Não demorou muito tempo após o início do seu primeiro mandato, para que a máscara do pelego-mor caísse, com o ataque direto aos direitos dos aposentados, aprovando sob aclamação do monopólio de imprensa a contrarreforma da previdência de 2003, tratada como “grande vitória do governo”, “que colocaria o Brasil novamente nos trilhos”. Qualquer semelhança com o discurso sobre a “Reforma Trabalhista” aprovada pelo gerenciamento Temer, ou a “Reforma da Previdência” do governo militar genocida de Bolsonaro e generais não é mera coincidência.
Os oportunistas tratam daquele momento como de grandes conquistas para o povo, quando na verdade vimos, ano após ano, as massas populares sofrerem derrotas uma atrás da outra. Foi nos 14 anos de gerenciamentos do oportunismo que ocorreu a maior ofensiva privatista contra o ensino público e gratuito, com rios de dinheiro público sendo entregues de bandeja para empresas privadas de ensino sob o manto de ampliação de vagas de cursos universitários (Prouni), cujo setor da grande burguesia vem chupando para os seus cofres o dinheiro da educação pública gratuita. Com o covarde argumento de que, sem isso, seria inevitável a “privatização” de toda a educação, o que temos visto é a aplicação da “privatização”, de fato, do ensino infantil até o ensino universitário.
O movimento estudantil revolucionário e suas organizações, nas duas últimas décadas, se mantiveram e se mantêm firmes em seus princípios e na tática classista e combativa, denunciando ativamente esses ataques ao ensino público e gratuito, e se ligando cada vez de forma mais profunda às massas estudantis e populares de forma geral, construindo uma poderosa resistência aos ataques privatistas, desmascarando parte por parte os planos da reação e de suas oportunistas forças auxiliares no meio educacional e político, mesmo quando estes planos vêm embrulhados em uma aparência progressista.
A nossa atuação contundente, tendo sempre alçadas firmemente em nossas mãos as bandeiras irrenunciáveis da independência, do classismo e da combatividade, tem despertado de forma crescente uma raivosa histeria dos oportunistas, que buscam atacar os estudantes revolucionários apelando aos métodos mais sujos. Seguindo as instruções dos seus chefetes oportunistas, encrustados no velho Estado e principalmente na burocracia universitária fazendo dali seus pequenos feudos, cumprem o papel de polícia política da reação.
As ações policialescas de fazer intrigas com boatos, notas ou falas em assembleias levantando seus dedos podres de delatores contra ativistas revolucionários, apelando mesmo ao termo de “terrorista”, além dos ataques em que arrancam faixas e cartazes de nossa propaganda revolucionária, são atitudes tipicamente fascistas, e mais, é o expediente dos agentes da polícia política do velho Estado genocida brasileiro.
Estão tão desesperados estes valentões de corredor de universidade, que basta algum estudante convocar qualquer mobilização mais combativa, ou fazer denúncias contundentes da prática do oportunismo, para logo os acusarem de serem militantes de organizações revolucionárias clandestinas, “maoistas”, “guerrilheiros” etc. Os oportunistas, na tentativa vã de legitimar e normalizar um clima policial e persecutório contra estudantes e revolucionários nas escolas e universidades, usam com outras palavras as frases de efeito cunhadas pela reação anticomunista, como de que são “subversivos”, “violentos” e “manipuladores de jovens inocentes úteis”, para atacar revolucionários e assim fornecem à reação a deduragem de militantes, como parte da polícia política do “Estado democrático de direito” (caguetas e dedos-duros de sempre) no seio dos movimentos populares.
Essas correntes oportunistas velhas e “novas”, que na disputa entre si apelam ao que de mais podre existe na política do velho Estado, se unificam todas na santa aliança contra o movimento estudantil revolucionário. Nesse propósito contrarrevolucionário, tal como as forças reacionárias que se dividem para atingir seus fins escusos e se unificam para atacar o povo, os oportunistas se aglomeram sem obedecer princípios para atacar os revolucionários, apelando aos chavões mais reacionários, que poderiam facilmente ter saído da boca de qualquer militante do MBL. Uma boa parte das intervenções dos oportunistas em assembleias, em que atacam os estudantes combativos, se apoiam nas massas mais despolitizadas, infundindo nelas medo da luta combativa, para aprovar as posições mais atrasadas e de conciliação de classe que apregoam os partidos políticos em que estão publicamente vinculados, buscando impedir a mobilização combativa e independente das massas.
Não existe nenhuma novidade nessa perseguição ao movimento revolucionário. São variações dos mesmos ataques usados historicamente pela reação no combate à luta revolucionária, pois tendo ciência que defendem uma causa injusta, buscam se concentrar em tentar demonizar a revolução. O oportunismo buscando agir como legítimo salvador do velho Estado em decomposição, cada vez mais desmoralizado perante o nosso povo, se alinha com a direita tradicional (mal chamada de centrão) e o establishment, no que chamam de combate aos “extremos” e em “defesa da democracia” (como tema quase diário nos editoriais do vetusto Estadão), buscando igualar a luta pela revolução com o golpismo da extrema direita. Não à toa, Luiz Inácio, em suas raras incursões no terreno da história e fazendo questão, em, pelo menos duas oportunidades de falar sobre a bolsonarada do 8 de janeiro, e condenando os “extremos”, soltou a pérola de que o oposto à democracia é o golpismo e o “estalinismo”.
