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PM de Rondônia e Força Nacional preparam novo massacre, intensificam o cerco e ameaçam despejar as áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira

Publicaremos a seguir a nota publcada pelo site resistenciacamponesa.com no dia 10 de outubro de 2021.

Assembleia Popular das Áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira, 02 de outubro de 2021

Nós camponeses das áreas Tiago Campin dos Santos e Ademar Ferreira, localizadas no distrito de Nova Mutum em Porto Velho-RO, nos dirigimos a sociedade para denunciar o cerco criminoso e ilegal que a Força Nacional de Bolsonaro e Polícia Militar de Marcos Rocha estão preparando para os próximos dias contra as mais de 600 famílias que possuem seus lotes nestas terras.

Na última semana se intensificaram os preparativos do governo de Rondônia, junto com efetivos da Força Nacional e Polícia Federal, oriundos do Ministério da Justiça e de Segurança Pública do Bolsonaro e seu governo de generais, para tentar realizar novo despejo contra nós, famílias que lutaram e conquistaram seus pedaços de terra para trabalhar e viver com dignidade.

Nestas terras griladas da União pelos latifundiários Antônio Martins dos Santos(Galo Velho) e da família Leite, onde nada havia antes, hoje há produção de alimentos como mandioca, banana, feijão, milho, abóbora, etc, além de centenas de moradias. Aqui estão homens, mulheres, idosos e mais de 400 crianças e adolescentes que tentam, juntos com suas famílias, construir uma nova vida, fugindo da crise, do aumento do custo de vida e do desemprego nas cidades para produzirem seus próprios alimentos e garantirem seus sustentos.

Tudo indica que essas polícias, atuado como pistoleiros dos latifundiários de Rondônia, agirão da mesma forma que há exatamente um ano, quando a polícia militar de Marcos Rocha, comandada pelo Cel. Alexandre Almeida, ao arrepio da lei, perpetraram todo tipo de ilegalidade e abusos contra nós do acampamento Tiago Campin dos Santos (antiga fazenda Norbrasil e Arco-íris), praticando todo tipo de crimes contra os camponeses, como torturas e prisões, além do cerco e proibição da entrada de alimentos e leite no acampamento. Após nos despejar apareceram com um mandado judicial para tentar justificar suas arbitrariedades que duraram mais de cinco dias.

De forma semelhante iniciam operativos para praticarem mais uma covardia contra os trabalhadores que aqui estão, como a chacina acontecida no dia 13 de agosto de 2021, na área Ademar Ferreira (antiga fazenda Santa Carmem e Boi Sossego) quando o coronel Alexandre Almeida comandou a operação executada por seu grupo de assassinos do BOPE, para executar sumariamente e covardemente os camponeses Amarildo, Amaral e Kevin, todos mortos com tiros de fuzil pelas costas e desarmados, sendo que os dois primeiros, pai e filho, estavam trabalhando na roçada de seus lotes e o último com disparos pelas costas enquanto pilotava sua moto. Claro, após o ocorrido plantaram armas para tentar simular um “confronto”. Atiraram em dezenas de outros camponeses que, por sorte, não foram assassinados também. Nos dias seguintes continuaram nos perseguindo, atirando contra nós, queimando barracos e jogando óleo diesel nos poços d’água em ação levada a cabo pelos pistoleiros da fazenda e pelas polícias que cercam a área.

É mais um episódio covarde como esse que o Estado brasileiro quer praticar contra as famílias que aqui estão. Em outubro se intensificaram os abusos da Força Nacional e PM, aumentando os casos de ameaças, espancamento e torturas de camponeses que circulam nas estradas da região. Andam juntos com grupos de paramilitares que atuam como pistoleiros das fazendas Norbrasil e Santa Carmem, ficando permanentemente nas sedes destes latifundiários e agindo como guaxebas durante o dia e noite. Tudo para defender os interesses dos latifundiários ladrões de terra da União.

Conclamamos todos os verdadeiros democratas, intelectuais, comerciantes e trabalhadores em geral para que defendam os direitos do povo brasileiro, para que denunciem mais este crime em marcha contra nós camponeses de Rondônia. Deixamos claro, mais uma vez, que não sairemos daqui, essas terras são do povo e lutaremos por elas. Queremos terra para trabalhar e viver com dignidade, não repressão e chacinas.

Terra para quem nela vive e trabalha!

Conquistar a terra, destruir o latifúndio!

Viva a Revolução Agrária!

Assembleia Popular da área Tiago Campin dos Santos

Assembleia Popular da área Ademar Ferreira

Porto Velho, 10 de Outubro de 2021

MEPR

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