Nota inicial: Publicamos tradução não-oficial do português realizada a partir do site Heraldo Rojo.
Importância do Congresso
Enquanto o mundo testemunha o começo do fim da hegemonia estadunidense no Oriente Médio, os imperialistas dos EUA se deparam com outro espinho no caminho: o Congresso de fundação da Frente Anti-imperialista (EUA). Das entranhas da besta, a Frente Anti-imperialista (AIF) dá um passo ousado ao assumir sua responsabilidade perante a classe operária internacional e os povos oprimidos, que lutam e morrem todos os dias para varrer o imperialismo e seus lacaios da face da Terra!
O Congresso representou um avanço significativo para o movimento anti-imperialista nos EUA e em todo o mundo. Foi um grande passo rumo à unidade dos revolucionários anti-imperialistas estadunidenses, empenhados em construir uma Frente Anti-imperialista dentro da única superpotência imperialista do mundo, para combater o principal inimigo dos povos do mundo: o imperialismo ianque. O tema do congresso pode ser resumido em seu lema principal: “Anti-imperialistas do mundo, uni-vos!”
O Congresso da AIF aconteceu em um momento oportuno, após o inspirador Congresso de fundação da Liga Internacional Anti-imperialista, realizado na Colômbia em abril deste ano. Foi um acontecimento de importância histórica para os povos em luta de todo o mundo, e a AIF o considera um passo significativo para impulsionar a luta contra o imperialismo em nível internacional.
Durante o ano e alguns meses que antecederam o congresso, a unidade necessária para construir a AIF foi forjada por meio da participação em várias campanhas nacionais. Em primeiro lugar, a campanha “Vamos acelerar a construção da Frente Anti-imperialista Internacional!” fortaleceu a unidade ideológica e política da AIF por meio do estudo e da divulgação dos chamados da Liga Anti-imperialista, tomando como ponto de partida para nosso trabalho seu marco anti-imperialista coerente e sua análise do mundo.
Paralelamente a essa campanha principal, a AIF realizou ações de solidariedade às lutas anti-imperialistas globais, incluindo iniciativas em apoio à resistência palestina e em memória da Operação “Dilúvio de Al-Aqsa”, de 7 de outubro; em favor do Eixo da Resistência mais amplo contra o imperialismo estadunidense no Oriente Médio — particularmente, do apoio à guerra de resistência do Estado iraniano —; e uma campanha em apoio à Guerra Popular na Índia. Além disso, a AIF se envolveu na luta contra o terror do ICE nos bairros operários e, recentemente, realizou uma campanha em memória do “Black August” em bairros de maioria negra.

Informe do Congresso
O primeiro dia do Congresso foi aberto com um discurso de boas-vindas do Comitê de Coordenação da Frente Anti-imperialista (EUA). Nele, destacou-se que a situação mundial é propícia à revolução e enfatizaram-se as tarefas urgentes dos anti-imperialistas dos EUA para ampliar nosso apoio à Guerra Popular na Índia e ao Eixo da Resistência no Oriente Médio. Essas duas tarefas foram ressaltadas ao longo de todo o Congresso como caminhos fundamentais para contribuir com o desenvolvimento da Revolução Mundial.
O Congresso enviou uma mensagem de solidariedade aos ativistas da Palestine Action Network, da Masar Badil e da Autistici/Inventati, recentemente sancionados pelo Departamento de Estado dos EUA por “apoiarem o terrorismo”, devido à sua solidariedade com o povo palestino oprimido. Você pode ler a mensagem completa aqui.
Foram recebidas mensagens de saudação ao Congresso de organizações dos Estados Unidos e de outros países. Dos EUA, vieram saudações do Comitê de Defesa do Povo e da Organização Juvenil Revolucionária. Também tivemos a honra de receber saudações de companheiros da Índia, da revista Nazariya e da Frente Estudantil Revolucionária de Bengala Ocidental. A revista Nazariya lembrou aos companheiros a importância do movimento anti-imperialista nos Estados Unidos:
“Enfrentar o imperialismo em seu próprio coração é atacar os alicerces políticos e ideológicos por meio dos quais ele mantém sua dominação em todo o mundo. O desenvolvimento de um movimento revolucionário anti-imperialista dentro dos Estados Unidos é, portanto, uma frente importante da luta internacional contra o imperialismo e pode se tornar uma fonte de força para as lutas dos povos oprimidos de todo o mundo.”
Já os camaradas da Frente Estudantil Revolucionária de Bengala Ocidental falaram sobre a importância de permanecer alerta diante do oportunismo e de todas as tendências contrárias ao caráter operário do movimento anti-imperialista, bem como sobre a importância de forjar uma unidade firme:
“[Esperamos] que esse processo contribua para levar a luta anti-imperialista diretamente às massas, em particular aos trabalhadores, estudantes, jovens e nacionalidades oprimidas. Ao mesmo tempo, o movimento revolucionário anti-imperialista deve permanecer alerta diante do revisionismo, do oportunismo, do liquidacionismo, do economicismo, do liberalismo e de todas as tendências que pretendem diluir o caráter de classe da luta anti-imperialista. A unidade necessária para uma frente anti-imperialista não pode ser uma unidade sem princípios. A unidade genuína deve ser forjada por meio de uma luta baseada em princípios, da clareza política, da luta entre as duas linhas e do compromisso compartilhado de enfrentar o imperialismo e a reação.”
A mensagem e as lições transmitidas nas saudações despertaram entusiasmo e ofereceram orientações que estiveram presentes durante o restante do Congresso.

