Um grandioso evento anti-imperialista foi realizado na noite da segunda-feira, 23 de março, no auditório do Instituto de Ciências Humanas (ICH) da Universidade de Brasília (UnB). O evento “Luta Anti-imperialista e Solidariedade Internacionalista” buscou debater as diversas lutas em curso no mundo, como a luta do povo cubano, venezuelano, as resistências nacionais palestina, saraui, iraniana, a revolução agrária no Brasil, bem como as guerras populares em curso no Peru, Turquia, India e Filipinas.
O evento foi impulsionado pela Comissão de Fundação da Executiva Brasiliense de Estudantes de Pedagogia (ExBEPe), como parte da vitoriosa campanha de mobilização e preparação para o 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe). O encontro serviu para denunciar a sanha genocida das potências imperialistas e reafirmar o compromisso da juventude brasileira com a libertação nacional das colônias e semicolônias ao redor do globo.
A mesa de debates foi composta por figuras de destaque na luta anti-imperialista, como o professor Rogério Basali do Departamento de Filosofia da UnB; Pedro Batista, da Internacional Antifascista; Sayid Tenório, do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal); Freddy Meregote, do Comitê Liberdade para Cilia Flores e Nicolás Maduro; e Ahmed Mulay Ali, da Frente Polisário e diplomata da República Árabe Saaraui Democrática (RASD). Além deles, os representantes da ExBEPe compuseram a tribuna de denúncias. Em uníssono, os palestrantes apontaram que a unidade internacionalista não é apenas um conceito abstrato, mas uma ferramenta fundamental para enfrentar a agressão externa e defender a soberania dos povos contra a exploração.
Pedro Batista, da Internacional Antifascista, abriu as intervenções com uma contundente análise sobre a putrefação do sistema capitalista. Ele afirmou categoricamente que o imperialismo é o inimigo de todos os povos e que, no Brasil, ele se sustenta nos setores mais atrasados, especificamente no latifúndio. Batista denunciou que a Lei da Terra de 1850 ainda rege a concentração fundiária no país, servindo apenas para garantir a produção primária voltada aos interesses do capital internacional, enquanto o velho Estado e setores conservadores, financiados historicamente pela CIA, atuam para frear qualquer avanço popular e se apropriar das riquezas nacionais por meio da dívida pública.
O palestrante também alertou para a coordenação fascista na região, citando a Cúpula das Américas realizada na Flórida sob a batuta do canídeo Donald Trump, onde 11 presidentes se articularam para avançar sobre os direitos dos povos latino-americanos. Batista destacou a sanha de Trump em relação a Cuba, que sofre com o desabastecimento de energia e combustível, e o sequestro criminoso do presidente venezuelano e da deputada Cilia Flores pelo imperialismo ianque. Para ele, a resposta justa e coerente vem da Revolução Islâmica do Irã, que não recua diante dos bombardeios contra civis e impõe sucessivas derrotas militares ao “valentão” do bairro, o imperialismo ianque.
Sayid Tenório, representante do Ibraspal, trouxe a urgência da resistência nacional palestina. Ele denunciou a brutalidade das forças de repressão sionistas, que filmam barbáries e estupros para plataformas como o TikTok, acreditando na impunidade. No entanto, Tenório enfatizou que Israel foi derrotado estrategicamente, pois a falácia de sua “invencibilidade” colapsou diante de um povo que não permite que sua vontade de libertação seja quebrada. O destaque foi para o fôlego renovado da resistência em Gaza após as operações de retaliação do Irã contra ativos militares do Estado sionista, mostrando que a unidade de ação é o caminho para a vitória.
Sobre o conflito no Irã, Tenório desmascarou a tentativa de Donald Trump de vender uma “guerra rápida”. Após 23 dias de ataques massivos e o assassinato covarde do líder Ali Khamenei, o povo iraniano não passou um dia sem afirmar sua soberania. A proposta de Trump de uma “pausa de 5 dias” nos ataques à infraestrutura energética foi recebida com desprezo por Teerã. O Irã exige o fim definitivo da guerra, garantias de não agressão e indenizações pela destruição causada. Ao contrário do que o imperialismo ianque encontrou no Iraque, o Irã possui profundidade territorial e uma população de 90 milhões de habitantes mobilizada há 47 anos pelo princípio da soberania.
O diplomata Ahmed Mulay Ali trouxe as saudações da Frente Polisário e denunciou a ocupação colonial do Reino do Marrocos no Saara Ocidental. Ele descreveu um cenário de guerra aberta, onde o exército marroquino, apoiado por Israel, França e pelo Estados Unidos, construiu um muro de 2.700 quilômetros cercado por 8 milhões de minas terrestres. Mulay Ali denunciou o papel do rei Mohamed VI, monarca que utiliza a “Majzén” (a Gestapo marroquina) para praticar torturas, desaparecimentos e perseguições contra o povo saaraui. O diplomata ressaltou que Marrocos é uma peça chave na estratégia imperialista do Ocidente para saquear riquezas naturais no Norte da África.
Ahmed Mulay Ali convocou a juventude brasileira a abrir as portas das universidades para a causa saaraui, destacando que a história de seu povo e a do povo palestino são a mesma: “o enfrentamento a colonialistas fascistas gêmeos.” O diplomata convidou todos para o 50º Aniversário da República Saaraui, que será no dia 9 de abril de 2026, no Sindicato dos Bancários as 19 horas, reafirmando que o meio século de luta é a prova da inabalável unidade nacional contra a ocupação estrangeira.