Quem luta pela revolução verdadeira, e não apenas faz discurso inofensivo ao vento de que só será possível realizá-la numa tal “correlação de forças”, idealista, enfrentou em nosso País historicamente e nos dias atuais a mais dura repressão por parte do velho Estado. São inúmeros casos de prisões, torturas, desaparecimento e assassinatos, mesmo após o fim do regime militar, principalmente na luta dos camponeses pobres sem-terra ou com pouca terra e do povo preto e pobre das favelas e periferias. Não por outra razão, o oportunismo, como linha auxiliar da reação no seio do movimento popular, tem direcionado boa parte dos seus ataques contra os materiais da vitoriosa campanha em apoio à Revolução Agrária, levada a cabo por diversas organizações estudantis e de juventude.
Por que será que falar em Revolução Agrária incomoda tanto? Será pelo interesse crescente de suas bases na luta que vem realizando cada vez mais novas tomadas de terra, que derrotaram sucessivas investidas armadas do latifúndio e seus bandos paramilitares? Como não bastasse a censura brutal dos monopólios de imprensa sobre estas lutas no campo e o silêncio criminoso por parte de organizações e partidos que se dizem de esquerda e que reprimem aqueles(as) e suas bases que se solidarizam com essas lutas, o oportunismo busca jogar areia nos olhos dos estudantes e da juventude em geral, querendo fazer crer que a base do enfrentamento contra a extrema direita é pelo voto na farsa eleitoral, quando o terreno principal de combate à extrema direita é na luta pela terra, afinal: latifúndio/paramilitares do ‘Invasão Zero’ = extrema direita.
O movimento estudantil revolucionário nessas duas últimas décadas combateu ombro a ombro com os estudantes e a juventude do povo, enfrentando medida por medida, ataque por ataque da reação, jamais colocando a unidade acima dos princípios, denunciando e desmascarando os oportunistas do velho movimento estudantil, defendendo o ensino público e gratuito com unhas e dentes. Fomos parte ativa em colocar na ordem do dia a greve de ocupação como a forma mais elevada de luta no movimento estudantil, luta essa coroada na grandiosa ocupação da UNIR em 2011 com a derrubada do reitor José Januário, e que teve um salto com as vitoriosas ocupações secundaristas de 2015 e 2016. Durante a pandemia, enquanto o governo militar genocida de Bolsonaro e generais cometia seus crimes mais graves, o MEC se aproveitava para generalizar a aplicação da EaD e preparação do terreno para o criminoso Novo Ensino Médio, e onde estavam os oportunistas? Eles, amedrontados e encolhidos, diziam desde as “redes sociais” que nada podia ser feito. Enquanto isso, os estudantes revolucionários mais uma vez reafirmaram seu compromisso com o povo, atuando de forma ativa nas favelas e no campo de todo o Brasil junto com as massas na organização dos Comitês Sanitários de Defesa Popular, mobilizando as massas na organização de sua proteção contra a covid-19. Enquanto o oportunismo só falava em eleição em 2022 e Bolsonaro aproveitava o período para passar a “boiada” com sucessivos cortes de verbas das Universidades Federais, nós participamos ativamente das vitoriosas greves de ocupação que tiveram um crescimento vertiginoso desde então, mostrando que o verdadeiro porvir de um Brasil novo se fará pela luta e não em conchavos de gabinete nem pelo cretinismo parlamentar corrupto.
Uma das práticas mais podres do oportunismo no movimento estudantil é a de tentar transformar a luta legítima contra o racismo e todas as demais odiosas discriminações contra o povo em troféus para serem exibidos enquanto esvaziam o conteúdo da luta séria e real pela defesa e conquista de direitos. Só um exemplo: Thiago Torres (conhecido como Chavoso da USP e militante antirracista) é muito preciso ao relatar o episódio em que uma estudante de uma determinada organização trotskista o chamou para ser membro da sua corrente “pois eles tinham poucos negros na organização”. São esses mesmos oportunistas que se apresentam como “paladinos” da luta antirracista e que se calam diante das sucessivas chacinas e assassinatos da juventude pobre e preta nas favelas e bairros pobres da Bahia, já que lá o governo é do PT. Para essa gente, só é chacina se for em estados governados por seus contendores eleitorais; onde os aliados governam são “operações de combate ao crime organizado”. Também ficam em um silêncio ensurdecedor, com as notícias dos sucessivos despejos e ataques violentos contra camponeses, ribeirinhos, indígenas e quilombolas na Bahia. Não passam de hipócritas e demagogos, é o mesmo modus operandi (afinal muitos recebem financiamento direto desses mesmos) das empresas imperialistas que enchem o peito para falar de diversidade, enquanto financiam ativamente crimes de todo tipo principalmente no Terceiro Mundo, como temos ao vivo e a cores no genocídio do povo palestino cometido pela entidade nazi-sionista de “israel”.
