Nota inicial: Reproduzimos a nota publicada no instagram da Frente Independente Marimbondo @marimbondo.uspleste no dia 1º de junho.
Para arrancar nossos direitos: faremos uma nova greve de ocupação!
Convocamos todo o movimento estudantil universitário do Estado de São Paulo e do Brasil a Ocupar a USP já!
A combativa greve da USP já passa dos 45 dias e não atingiu seus objetivos fundamentais. Isso não quer dizer que o saldo da luta seja negativo, pois a greve escancarou para todo o Brasil a gravíssima situação do ensino público e gratuito brasileiro. Mostrou para todos as paredes da moradia caindo aos pedaços, as larvas na comida, o auxílio miséria que é pago “quando dá” e a falta de democracia universitária, onde mesmo diante de greves realizadas por três categorias, o REItor tem se mostrado intransigente em acatar nossas demandas.
Nada disso nos surpreende, pelo contrário: era previsível que sem golpear duramente a reitoria reacionária eles não acatariam as pautas mais importantes da greve. Alguns oportunistas estão chamando R$ 27,00 no aumento do auxílio PAPFE uma vitória, bem como a criação de mais GT’s burocráticos onde nada que é proposto vira encaminhamento nos Conselhos Universitários, resultando não em outra coisa, mas na ilusão de que é possível participar da burocracia universitária e seu sistema antidemocrático e falido, algo que rapidamente fenece em duas ou três reuniões, ao ver que, ao aprovar nossas propostas lá dentro, logo em seguida somos absolutamente ignorados pelos quase centenários gestores da miséria alheia. Um incauto diria que só mesmo um lunático poderia considerar essas coisas como vitórias, mas, pasmem, há gente aparentemente sã defendendo isso por aí e ainda comemorando como se 45 dias de greve, incluindo braços e ossos quebrados, manifestações quase diárias e diversas ocupações pudessem ser trocadas por algumas poucas migalhas de pão.
A grande verdade é que, mesmo com o esforço de milhares e milhares de estudantes de mobilizar-se diariamente em defesa dos seus direitos negados, a greve conquistou muito pouco e isso tem a ver com duas coisas: 1) elevação da reacionarização da burocracia universitária como um todo que, como parte do caldo de cultura reacionário impulsionado pela extrema-direita bolsonarista, tem se encorajado a agir de forma ainda mais reacionária, aplicando uma repressão violenta e rejeitando tudo aquilo que cheira a povo; 2) como também tem a ver com o peleguismo das direções das organizações eleitoreiras do movimento estudantil, que tentaram de tudo por esfriar a greve e garantir seu palanque eleitoral no Ato do dia 20 de maio, dia em que apesar da ampla presença e disposição da massa estudantil de todo o Estado ter ficado evidente, não se aproveitou dessa energia para golpear os nossos inimigos de forma contundente. Dezenas de milhares na rua para no final uma comissão minúscula entregar uma folha de papel para um funcionário do Palácio? Era esse o tal do “dia do revide” que a direção do Correnteza e da UP haviam prometido para os estudantes? É para isso que estamos em greve há tantos dias? É óbvio que não!
O fato é que nesse momento, mais do que nunca e desde que a greve começou, se delineiam os dois caminhos do movimento estudantil: o caminho burocrático, eleitoreiro e pelego vs o caminho democrático, independente e combativo. O caminho podre quer acabar com a greve as escondidas, atirar na lama todo o esforço realizado pelos estudantes e depois sair por aí dizendo que conquistaram grandes vitórias enquanto contamos as moedas para pagar as contas em casa e nos desdobramos para ter uma formação digna.
O outro caminho é o independente, que vanguardeou a ocupação da reitoria e fará uma nova ocupação pra já, promovendo um novo salto na greve da USP. É evidente que foi a ocupação da reitoria o que retomou o fôlego da greve, mostrando que contra esses ultra-reacionários que estão instalados na burocracia da USP, não há outra forma de luta a não ser a máxima combatividade. Não foi através da ocupação da reitoria que o reitor reabriu, ainda que parcialmente, as mesas de negociação? Precisou-se derrubar um portão e uma imensa porta de vidro para que esse reacionário se rendesse a fúria dos estudantes e se posicionasse publicamente. Precisamos de um novo golpe contundente nos reacionários e o momento é esse!
Fazemos um chamado a todos aqueles que querem que a greve triunfe, que querem que o seu suor e sangue dispendidos nessa greve sejam valorizados como correspondem e àqueles que querem romper com o cerco do oportunismo e sua tentativa sórdida de desidratar a greve até que ela acabe. A aprovação em massa da greve da física a greve dos professores em apoio aos estudantes e as batalhas na Poli, são comprovação de que a greve ainda pode sofrer novo impulso. Convocamos a todos os estudantes dispostos à luta a ocupar a USP conosco e conquistar seus direitos. Chega de auxílio miséria, chega de larva no R.U., chega de aceitar que tratem a permanência como lixo! Por comida, transporte e permanência: GREVE DE OCUPAÇÃO. Se você quer a vitória da greve, participe conosco!
Por comida, transporte e permanência: greve de ocupação!
Ocupar e resistir, lutar pra garantir!
Ir ao combate sem temer, ousar, lutar, ousar, vencer!
Frente Independente Marimbondo
1 de junho de 2026.
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