Freddy Meregote, representando o Comitê Liberdade para Cilia Flores e Nicolás Maduro, denunciou o século de pilhagem do petróleo venezuelano, em que o imperialismo ianque tratava a riqueza nacional como “lama” para justificar o roubo, enquanto governos submissos afundavam o país em dívidas com o Fundo Monetário Internacional.
Essa opressão gerou o Caracazo e a ascensão de Hugo Chávez, cujo projeto de soberania nacional ameaçou a hegemonia ianque. Meregote detalhou como, após a morte de Chávez, o ataque se intensificou contra Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, ambos atualmente sequestrados no Estados Unidos. Ele desmascarou as tentativas de magnicídio com drones e a farsa de “presidentes autoproclamados”, lembrando a invasão da embaixada venezuelana no Brasil em 2019, orquestrada pela CIA e por lacaios locais, que foi revertida heroicamente pela solidariedade do povo brasileiro.
Ao final, Meregote uniu as vozes da resistência, pedindo o fim das sanções criminosas contra Cuba e Venezuela e saudando a firmeza do povo saaraui e da resistência iraniana contra o Grande Satã. A fala de Meregote foi seguida com gritos de “Fora Israel das terras palestinas, fora ianques da América Latina!”
O professor Rogério Basali reforçou que a universidade pública deve ser um centro de luta. Ele resgatou a memória das análises estratégicas que, já em 2001, apontavam o Irã como o alvo final do Pentágono, mostrando a necessidade de vigilância constante sobre os documentos das forças de repressão imperialistas. Basali citou o exemplo do povo palestino, cujas “vértebras não têm dobradiças”, simbolizando que povos decididos à libertação não se curvam diante de agressores, sejam eles ianques ou sionistas.
O professor finalizou com a leitura de um poema de Anacreonte, denunciando aqueles que “amam o dinheiro” acima da vida humana. Ele evidenciou o cenário apócalíprico em que o imperialismo leva o mundo, onde a crueldade imperialista é movida exclusivamente pelo lucro e pela exploração.
O representante da ExBEPe derrubou a tese imobilista de que o movimento estudantil deve se restringir a pautas específicas da educação. Afirmou que a luta estudantil está intrinsecamente ligada à causa internacionalista, pois o Brasil, como semicolônia, “de um punhado de países imperialistas, sofre com os mesmos males da dominação” que os demais países explorados. No Brasil, essa dominação se manifesta por meio do capitalismo burocrático e do latifúndio, que conforme o estudante, utiliza o velho Estado para aplicar as diretrizes do Banco Mundial, negando o direito à escola no campo e nas periferias, com políticas como o Novo Ensino Médio (NEM) e o fechamento de escolas rurais, “para que os estudantes aprendam apenas o mínimo necessário para a reprodução do capital urbano e rural, sob cada dia maior superexploração da força de trabalho.” “Usam ainda do desmantelamento da educação para ampliar o controle privado no ramo escolar, usando desse mercado como uma tentativa da grande burguesia e do capital imperialista para tentar fugir da atual crise sem precedentes de decomposição do capital e do imperialismo”, complementou.
A denúncia da ExBEPe atingiu em cheio as contrarreformas educacionais, como o Novo Ensino Médio e a Resolução 04/2024. Para representante da ExBEPe, essas medidas visam transformar o professor em um mero “dador de aula” sem capacidade de intervenção política e o aluno em uma peça de reposição com conhecimento mínimo, incapaz de refletir sobre sua própria exploração. Ressaltou que a única via de libertação é seguir o exemplo das juventudes da Palestina e da Índia, que se levantam com armas em mãos contra o sistema. Reafirmou seu orgulho pelas ocupações em defesa do povo palestino após o Dilúvio de Al-Aqsa e convocou a universidade a ser uma “caixa de ressonância” das lutas camponesas e internacionais, derrubando os muros acadêmicos para servir ao povo.
A intervenção do representante do Comitê de Apoio de AND destacou a importância do evento em debater a solidariedade com os povos dentro da universidade. “O que foi abordado por todos os companheiros da mesa demonstra que resistência anti-imperialista não é um grito isolado, mas um movimento que vem escalando e se unificando cada vez mais no combate ao imperialismo.” Afirmou ainda que o imperialismo ianque vem sofrendo derrotas seguidas, que “no Irã não alcançou seus objetivos, está cada vez mais isolado e a resistência iraniana demonstrou que superioridade militar não é decisiva para a vitória, deixando claro que o imperialismo é um tigre de papel e que são as massas que fazem a história.”
Em fala, ativistas enfatizam algo tratado por todos os debatedores: que a humanidade assiste ao processo de derrocada do imperialismo. Um ativista afirmou que o imperialismo “é um tigre de papel” e que as diversas lutas em curso demonstram, na prática, que o discurso de soberania militar não garantiu ao imperialismo nenhuma vitória sobre os povos, pelo contrário, “onde realizou agressões, fez crescer o ódio e a resistência.” Outro ativista recordou que o evento ocorria na semana do Dia Internacional de Ação, que será em 28 de março, chamado feito pelo Fórum contra Corporativização e Militarização (FACAM) a organizações democráticas e populares para realizarem atividades de apoio, protestos e campanhas de denúncias pelo fim da Operação Kagaar na Índia.
A conclusão do evento foi marcada por um chamado à organização: a formação de uma frente global de resistência que reúna movimentos, intelectuais e trabalhadores para enfrentar o monstro imperialista. Ativistas indicaram que ocorrerá o Congresso de Fundação da Liga Anti-Imperialista, que acontecerá em 3, 4 e 5 de abril no Equador. Os estudantes de pedagogia saíram do auditório do ICH reafirmando que a educação deve servir para formar gerações comprometidas com a solidariedade internacionalista e prontas para destruir o sistema putrefato que perece devido ao culto ao capital.
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