Após as falas de abertura e as saudações, foi apresentado um resumo do processo de construção da AIF e um informe político. O resumo destacou o trabalho realizado em todo o país para fortalecer nossa construção ideológica e política. O informe político abordou o desenvolvimento do imperialismo, a história da luta anti-imperialista no mundo e, sobretudo, o dever e as tarefas dos anti-imperialistas nos Estados Unidos.
Por fim, os documentos fundacionais da organização, como o Manifesto da AIF, foram ratificados por votação. Todos os documentos foram amplamente debatidos nos grupos de discussão do Congresso, nos quais foram trocadas opiniões para aprofundar o debate e alcançar maior unidade coletiva.
O segundo dia começou com uma homenagem aos mártires do massacre de 19 pessoas, cometido na ilha de Negros em 19 de abril pelo governo filipino, no contexto de suas operações contra o Partido Comunista das Filipinas. Nesse massacre, dois ativistas filipino-americanos foram martirizados pelas reacionárias Forças Armadas das Filipinas. Um amigo de Lyle Prijoles, ativista dos direitos humanos da região da baía da Califórnia, falou em detalhes sobre o que significa servir ao povo, como fez o camarada Lyle. Um ativista da região de Seattle falou sobre Kai Sorem, organizador juvenil de Seattle, e sobre o impacto que deixou na comunidade onde trabalhava e se organizava.
Após as falas de abertura, o segundo dia do Congresso concentrou-se no debate e na votação das resoluções que orientarão a AIF para que cumpra suas tarefas de forma mais eficaz. O debate sobre essas resoluções trouxe rico material para refletirmos sobre as diferenças de entendimento a respeito das tarefas da AIF e sobre como podemos contribuir melhor para esse processo.
Em primeiro lugar, as resoluções destacaram a tarefa fundamental de unir todos aqueles que possam se unir contra o inimigo principal: o imperialismo ianque. Elas reconheceram o oportunismo como o principal perigo na luta anti-imperialista e ressaltaram a necessidade de nos aproximarmos das massas mais oprimidas para levar adiante a luta contra o oportunismo em meio à luta de classes. Com isso, as resoluções apontaram aspectos da luta anti-imperialista que devem receber atenção no próximo período de trabalho da AIF, reiterando seu programa e, ao mesmo tempo, propondo formas concretas de luta nas quais se concentrar e das quais extrair lições.
Embora ainda tenhamos muito a fazer, conseguimos definir melhor o que entendemos por “aprofundar nosso trabalho” e saímos com uma visão mais unificada da tarefa que estamos realizando. Concordamos que a realização deste Congresso é um passo positivo para nos tornar mais capazes de liderar a luta anti-imperialista em nossas cidades, bairros e locais de trabalho, e para contribuir com a construção de um movimento anti-imperialista coeso, poderoso e da classe operária nos Estados Unidos.
Com a aprovação das resoluções, alcançamos até agora a orientação mais clara sobre o trabalho da AIF, e estamos ansiosos e decididos a desenvolvê-lo seguindo essas linhas.

O Congresso terminou sob aplausos estrondosos, cânticos e apresentações culturais. As apresentações promoveram um ambiente de nova cultura: uma cultura a serviço dos povos oprimidos do mundo e da luta para varrer o imperialismo da face da Terra! Merece destaque uma apresentação em solidariedade à Guerra Popular na Índia: uma dança indiana acompanhada da canção revolucionária “Bandeira Vermelha” [Erra Jenda], em télugo, em homenagem aos mártires da Índia que sacrificaram suas vidas pela libertação de todos os povos da Índia e do mundo. A apresentação terminou com os cânticos de “Lal Salaam!” [Saudação Vermelha] aos mártires da Revolução Indiana, especialmente aos camaradas mártires Basavaraj, Renuka e Hidma.

O Congresso de fundação da AIF representou um modesto avanço na construção de um movimento anti-imperialista mais coeso e genuinamente operário. O Congresso reafirmou o dever dos anti-imperialistas dos EUA para com a frente global contra o imperialismo. Debatemos em profundidade que os verdadeiros anti-imperialistas devem contribuir para a luta com aquilo que serve à revolução e deixar para trás o que não serve. A AIF se empenha em assumir a responsabilidade exigida do movimento anti-imperialista nos Estados Unidos. Deve assumir plena responsabilidade pelos êxitos e fracassos na tarefa de desenvolver um poderoso movimento anti-imperialista na retaguarda das linhas inimigas. Mas a AIF não pode construir sozinha esse movimento anti-imperialista em ascensão. Estamos decididos a nos unir a todos aqueles com quem for possível nos unir, para fazer do movimento revolucionário anti-imperialista dos EUA uma fonte de força para as lutas dos povos oprimidos de todo o mundo!
O imperialismo e toda a reação são tigres de papel!
A rebelião se justifica!
Anti-imperialistas do mundo, uni-vos!
Assinado,
Frente Anti-imperialista (EUA)
