No dia 10 de agosto, o Movimento Ventania e a Executiva Nacional de Estudantes de Pedagogia fizeram uma poderosa intervenção na mesa “Ser estudante em uma escola pública federal: pertencimento, direitos e participação política” junto a professores e ao grêmio do Colégio de Aplicação (CAP) da Universidade Federal de Pernambuco. O evento foi organizado pela comissão de eventos do CAP em celebração ao dia do estudante, no qual compareceram cerca de 400 estudantes do 6° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio durante as duas sessões. Na mesa, estavam presentes um professor da escola, um ex-gremista e dois representantes do grêmio, que centraram suas falas nas vivências na escola, experiências no grêmio e problemas de infraestrutura.
Na sua fala, a vice-representante estadual da ExNEPe fez um panorama sobre a conformação, ainda incompleta, do povo brasileiro, relembrando os gigantescos levantes que forjaram a ferro e fogo o nosso povo; afirmou o papel da juventude de se posicionar como tropa de choque durantes essas lutas; também descreveu a formação do Partido Comunista do Brasil (PCB) e sua importância no desenvolvimento da luta revolucionária, destacando o levante armado de 1935 como o ponto mais alto da luta armada até então. Explicou o surgimento, em meio a tantas batalhas, da União Nacional dos Estudantes e a importante atuação da União da Juventude Comunista em desatrelar a UNE do Estado Novo de Vargas, apontando o caminho da combatividade e da independência; explicou também a guinada da UJC ao caminho reformista, seguindo os desvios do PCB nos anos 50 e 60; continuou reforçando que, mesmo com tais desvios, a juventude persistiu com o caminho da luta no audaz combate ao regime militar, momento de auge do Movimento Estudantil brasileiro.
A representante da ExNEPe prosseguiu explicando que atualmente a UJC, UNE e UBES não representam esse passado glorioso de lutas dos estudantes, que na verdade se transformaram em camisa de força do movimento estudantil, servindo apenas aos interesses dos inimigos dos estudantes. A mesma chamou todos os grêmios a romperem com a UMES, pelega e oportunista. Os estudantes presentes aplaudiram calorosamente.
A fala feita pela integrante do Movimento Ventania iniciou com uma explicação sobre o surgimento do movimento, colocando que as organizações oportunistas não atendiam às demandas dos estudantes secundaristas. Foi graças a essa inquietude e a partir do fogo revolucionário que ardia nos estudantes que eles criaram o movimento para fazer verdadeira luta combativa; explicou que mesmo em menor número, porém guiados pelos princípios da independência, do classismo e da combatividade, eles seguiram fazendo atividades e foram crescendo cada vez mais. Expôs as condições dos estudantes no IFPE, devido ao sucateamento da educação que afeta estudantes e professores em todas as escolas, sendo essa a realidade de todo o nosso país; além disso, a estudante explicou as atividades que o Ventania tem exercido no IFPE: desde as batalhas por reivindicações imediatas até propagandear – por meio de panfletagens, colagens de lambes, manifestações e etc – a luta pela terra em nosso país, assim como as lutas por todo o mundo, como a Heroica Resistência Nacional Palestina. Como parte disso, destacou a participação do coletivo na resistência feroz de Barro Branco, demonstrando que a luta estudantil deve seguir lado a lado com as lutas do nosso povo. Em seguida, denunciou que, pela posição do movimento de se colocar ao lado do povo em luta, tem sofrido dura perseguição por parte da direção da escola, enquanto que os pelegos da UBES recebem mil e uma regalias, inclusive ônibus para irem aos seus congressos degenerados.
Na rodada de intervenção do público os estudantes demonstraram muito interesse no Movimento Ventania e também colocaram os problemas que enfrentam na escola, tanto de infraestrutura quanto de permanência. Durante a intervenção, uma lista de interesse para conhecer o Ventania foi entregue à plateia e, ao final, diversos estudantes assinaram seus nomes, sinal de que os estudantes querem fazer luta.
Não foi por mero acaso que o Ventania foi convidado à mesa, na verdade foi sintoma de muita luta. O primeiro contato que os professores tiveram com o movimento foi na greve de 2024 – na qual técnicos, professores e estudantes decidiram interromper suas atividades para lutar contra os ataques contra a educação lançados pela gerência de turno do Luis Inácio –, quando o Movimento Ventania deu exemplo de engajamento e combatividade, tocando atividades no IFPE e apoiando as atividades na UFPE, que foram desde palestras e assembleias até grandes manifestações, demarcando a posição de unidade entre as categorias. Foi o posicionamento combativo de defender com unhas e dentes a universidade pública, gratuita e científica que fez com que os professores enxergassem no Movimento Ventania um verdadeiro aliado de lutas, gerando o convite e a participação na mesa, trazendo para os estudantes do Colégio de Aplicação o caminho da independência e da combatividade.
VIVA O MOVIMENTO ESTUDANTIL INDEPENDENTE, CLASSISTA E COMBATIVO!
OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!
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