Esses oportunistas desprovidos de qualquer interesse real na luta, mais preocupados em cargos e na sua futura carreira como políticos do velho Estado, buscam tumultuar qualquer tentativa de mobilização mais séria. Fazem isso de forma metódica, para implodir a mobilização, buscando intimidar as posições divergentes com falsas acusações “pós-modernas”, apelando a argumentos já descritos acima e se utilizando de todo tipo de baixaria para “sair vitorioso”. Quando são derrotados politicamente pelo movimento estudantil combativo em assembleias e nas mobilizações combativas, e não conseguem desmobilizar a luta, não lhes resta outra saída a não ser ir chorar em “redes sociais”, acusando os estudantes combativos de serem “autoritários”. Este é o método da falida UNE-pelega. Basta ver o show de horrores que é a preparação do Conune, onde “vale-tudo” para cada corrente eleger seus delegados. Não são poucos estudantes que vão no Conune e voltam horrorizados com o que viram ali, a maioria se afastando por completo do movimento estudantil. Esse tipo de comportamento nefasto desmobiliza as massas estudantis, não passam de megaeventos festivos e despolitizados que sempre descambam para ataques pessoais e discussão de tudo, menos as reivindicações específicas dos estudantes.
Nós sabemos muito bem que boa parte desses ataques não são espontâneos, são orientados e dirigidos diretamente pelos partidos a que estes movimentos publicamente estão vinculados. Um desses partidos, chegou a fazer reunião para orientar que, na disputa de um determinado Centro Acadêmico, seus militantes deveriam intimidar estudantes e espalhar o máximo de mentiras possíveis sobre o que querem fazer crer que seja o movimento revolucionário, como principal tática durante o período da campanha. Outro movimento, de forma mais descarada, revelou que a orientação da sua direção é delatar mesmo, quem faz parte de organizações revolucionárias.
A universidade é um ambiente de estudos, investigações, debates e luta política, e, portanto, haverá confrontação de ideias, divergências e é natural que assim seja. O que não aceitamos de forma alguma são os ataques fascistas e policiais que estão sendo feitos por oportunistas e, inclusive, embrulhados de “polêmicas teóricas” em seus materiais e nas “redes”, puras pantomimas! Que fique claro: combateremos firmemente essas atitudes policiais contrarrevolucionárias como corresponde! Os oportunistas subestimam as massas estudantis e julgam que sua parcela não organizada não tenha nenhum tipo de pensamento crítico, mas, ao contrário, têm se deparado com o rechaço cada vez maior desses estudantes, que avançam em apoio à luta combativa, e rechaçam essas atitudes reacionárias. Tais organizações que usam de um discurso ultra-revolucionário sobre o socialismo e o comunismo, mas que na prática do chão da luta de classes, não movem uma palha sequer contra os inimigos de classe e do povo, se iludem que poderão seguir enganando os jovens que se despertam para a luta e o conhecimento do marxismo. Os tormentosos tempos em que a História mundial está entrando cuidará de desmascará-los.
A verdadeira luta estudantil revolucionária cresce em todo o Brasil, erguendo alto a bandeira em defesa da gratuidade, democracia e autonomia da universidade pública, assim como, as vincula à grandiosa bandeira vermelha da luta pela Revolução Agrária, como parte inseparável da Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao socialismo em nosso País e a serviço da Revolução Proletária Mundial. O velho movimento estudantil, e sua representação máxima, a UNE oportunista, pelega e reformista, tem servido apenas para as disputas de gabinete. Afundados no imobilismo, não apenas se rendem frente o avanço criminoso do velho Estado contra os direitos estudantis e de todo o povo, como atuam como verdadeira camisa de força. As grandes conquistas da juventude e dos estudantes nessas últimas duas décadas foram frutos da luta classista e independente, lutas essas que temos muito orgulho de sermos parte e, muitas delas, sua direção consequente. Ao contrário dos oportunistas, verdadeiros bombeiros da luta de classes que, frente a qualquer luta radicalizada, entram em desespero para desmobilizar a massa, reafirmamos a nossa principal palavra de ordem: Rebelar-se é justo!
O povo prepara sua rebelião, se abre um novo tempo para a Revolução!
Ir ao combate sem temer: ousar lutar, ousar vencer!
Abaixo o revisionismo e todo o oportunismo!
Viva o movimento estudantil revolucionário!
Alvorada do Povo (AP)
Coletivo Estudantil Filhos do Povo (CEFP)
Coletivo Estudantil Carcará
Coletivo Mangue Vermelho
Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR)
Unidade Vermelha – Liga da Juventude Revolucionária (UV-LJR)
