PE: Grupo de Estudos Marx e Engels realiza vitorioso cinedebate de “Memórias Clandestinas”, em homenagem a dirigente revolucionária Alexina Crespo

No dia 30 de abril, o Grupo de Estudos e Debates Marx e Engels realizou um cinedebate do filme “Memórias Clandestinas” e debateu sobre o tema “Latifúndio, servidão no campo e a atualidade da Revolução Agrária” na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) campus Recife. O filme, que conta a história da destacada dirigente das Ligas Camponesas, Alexina Crespo, mostra o surgimento da organização e seu processo de enraizamento entre as massas populares no interior do nordeste. Todo o debate foi realizado com uma sala adornada com cartazes do companheiro Flecha e do companheiro Renato Nathan, e com uma faixa, onde podia-se ler “Viva a Revolução Agrária! Morte ao Latifúndio!”.

Após a exibição do filme, os estudantes debateram como a semifeudalidade – subsistência de relações de produção e propriedade da terra de tipo feudal, como o regime de barracão e a existência em si do latifúndio e sua produção extensiva – se expressa no campo brasileiro e como elas subsistem como parte dos planos do capital financeiro imperialista aplicado pelas classes dominantes locais lacaias, o latifúndio e a grande burguesia, compradora e a burocrática. Como resultado da subjugação imperialista se expressa três grandes montanhas que oprimem o povo: a semifeudalidade, o capitalismo burocrático e o imperialismo.

Em oposição ao caminho burocrático, de subjugação nacional, se discutiu a necessidade do caminho democrático, da necessidade de destruir o latifúndio, que é a base da opressão imperialista e seu maior aliado, e repartir as terras ao campesinato pobre com pouca ou nenhuma terra, caminho da revolução de nova democracia, antifeudal e anti-imperialista.

Durante o debate, também foi exposto a importância da participação dos estudantes nesse processo, para servir como tropa de choque e caixa de ressonância das lutas populares no campo do país, para liberar a energia revolucionária das massas camponesas e impulsionar a revolução agrária em curso hoje.

Além disso, os estudantes também contribuíram denunciando crimes de todo tipo cometido pelo latifúndio. Foram denunciados os assassinatos vis e covardes dos companheiros Flecha e Renato Nathan, dois dirigentes da Liga dos Camponeses Pobres (LCP).

Alguns alunos descendentes de camponeses relataram como os grupos paramilitares de extrema direita aterrorizam camponeses pelo estado de Pernambuco para expulsá-los de sua terra, e deram o exemplo histórico de suas próprias famílias. Um estudante relatou sobre a resistência feroz de Barro Branco, em 28 de setembro de 2024, onde camponeses e estudantes revolucionários expulsaram um bando de mais de 50 pistoleiros do grupo paramilitar de extrema-direita Invasão Zero das terras do posseiros, num ataque onde dispararam mais de 200 tiros contra o povo. Do lado das massas, saíram dois camponeses e uma estudante baleados; do lado inimigo, saíram diversos pistoleiros feridos pela autodefesa camponesa.

Alexina Crespo, heroína do Povo brasileiro

No final da década de 40, Alexina Crespo organizou a fundação da União Feminina de Pernambuco e lutou por organizar as mulheres do povo e incorporar as crianças na luta popular. Já na década seguinte, contribuiu para a consolidação das Ligas Camponesas no Nordeste, ao lado de outras lideranças camponesas como Elizabeth Teixeira e Francisco Julião, incutindo tanto medo nos verdugos imperialistas que o presidente ianque (EUA) na época, John F. Kennedy, enviou seu irmão, Robert Kennedy, para monitorar o avanço da Liga Camponesa de Sapé, na Paraíba, acreditando ser o embrião de um novo Vietnã.

Alexina se organizou, por um curto período de tempo, no Partido Comunista Brasileiro, mas rompeu com a organização no início dos anos 60 por suas divergências com a política kruschovista das “Três pacíficas” assumida pelo autointitulado Partidão. O interesse de Alexina era organizar o povo para fazer revolução, e assim o fez. Em 1961, junto a outros militantes, foi para Dianópolis, em Goiás, fundou o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) como organismo armado das Ligas Camponesas e já partiu para organização da luta guerrilheira, construindo 8 dispositivos armados por todo o país em menos de um ano. Entretanto, devido sua concepção foquista da luta armada, o MRT foi desmantelado pelas forças repressivas do velho Estado, já em fase preparativa para o Golpe Militar Fascista dois anos depois, com objetivo de aniquilar as capacidades de resistência da grande organização camponesa.

Mesmo com debilidades, Alexina permaneceu inflexível até o final de sua vida no princípio marxista de que “a violência é a parteira da história”. Numa reunião ampliada da Comissão Nacional das Ligas de Camponeses Pobres (LCP) em abril de 2010, 3 anos antes de seu falecimento, Alexina declarou que “Eu desejo que vocês multipliquem, centupliquem essa organização de vocês para todo o Brasil e, enquanto eu puder ajudar, enquanto eu tiver um alentosinho, vou seguir lutando. Não sei como: falando, falando, falando, e até quem sabe uns murros, também posso dar.”

Alexina é um exemplo heroico para toda a juventude combatente de nosso país. A companheira, apesar de não ter origem camponesa, serviu de todo coração a organizar essa classe e doou sua vida para a revolução. Foi de Pequim à Havana para conquistar apoio para o povo e manteve-se firme, mesmo quando a organização que construiu foi posta na ilegalidade pelos gorilas do regime militar. Encarnar seu espírito inquebrantável, de total desinteresse individual e de se embrenhar até o fundo nas massas mais profundas de nosso país é a nossa tarefa.

VIVA A REVOLUÇÃO AGRÁRIA!
MORTE AO LATIFÚNDIO!

COMPANHEIRA ALEXINA,
PRESENTE NA LUTA!

MEPR Autor

Recent Posts

SP: Milhares de estudantes marcham pelas ruas da capital em defesa da universidade pública e gratuita!

Reprodução Alvorada do Povo. Na última quarta-feira (20/5), milhares de estudantes marcharam pelas ruas da…

19 horas ago

PE: Estudantes realizam poderosa manifestação pela democracia universitária em campanha pela paridade na UFPE

No dia 16 de Abril, estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) realizaram uma pujante…

6 dias ago

PE: Coletivo Mangue Vermelho e Movimento Ventania prestam solidariedade às vítimas das enchentes no Recife

Diante da fatídica chuva torrencial ocorrida no 1º de maio e nos dias que se…

6 dias ago

Alvorada do Povo: Nota oficial sobre a manifestação do dia 20 de maio

Nota inicial: Reprodução Alvorada do Povo. SÓ A GREVE DE OCUPAÇÃO CONQUISTA DIREITOS E IMPÕE…

1 semana ago

60 anos da GRCP: A Grande Revolução Cultural Proletária e as Tarefas da Juventude na Revolução (UV-LJR, 2016)

Nota inicial: Neste dia 16 de maio em que se completam 60 anos da Grande…

1 semana ago