No dia 16 de Abril, estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realizaram uma pujante manifestação para entregar um abaixo-assinado – com mais de 1500 assinaturas – em defesa da paridade de votos nos espaços deliberativos da universidade. A burocracia universitária, encabeçada pelo REItor Alfredo Gomes e seu chefe de gabinete, Fernando do Nascimento, barrou a entrada dos estudantes na reitoria – deixando claro que, para burocracia universitária, as massas estudantis não podem sequer botar seus pés nestes espaços – e exigiu que fosse formada uma comissão de estudantes para ter uma reunião de portas fechadas com a reitoria; a proposta foi rapidamente negada pelos estudantes, que conseguiu arrancar da reitoria uma reunião aberta com o Comando de Lutas pela Paridade – Edson Luís.
A manifestação foi construída com uma intensa mobilização, fomentada no início do ano por estudantes independentes, após o REItor Alfredo Gomes anunciar que iria deixar o cargo para participar da farsa eleitoral como pré-candidato ao governo de Pernambuco pelo partido Rede Sustentabilidade. A primeira atividade que foi construída nesta jornada de lutas foi a panfletagem na Aula Magna (Aula inaugural) no início do ano, realizada em conjunto com a campanha pela soltura do estudante preso político anti-imperialista.
A luta foi se alastrando e atingiu todos os campi da UFPE, da cidade ao campo. No dia 26 de março, mais de cem estudantes se juntaram numa Assembleia Estudantil para discutir a questão candente da democracia universitária. E foi decidido, com unanimidade, a criação do Comando de Lutas pela Paridade – Edson Luís, em homenagem Dia do Estudante Combatente (28 de março). Na assembleia, também estiveram presentes professores democráticos e técnicos administrativos, categoria que está em greve nacional desde o início das aulas.
Além disso, foi deliberada a escrita de um abaixo-assinado e uma manifestação para entregá-lo. O abaixo-assinado expôs a proposta da imensa maioria da universidade: paridade nos conselhos universitários, com peso de 33% dos votos para cada categoria. Na atual configuração, o voto dos professores tem 70% do peso, e os estudantes e técnicos ficam com míseros 15%, respectivamente. Ou seja, a opinião dos estudantes e técnicos juntos não pesam nem metade do que a dos professores. É a democracia dos pequenos grupos, em oposição à democracia das amplas massas da universidade. Em apenas três semanas, os estudantes recolheram mais de 1.500 assinaturas, mostrando qual é o espírito que ronda a universidade.
No dia 16 de Abril, os estudantes se reuniram às 14h de frente ao Centro de Educação e marcharam rumo à reitoria. Durante a manifestação, os estudantes entoaram palavras de ordem, como “Chega de lero lero! 15% eu não tolero!”, “Não tem arrego! Paridade nos conselhos ou eu tiro seu sossego!” e “A nossa luta é pela paridade nos conselhos da Universidade!”,e levantaram uma faixa assinada pelo Comando de Lutas, onde podia-se ler “Pela democracia universitária! Paridade na UFPE já!”. Por trás dela, estavam levantadas bem alto as bandeiras da Heroica Resistência Nacional Palestina e do Coletivo Mangue Vermelho.

Com um vertiginoso medo de que a juventude reivindicasse seus direitos através de seus combativos métodos de luta, antes mesmo de falar com os estudantes, a burocracia universitária e a segurança privada TKS correram para trancar as portas da reitoria. Quando questionado pela medida, o chefe de gabinete afirmou que era “orientação da segurança”, como se a empresa agressora de estudantes mandasse na reitoria e não o contrário. Além disso, de forma policialesca, exigiu para a juventude falando da “necessidade de se apresentar sem máscaras” porque, como vimos até agora, “a universidade é um espaço democrático”.
Após ser rechaçado pelos manifestantes, uma estudante leu uma carta de reivindicações, exigindo uma reunião ampla e aberta para discutir a paridade nos Conselhos Universitários e um ônibus para envio de uma delegação de estudantes para o 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe) na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís.
O chefete respondeu aos estudantes com a demagogia típica dos oportunistas. Falou que a paridade estava nos horizontes da gestão, prometeu uma reunião hipotética e sem data para os estudantes. A juventude debateu até que a verdadeira posição da reitoria fosse desmascarada. Um estudante perguntou “Não pode uma reunião aberta para toda a universidade mas pode uma reunião fechada com uma comissão?” e Fernando respondeu “Você conhece a democracia e sabe como ela funciona”. Com muita luta, os estudantes conseguiram arrancar a participação da reitoria numa reunião do Comando de Lutas pela Paridade.
Entretanto a REItoria, mais uma vez, prometeu e não cumpriu. Não se reuniu com os estudantes e até agora não garantiu o ônibus para o ENEPe. Mas se pensam que nós abandonamos a bandeira histórica da democracia universitária, estão enganados. Aprendemos com as vitoriosas ocupações da USP como devemos lidar com a burocracia universitária. Reivindicamos o legado da histórica luta dos estudantes da Universidade de Córdoba e afirmamos que, se for preciso escalar os céus e fincar as nossas bandeiras encima da UFPE para torná-la democrática e a serviço do povo, o faremos sem pestanejar.
IR AO COMBATE SEM TEMER, OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!
REBELAR-SE É JUSTO!
Coletivo Mangue Vermelho
