No dia 17 de março, estudantes protestaram em frente da Superintendência de Administração Acadêmica (SUPAC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) exigindo o reconhecimento da atipicidade do semestre e resolução imediata para todos os problemas gerados pela transição do Sistema de Informações Acadêmicas – Siac para o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas – SIGAA.
No ato, os estudantes questionaram uma série de erros administrativos ao longo do começo do semestre letivo de 2026.1 e 2025.2, iniciados com a implantação do SIGAA, como atrasos na matrícula, instabilidades do sistemas, indeferimento arbitrário de matérias obrigatórias e notas zeradas, que afetaram os critérios de escalonamento da matrícula e o Coeficiente de Rendimento (CR).
O ato faz parte da justa revolta dos estudantes diante do agravamento da crise institucional e administrativa, e os sucessivos erros que se avolumam após a implementação do novo sistema.
Na sexta-feira (13), o Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACISO) e a Organização Estudantil Conjuração Baiana (OECB) intervieram durante um evento da Campanha Eleitoral do candidato a Reitor João Carlos Salles. O Evento contava com intelectuais e professores reconhecidos a nível nacional.
Os estudantes interromperam o evento e tomaram o palco do auditório com as palavras de ordem Greve Geral de Ocupação, só a luta radical muda a situação!. A intervenção dos estudantes denunciou os problemas enfrentados pelos estudantes do Campus São Lázaro da UFBA, entrando em confronto com a “demagogia da burocracia universitária” e o “oportunismo dentro do movimento estudantil”, segundo uma ativista entrevistada pelo AND.
“Não está funcionando para os estudantes, temos pessoas extremamente prejudicadas. Em São Lázaro nós temos quatro matrizes (curriculares) e o SIGAA só suporta uma. Eu estava no sétimo semestre, mesmo dessemestralizada, eu estou com 36% (de integralização) agora? Eu vou cursar licenciatura, é isso? Eu vou cumprir horas que eu não quero? (….) a universidade tem que se importar com essa situação”, disse uma estudante.
Os estudantes saíram do palco, em meio a aplausos da plateia, e lançando palavras de ordem como “Abaixo o oportunismo dentro do movimento estudantil!”, em resposta a provocações realizadas durante a intervenção. A mobilização dos estudantes foi registrada em sua página do Instagram.
Outros atos foram realizados, como panfletagens e intervenções no Restaurante Universitário de São Lázaro e Ondina. Nas panfletagens, os estudantes abordaram os limites da deflagração do semestre atípico, que apesar de ser uma das pautas da mobilização, indicaram a Greve de Ocupação como forma de luta mais avançada dentro do movimento estudantil.
O CACISO também convocou uma assembleia do curso de Ciências Sociais para discutir “demandas sobre o SIGAA” e o “Fórum de São Lázaro”. O Fórum de São Lázaro será realizado no dia 30 de março e reunirá todos os estudantes do campus São Lázaro para debater sobre a mobilização estudantil frente aos problemas da universidade.

Entenda a crise
A crise institucional e administrativa da UFBA é resultado direto do sucateamento da educação pública, que pressiona a administração da universidade, de um lado, a responder às demandas dos estudantes, e de outro, a gerir um orçamento cada vez mais apertado para atender aos interesses do Banco Mundial e ditames do Ministério da Educação do governo oportunista de Luiz Inácio (PT).
A contradição dos interesses dos estudantes e do Banco Mundial/imperialismo, na UFBA, em particular pela hegemonia do oportunismo petista, tem impulsionado a crise institucional especialmente pela frustração das massas com as retumbantes promessas feitas durante a eleição do Luiz Inácio (PT) e a confrontação com a realidade prática de restrição de direitos elementares dos estudantes, em especial nos cursos de humanidades que se aglutinam no Campus São Lázaro. Mas também pela intransigência da atual reitoria a quaisquer críticas à gestão.
Ainda em 2025, na incipiência da crise do SIGAA, quando os protestos estavam apenas se iniciando, técnicos da Superintendência de Administração Acadêmica (SUPAC) denunciaram à professora Karina Moreira Menezes a situação calamitosa no processo de implementação do SIGAA de “esgotamento físico e emocional”. A professora, por sua vez, se mobilizou em torno da sobrecarga dos técnicos da Superintendência de Tecnologia da Informação e SUPAC, falta de cooperação de outros setores e exigindo mediação para colaboração dos outros setores.
No entanto, diante da crítica, a resposta da universidade foi de exoneração do cargo da Professora Karina, que fez com que as chefias da SUPAC em 17 de outubro de 2025 entregassem coletivamente seus cargos.
A postura autoritária do Reitor Paulo Miguez também foi denunciada por estudantes durante a Ocupação da Reitoria, realizada em janeiro deste ano, em que o reitor foi acusado de bater em uma mesa para tentar intimidar os estudantes.
